
Carnaval.
Comece cantando...
"... diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu..."
(Didi e Mestrinho, no samba enredo da G.R.E.S. Ilha do Governador em 1982)

SASSARICANDO 1952
(Luiz antônio, Zé Mario e O Magalhães)
Sá sá saricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sá, sá saricando
A viúva, o brotinho e a madame
O velho, na porta da Colombo
É um assombro, sassaricanco
Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó

Carnaval Editorial.
A internet não é uma fonte inesgotável de informações. Como muitos afirmam. É limitada e muitas vezes falha e pobre, muito pobre de informações específicas. Ao elaborar este "Café Brasil" carnavalesco, tive muita dificuldade de levantar o material necessário. Encontrei quase tudo no site da "Collectors", empresa carioca que reúne informações num site confuso, mas cheio de conteúdo.
Gostei muito de Carnaval quando adolescente. Viajava fatalmente para a cidade onde nasci, no sul de Minas Gerais. Motiv lá tinha primos adorados, loucos por uma festa de Carnaval. Muitas das marchas carnavalescas que reproduzo abaixo, cantava a plenos pulmões nos bailes do Éden e do Montanhês Clube. Era divertidíssimo, havia uma ingenuidade gostosa em toda aquela festa.
Esta diversão durou de 1968 a 1972, quatro anos apenas. Mas o suficiente para deixar boas lembranças. Apesar destas declarações, não sou um nostálgico. Amo o tempo presente e a vida presente. E não é por acaso que vivo repetindo uma frase ouvida de uma grande poeta, Cora Coralina, a eterna menina Aninha dos becos e ruas de Goiás: "Nunca fui tão feliz e estou vivendo hoje o melhor tempo de minha vida".
E é a mais pura verdade. Ser feliz continua sendo a melhor coisa do mundo. E a melhor vingança também! Sairei neste Carnaval pelas ruas de Sampa para namorar muito e beijar muitas bocas.
"é hoje que eu vou prá farra, ninguém me agarra, eu vou me acabar, maestro manda aquela brasa, saí de casa prá ver bumbo furar!"
Paulo Pelicano
Editor em desvario carnavalesco
(MTB 13057/SP)

YES, NÓS TEMOS BANANAS 1939
(João de Barro e Alberto Ribeiro)
Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina, contém vitamina
Banana engorda e faz crescer
Vai para a França o café, pois é
Para o Japão o algodão, pois não
Pro mundo inteiro, homem ou mulher
Bananas para quem quiser

Cartas.
Luciano e Paulo Pelicano, voces sao incriveis, que bela reportagem sobre nossa querida Sao Paulo!!!!! gostei muitissimo!!! Obrigado.
Que DEUS nosso PAI os ilumine sempre!!!!
Um grande abraço
Tavares, tavaresjoseb@hotmail.com
Luciano e equipe do Café Brasil:
Alô!
Prá quem veio pro escritório trabalhar em pleno feriado, esse Café Brasil 14 foi um banho na alma!!! Foi impossível não ler numa tacada só e, depois, voltar, reler, reler outra vez...e sentir uma putemoção de ser paulistano e curtir essa Poluicéia Desvairada...
Foi um ótimo começo de dia!!! Obrigado. E muito! Grande abraço
Zan Quaresma, zanquaresma@terrabrasilis.arq.br
Olá
Linda a homenagem para o aniversário de São Paulo que a sua equipe preparou. PARABÉNSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
HELLENNA, hlassandro@ig.com.br
Parabéns Luciano pelo belíssimo trabalho.
Sds.
Paulo Gurgel, pgurgel@compuland.com.br
Parabéns SÃO PAULO
parabéns Café Brasil, que já está registrando calendários. Beijos a todos de SAMPA e aos que por algum motivo vivem e passam por SAMPA.
Abraços
Dirce Simao Fernandes, dirce.fernandes@daimlerchrysler.com

SERENATA 1954
(Haroldo Lobo e David Násser)
Eu fiz serenata pra ela
Cantei uma linda canção
Ela não veio à janela
Quebrei meu violão
Na rua, a lua
Sorrindo assistiu o meu fim
E ela não veio à janela
Não teve pena de mim

Avenida.
O melhor samba-enredo da história.
Por Paulo Pelicano
Para mim, o melhor samba-enredo da história da Marques de Sapucaí – nunca chegou à avenida! Composto pelo doce de coco mais doce de compositor, Chico Buarque, é uma síntese de toda esta festa carnavalesca que explode no Sambódromo e que agora estão querendo desvincular do Carnaval, acontecendo como show especial.
É o show business emporcalhando uma tradição que não é mais tradição há décadas. Morreu há muito tempo o Carnaval de rua do Rio de Janeiro. Avisaram e agora estão tratando de consumar o fato!
Descanse em paz Sambódromo.
Mazelas à parte, leiam e cantem alto e em bom som “Vai passar”, obra-prima de um homem que valoriza a ala real dos compositores da nossa MPB:
Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval, o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar

TA-HI - 1930
(Joubert de Carvalho)
Ta-hi, eu fiz tudo
Pra você gostar de mim
Óh meu Deus
Não faz assim comigo não
Você tem, você tem
Que me dá seu coração
Essa história de gostar de alguém
Já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor BIS
Eu não pensaria mais no amor
=O meu amor não posso esquecer
Se dá alegria, faz também sofrer
A minha vida, foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não tem fim

Meu Carnaval
Chega o Carnaval e, com ele, a tristeza de palhaço que vê o circo pegar fogo. Fico surdo aos tamborins, cego à desnudez das mulheres e de nariz tapado ao cheiro ácido do suor quente. É outro o Carnaval que tanto anseio. Não o de salões abarrotados de gritos desconexos nem o de desfiles que disfarçam de luxo a indigência do povo.
Quero a alegria d'alma, arlequim bailando em meu espírito, o odor suave da colombina afagando os meus cabelos. Quero a serpentina enlaçando fraternuras e confetes salpicando de estrelas os telhados de meus sonhos. Quero o Rei Momo
premiando o meu país de farturas e o corso da alegria atravessando as ruas dos meus passos.
Guardo a nostalgia dos carnavais de rua, dos cordões de mascarados, dos carros alegóricos, dos blocos alegres, dos salões de serpentinas, dos adultos e das crianças misturados nas avenidas e nos desfiles de fantasias.
Agora, há um quê de tristeza nessa alegria compulsória. De foliões, viramos meros espectadores -ou melhor, telespectadores do reinado de Momo. O ágape dos piratas da perna de pau cedeu lugar ao erotismo dos destaques das escolas de samba. Felizmente já não se aponta a cabeleira do Zezé nem se pergunta se será que ele é.
Onde andam as costureiras de fantasias originais, as máscaras que faziam inveja aos venezianos, o corso enfileirando pela avenida carros apinhados de foliões? Onde andam as marchas-ranchos, as quadrinhas irônicas, a crítica mordaz aos políticos?
Não irei a bailes ébrios de álcool nem me atarei a cordões que me algemam a liberdade. A mim pouco importa que, no Carnaval, homens se fantasiem de mulheres e mulheres vistam-se como homens.
O que ambiciono é mais ousad virar-me pelo avesso, trazer à tona aquele que sou e não tenho sido, travestir-me de mim mesmo, da minha face mais real e que, no entanto, trago mascarada nos demais dias do ano. É a loucura, essa loucura do sopro divino do qual sou feito. É ela que pretendo expor nas passarelas, nu, sem fantasias.
É a loucura, essa loucura do sopro divino do qual sou feito
que pretendo expor nas passarelas, nu, sem fantasias.
Então, voarei alucinado pelas avenidas e, ao aterrissar no sambódromo, provocarei um silêncio reverencial, suspensão de todo respirar que só as epifanias suscitam.
A multidão em delírio aplaudirá o próprio êxtase, embriagada de plenitudes.
Despirei a fantasia do hedonista que me povoa e entrarei no corso dos que buscam os bailes do espírito. Desfilarei na Via Láctea, cavalgarei um asteróide, aplaudirei o rodopio de Gaia, porta-bandeira sob os olhos dourados do mestre-sala, o Sol.
Espalharei pelo teto do céu confetes de estrelas, e contemplarei os cometas cruzando serpentinas brilhantes.
Não encharcarei minha solidão de cervejas nem mergulharei no mar de espumas brilhantes e ilusões estéreis. Serei insensatamente o clone de mim mesmo, arrancando-me novo de velhas células. Porta-bandeira atrevido, exibirei na escola
de samba uma por uma de minhas quimeras, tão palpáveis quanto o amor que dói no peito. Rasgarei a minha máscara e, com os trapos, tecerei um tapete de utopias, sobre o qual dançarei o mais ousado dos frevos, até que amanheça em minha esperança.
Gritarei como os náufragos ao avistarem terra firme e trarei o meu rosto pintado com as cores do arco-íris, para que todos vejam que bani a tristeza que me assalta ao se aproximar o Carnaval dos incautos, essa demência coletiva que satura os sentidos sem aplacar o desejo. Quero é festa, muita festa, com pierrôs embevecidos frente às promessas sedutoras de odaliscas formando o cordão de madrugadas de silêncio, nas quais nem respiração se escuta, só o ritmo imponderável do mistério.
AUTOR: Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 60, frade dominicano e
escritor, é autor de, entre outras obras, "Gosto de Uva -escritos selecionados"
(Garamond). Foi assessor especial da Presidência da República (2003-04) Texto
Folha de Sao Paulo - 08 de Fevereiro 2005

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ 1960
(Homero e Ivan Glauco)
Ei!, você aí!
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí
Não vai dar, não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair
Me dá, me dá, me dá, oi
Me dá um dinheiro aí!

Carnaval
"É a maior"

Marlene Emilinha Borba
Aos gritos de "é a maior", os Carnavais da fase áurea da música brasileira, nas décadas de 30, 40 e 50 do século passado, era comemorado também aos empurrões, tapas e muitas brigas. Mas que turba descontrolado era aquela? Composta de gente bem arrumada, homens e mulheres enlouquecidos, gritavam cada um o nome de sua deusa. E juravam que a sua amada era melhor que a outra.
Os nomes destas deusas? Ora!, as sacudidas Emilinha Borba e Marlene (em ordem alfabética para não dar mais briga ainda!). Duas cantoras magníficas, fruto das ondas do rádio e do sucesso que esse aparelho receptor de sons motivou na época.
Havia uma rivalidade entre as duas? As revistas diziam que sim. E alimentavam uma briga sem fim... Tudo estratégia para elevar o nome das duas cantoras e vender discos, muitos discos. Afinal, as duas eram "as maiores". Não dava e não dá até hoje para distinguir qual a melhor. Emilinha ou Marlene? Marlene ou Emilinha?
Não importa. As duas eram "as maiores!" E estavam lá, todo ano, Carnaval após Carnaval, emplacando suas músicas. Afinal, faziam parte do grupo das "Cantoras do Rádio". Não sabiam, mas já eram imortais. O futuro as resgataria e as colocariam em seu devido lugar: o panteão dos deuses da música, no éter maravilhoso do jardim do Éden.

Emilinha Borba e Marlene, rivais nunca!, amigas de verdade.
EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO
NA RUA
(Sérgio Sampaio)
Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que morri de medo
Quando o pau quebrou
-Há quem diga que não sei de nada
Que eu não sou de nada
E não peço desculpa
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender
Eu por mim queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo
Um grilo menos grilo
É disso que eu preciso, não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse Carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua

Carnaval.
Perfil de Marlene.
Cantora e atriz, nasceu na cidade de São Paulo (SP) em 22/11/1924. De origem humilde foi interna no Colégio Batista Brasileiro, de São Paulo, dos quatro aos 17 anos. Trabalhava ali mesmo para custear seus estudos e sempre representava a escola nas competições esportivas intercolegiais. Também costumava cantar nas festinhas promovidas pela escola. Foi casada com o ator Luís Delfino. Em 1954, passou a estudar balé, não profissionalmente, apenas para manter a forma. Considerada uma das grandes divas da era do rádio e dos auditórios. Estreou como cantora aos 13 anos de idade apresentando-se no programa "Hora do estudante", na Rádio Bandeirantes de São Paulo.
Estreou profissionalmente na Rádio Tupi em 1940, e adotou o nome artístico de Marlene em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich. Nesse mesmo ano, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a atuar no Cassino da Urca e na Rádio Globo. Atuou em seguida na Rádio Mayrink Veiga e no Cassino Icaraí em Niterói. Atuou também como crooner do Golden Room do Hotel Copacabana Palace, onde passaria em longa temporada e de onde chegou a estrela principal.
Estreou no disco pela gravadora Odeon cantando com acompanhamento do conjunto Brazilian Serenaders o samba-choro Swing no Morro, de Amado Régis e Felisberto Martins e o samba Ginga, ginga, moreno, de João de Deus e H. Nascimento. Em 1949 gravou com Emilinha Borba o samba Eu já vi tudo, de Peterpan e Amadeu Veloso e a marcha Casca de arroz, de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti, com acompanhamento de Severino Araújo e sua orquestra Tabajara, desfazendo os rumores da suposta inimizade entre as duas cantoras. Nesse ano, foi eleita "Rainha do Rádio", em concurso promovido pela Associação Brasileira de Rádio, ABR. Com o prestígio do título, ganhou um programa só seu na Rádio Nacional intitulado "Duas majestades" e um novo horário no "Programa Manuel Barcelos", onde permaneceu como estrela até o fechamento da Rádio Nacional.
Obteve grande repercussão, e talvez seu maior sucesso, com o samba Lata d'água, de Luiz Antônio e Jota Junior, gravado com acompanhamento de Radamés Gnattali e sua orquestra. Super ativa, apesar de sessentona, participou da "Ópera do malandro", montagem de 1979 de Chico Buarque no Teatro São Pedro, SP, que contou com as participações de Abraão Farc, Tânia Alves e grande elenco. Essa peça viajou durante dois anos por todo o Brasil. No disco da peça lançado pela Philips cantou com sucesso a música Viver de amor, de Chico Buarque e Francis Hime.

ESTRELA DO MAR 1952
(Marino Pinto e Paulo Soledade)
Um pequenino grão de areia
Que era um pobre sonhador
Olhando o céu viu uma estrela
E imaginou coisas de amor, ô ô ô
Passaram anos, muitos anos
Ela no céu, ele no mar
Dizem que nunca o pobrezinho
Pode com ela se casar
=Se houve ou se não houve
Alguma coisa entre eles dois
Ninguém soube até hoje explicar
O que há de verdade
É que depois, muito depois
Apareceu uma estrela no mar
Carnaval.
Perfil de Emilinha Borba
Ela começou em janeiro de 1939 com uma participação incógnita no maior sucesso do carnaval daquele an Pirolito. No disco só aparece o nome do cantor Nilton Paz, mas todo mundo sabe que a voz feminina que está no disco é de Emilinha Borba. Em 7 de maio de 1941 grava na Odeon seu primeiro disc Quem parte leva saudades e Levanta José. Firma-se na gravadora Continental onde passará 14 anos. A passagem de Emilinha Borba pelo rádio foi talvez o maior acontecimento musical de todos os tempos pois não há quem não se recorde do sucesso que ela fazia no Programa César de Alencar e nas famosas "Polêmicas" com Marlene de quem se diz amiga pessoal. Só os fás são inimigos. Emilinha foi campeã de quase todos os carnavais de que participou. Seus sucessos são lembrados com carinho até hoje pelos foliões brasileiros. Não há quem não se recorde de Pirolito (1939), Chiquita bacana (1949), Tomara que chova (1951), A água lava tudo (1955), Pescador granfino (1956), Vai com jeito (1957), Corre, corre lambretinha (1958), Mamãe eu vou às compras (1959), Marcha do pintinho (1961), Pó de mico (1963), Marcha do remador (1964), Mulata iê, iê, iê (1965), Can can no carnaval (1966), A patroa me contou (1967), Israel (1973), Cordão da Bahia (1975).
Carnaval.
Um pouco de História.
Há mais de 2.500 anos que o Homem se diverte, pelo menos uma vez ao ano, de um modo irreal e utópico. Era assim nas saturnais romarias, nas manifestações gregas do século V antes de Cristo. E nas festas romanas, como o Carnaval, ou Carnevalle, festa da carne. Onde todas as formas de sedução podiam ser exercidas.
A pudica Igreja Católica montou o cerco. Permitia, mas depois mergulhava a humanidade em 40 dias de trevas com a soturna Quaresma. Para depois permitir que todos se alegrassem novamente, com o luminoso domingo de Ramos, a Semana Santa e o avassalador domingo de Páscoa, com o mistério da ressureição.
O entrudo.

O entrudo era o Carnaval dos tempos imperiais do Brasil. José Nogueira de Oliveira Paredes conta que, reinava, até então, no carnaval carioca, o famoso Entrudo trazido pelos portugueses. Ou seja, o banho que se dava aos transeúntes com água, nem sempre cheirosa como deveria ser, segundo o que era praticado pelas elites da época: o conhecido limão de cheiro e as bisnagas com água perfumada. O povão se encarregou de desmoralizar o Entrudo jogando água suja mesmo uns aos outros e ai... virava arruaça, pancadaria, policia, etc. Várias tentativas foram feitas pelas autoridades para debelar tal barbaridade mas pouco adiantava. Apesar de todos os rigores, no Brasil imperava sempre esses perigosos folguedos.
O Entrudo tocou o seu auge pelo exemplo que vinha de cima: o primeiro imperador, dizem, era louco por esta brincadeira. O segundo seguiu-lhe as pegadas e o Paço de São Cristovão tornava-se teatro de lutas, em que tomavam parte o jovem soberano, seus camaristas e suas augustas irmãs. Já velho, quando em Petrópolis, era alvejado pelos mimosos limões de cheiro atirados por donas e donzelas. Chegava ao palácio molhado como um pinto. O Entrudo predominou entre nós durante quase três séculos e contra ele movia-se cerrada campanha.
(Fonte: José Maria Campos Manzo)
BANDEIRA BRANCA - 1970
(Max Nunes e Laércio Alves)
Bandeira Branca, amor
Não posso mais
Pela saudade, que me invade
Eu peço paz
Saudade, mal de amor, de amor
Saudade, dor que dói demais
Vem meu amor, bandeira branca
Eu peço paz

Carnaval.
Viva o Zé Pereira.
Quem primeiro falou deste personagem importante da nossa História da Musica de Carnaval foi o carioca Vieira Fazenda (1847/1917). Em 1904 ele escreveu um livro intitulado " Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro" e é nesse livro que aparece o capitulo sobre o Zé Pereira.
"O que em relação às classes elevadas fizeram os propagandistas contra o Entrudo, realizou-o quanto à arraia miúda modesto artista sapateiro, pacato burguês, introduzindo o chamado Zé Pereira, verdadeiro derivativo, que hoje goza entre nós do privilégio de senhor do baraço e do cutelo".
" Carão amorenado e simpático, olhos brejeiros, bigode curto e grisalho, cabelo todo branco e à escovinha, barba escanhoada, altura regular, ombros e cadeiras largas, peito cabeludo, musculatura de atleta, sempre em mangas de camisa, calça de brim pardo apertada ao amplo abdômen por estreita correia, negação do suspensório, chinelos de liga, vendendo saúde, sadio e robusto sem nunca ter tomado um remédio - eis em rápidos traços o retrato do patriarca do nosso Zé Pereira, o conhecido e inolvidável José Nogueira de Azevedo Paredes."
" Acidentes da vida que não vêm ao caso fizeram Nogueira procurar o Rio de Janeiro, onde, à rua São José n. 22, abriu modesta oficina de sapateiro. Foi ali que, em uma segunda-feira de Carnaval, Nogueira, em amistosa palestra com alguns patrícios, recordando-se das romarias, das estúrdias e estrondos do ubi natal, resolveu de súbito com eles sair à rua e ao som de zabumbas e tambores, alugados às pressas, dar uma passeata pelas ruas da cidade. Sucesso inaudit quando ao amanhecer meio "na chuva" regressou aos lares esse triunvirato de foliões".
"No ano seguinte, apareceram imitadores, mas nenhum deles levou de vencida o primacial Zé Pereira do Paredes, que se distiguia ao longe pela certeza das pancadas no bombo e pelo ritmo dos tambores. Esse segredo levou-o ele para o túmulo, nunca sendo excedido nem jamais imitado.Quanto a origem do nome, dizem uns que, em certas localidades de Portugal é o bombo conhecido por Zé Pereira; querem outros, e isto é mais provável: na primeira noitada de bom sucesso os companheiros do Paredes, na força do entusiasmo e influenciados pela vinhaça, trocavam o nome do chefe e davam vivas ao Zé Pereira em vez de Zé Nogueira."
" Ele e os sócios compravam bombos e tambores, que depois do Carnaval eram com cuidado guardados em capas de cetim no fundo da loja. Todos os domingos, Nogueira revistava os instrumentos para ver se os ratos e baratas tinham danificado os seus "queridos amigos. Continuaram sucessivamente os triunfos e sucessos do barulhento Zé Pereira. Foi este até adotado pelas sociedades carnavalescas e teve entrada nos salões dos Tenentes, Fenianos e Democráticos, etc."
E viva o Zé Pereira!
Pois que a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de carnaval!
Zim, balala! Zim, balala!
E viva o carnaval!
" Sagrado pelos simpáticos populares, foi Paredes venerado por amigos, discípulos e entusiastas como o pontífice da pândega e do sarilho. Não se ensoberbeceu com isso e atribuía o mérito à natureza que lhe dera embocadura."
Com o passar do tempo a quadrinha do Zé Pereira ficou resumida a apenas:
Viva o Zé Pereira - Viva o carnaval
Viva o Zé Pereira - Que a ninguém faz mal
ou:
Viva o Zé Pereira - Viva o Zé Pereira
Viva o Zé Pereira e viva o Carnaval

ATÉ QUARTA FEIRA
(H. Silva e Paulo Sete 1968)
Este ano não vai ser
Igual aquele que passou
Eu não brinquei
Você também não brincou
Aquela fantasia que comprei
Ficou guardada
A sua também, ficou pendurada
Este ano, meu bem, tá combinado
Nós vamos brincar separados
Este ano, meu bem, tá combinado
Nós vamos brincar separados
Se por acaso meu bloco
Encontrar o seu
Não tem problema, ninguém morreu
São três dia de folia e brincadeira
Você pra lá, eu pra cá
Até 4ª Feira
Lá, lá, lá, lá, lá, lá,....

Carnaval.
A música.
O carnaval é o maior repositório de sucessos musicais brasileiros. A música de carnaval é também a fonte dos sucessos dos filmes brasileiros e do teatro de revistas. Mais de 90% dos nossos filmes musicais e das nossas peças do teatro de revistas estão apoiados na música de carnaval. Por isso, a música de carnaval é de importância capital na formação cultural de nosso povo.
A seguir, um precioso passeio de A a Z com algumas das nossas marchas de Carnaval, cantadas até hoje nos salões de todo o País. Tivemos que escolher entre centenas, deixando de fora preciosidades, mas...Encontre a marchinha de seu Carnaval e encante-se com a riqueza das frases musicais – que apesar de extremamente simples, contém histórias incríveis!
AS PASTORINHAS
(João de Barro e Noel Rosa 1938)
A Estrela Dalva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor
Linda Pastora
Morena, da cor de Madalena
Tu não tens pena, de mim
Quem vivo tonto com o teu olhar
Linda criança
Tu não me sai da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre, sempre te amar
ALÁ LÁ Ô 1941
(Nássara e Haroldo Lobo)
Alá lá ô, ô ô ô, ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô, ô ô ô
Atravessando o Deserto de Sahara
O sol estava quente
E queimou a nossa cara
Alá lá ô, ô ô ô, ô ô ô
Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Alá, Alá,
Alá meu bom Alá
Mande água pra Yoyô
Mande água pra Yayá
Alá, meu bom Alá
AURORA 1941
(Mário Lago e Roberto Roberti)
Se você fosse sincera
Ô ô ô ô, Aurora
Veja só que bom que era
ô ô ô ô, Aurora
Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô, Aurora
BALANCÊ 1936
(João de Barro e Alberto Ribeiro)
No balancê, balancê
Quero dançar com você
Entra na roda, morena pra vê
Oi balancê, balancê
-Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase que despedaça
No balancê, balancê
Você foi minha cartilha
Você foi meu ABC
E por isso eu sou a maior maravilha
No balancê, balancê
Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
E o tempo passa
E eu vou me acabando
No balancê, balancê
CABELEIRA DO ZEZÉ 1964
(João Roberto Kelli e Roberto Faissal)
Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é, será que ele é?
Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é, será que ele é
Será que ele é bossa-nova
Será que ele é Maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é
Corta o cabelo dele, corta o cabelo dele
Corta o cabelo dele, corta o cabelo dele
CACHAÇA 1953
(Mirabeau, L. de Castro e H. Lobato)
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz. feijão e pão
Pode faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Isto eu até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça
CHIQUITA BACANA 1949
(João de Barro e Alberto Ribeiro)
Chiquita bacana, lá da Martinica
Se veste com uma casca
De banana naninca
Não usa vestido, não usa calção
O inverno pra ela é pleno verão
Existencialista, com toda razão
Só faz o que manda o seu coração
CORAÇÃO DE JACARÉ 1968
(J. Nunes e Dom Jorge)
Tiraram o coração da minha sogra
Puseram um coração de jacaré
Sabe o que aconteceu
A velha se mandou e o jacaré morreu
É, é, é, é, coitado do Jacaré
É, é, é, é, coitado do jacaré
CORDÃO DOS PUXA-SACO 1946
(Roberto Martins e Frazão)
Lá vem o cordão dos puxa-saco
Dando um viva aos seus maiorais
Que tá na frente é passado pra trás
E o cordão dos puxa-saco
Cada vez aumenta mais
Vossa Excelência, Vossa Eminência
Quanta reverência
Nos cordões eleitorais
Mas se o Doutor cai do galho
E vai ao chão
A turma toda evolui opinião
E o cordão dos puxa-saco
Cada vez aumenta mais
CORDÃO DO BOLA PRETA
(N. Barbosa e N. Paiva)
Quem não chora não mama
Segura meu bem a chupeta
No Catete ou lá na cama
Ou então no Bola Preta
Quem não chora meu bem
Uma alegria infernal
Todos são do coração
Os Leões do Carnaval
DAQUI NÃO SAIO 1950
(Paquito e Romeu Gentil)
Daqui não saio
Daqui ninguém me tira
Onde é que eu vou morar
O Senhor tem paciência de esperar
Ainda mais com quatro filhos
Onde é que eu vou parar
Sei que o senhor
Tem razão pra querer
A casa pra morar
Mas onde eu vou ficar
No mundo
Ninguém perde por esperar
Mas já dizem por aí
Que a vida vai melhorar
DIG DIM DIM 1969
(Vicente Longo e Waldemar Camargo)
É hoje que eu vou pra farra
Ninguém me agarra
Eu vou me espalhar
Maestro manda aquela brasa
Saí de casa pra vê bumbo furar
Mas se bumbo furar
Deixa a cisa pra mim
Eu vou de garrafa batendo assim
Dig dim, dig dim, dim
Dig dim, dig dim, dim BIS
ÍNDIO QUER APITO 1961
(Haroldo Lobo e Milton de Oliveira)
Ê, ê, ê, ê, ê
Índio quer apito BIS
Se não der pau vai comer
Lá no Bananal mulher de branco
Levou pra índio colar esquisito
Índio viu presente mais bonito
Eu não quer colar
Índio quer apito
JARDINEIRA (A) 1939
(Benedito Lacerda e Humberto Pinto)
Óh Jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a Camélia que caiu do galho BIS
Deus dois suspiros e depois morreu
Vem Jardineira, vem meu amor
Não fique triste BIS
Que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita
Que a Camélia que morreu
MAMÃE EU QUERO 1939
(Vicente Paiva e Jararaca)
Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro neném não chorar
Dorme filhinho, do meu coração
Pega a chupeta e entra no cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana
Olha as pequenas, mas daquele jeito
Tenho muita pena
Não ser criança do peito
Eu tenho uma irmão que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal
MARCHA DA CUECA 1972
(Mendes, Prestes e Sardinha)
Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca
Pra fazer pano de prato
Minha cueca, tava lavada
foi um presente
Que eu ganhei da namorada
MARCHINHA DO GRANDE GALO 1938
(Lamartine Babo e Paulo Barbosa)
Có, có, có, có, có, có-ró
Có, có, có, có, có, co-ró
O galo tem saudade da galinha carijó
O galo de noite cantou
Toda gente quis ver o que aconteceu
Nervoso o galinho respondeu
Có, có, có, có, có, có co-ró
A galinha morreu
A minha vizinha também
Certa noite gritou, toda gente acordou
Nervoso o marido respondeu
Có, có, có, có, có, có-ró
Hoje o galo sou eu
MÁSCARA NEGRA 1967
(Pereira Mattos e Zé ketti)
Tanto riso, óh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo o amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no Carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leva a mal Bis
Hoje é carnaval...
MARIA ESCANDALOSA 1955
(Armando Cavalcante e Klécius Caldas)
Maria Escandalosa
Desde criança sempre deu alteração
Na escola, não dava bola
Só aprendia o que não era da lição
Depois a Maria cresceu
Juízo que é bom, encolheu
E a Maria Escandalosa, é muito prosa
É mentirosa, mas é gostosa
Hoje ela não sabe nada
De história ou geografia
Mas seu corpo de sereia
Dá aula de anatomia!
Ó ABRE ALAS
(Chiquinha Gonzaga)
Ó abre alas
que eu quero passar
Eu sou da lira
não posso negar
Rosa de Ouro
é que vai ganhar
O TROVADOR 1964
(Jair Amorim e Evaldo Gouveia)
Sonhei que eu era um dia um trovador
Dos velhos tempos que não voltam mais
Cantava assim, a toda hora
As mais lindas modinhas
Do meu Rio de outrora
Sinhá mocinha de olhar fugaz
Se encantava
Com meus versos de rapaz
Qual seresteiro ou menestrel do amor
A suspirar sobe os balcões, em flor
Na noite antiga do meu Rio
Pelas ruas do Rio eu passava a cantar
Lindas trovas em provas
De amor ao luar
E via então, num lampião de gás
Na janela, a flor mais bela
Em tristes ais...
NÓS, OS CARECAS 1942
(Arlindo Marques e Roberto Roberti)
Nós, nós os carecas
Com as mulheres, somos os maiorais
Pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais
Não precisa ter vergonha
Pode tirar, o seu chapéu
Pra que cabelo, pra que Seu Queiroz
Se agora a coisa está pra nós, nós, nós
O PASSARINHO DO RELÓGIO 1940
(Haroldo Lobo e Milton de Oliveira)
Cuco, cuco, cuco
O passarinho do relógio está maluco
Ainda não é hora do batente
Ele fica impertinente
Acordando toda a gente
Eu pego às 8:45 e levanto as seis
Pra tomar banho e café
Pois quando é mais ou menos
Três e cinco ele começa
Cuco, cuco, cuco
E só termina quando estou de pé
PIRATA DE PERNA DE PAU 1947
(João de Barro)
Eu sou um pirata de perna de pau
Do olho de vido, da cara de mau
Minha galera
Dos verdes mares não teme tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição
Por isso se outro pirata
Tenta abordagem eu pego o facão
E grito, do alto da popa:
Oba! homem não!
PIROLITO 1939
(João de Barro e Alberto Ribeiro)
Yayá dá o braço pra Yoyô
Yoyô dá o braço pra Yayá
O tempo de criança já passou, ô!
Pirolito que bate, bate
Pirolito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu
Agora é melhor, pra gente dançar
Juntinhos assim se tem mais prazer
Quem não dança o pirolito
Que alegria pode ter?
PÓ DE MICO 1963
(Dora Lopes, R. Araujo e Arildo Souza)
Vem cá seu guarda
Bota pra fora esse moço
Que está no salão brincando
Com pó de mico no bolso
Foi ele, foi ele sim
Foi ele quem jogou o pó em mim!
PEGANDO FOGO
(José M. de Abreu e F. Mattoso)
Meu coração
Amanheceu pegando fogo, fogo, fogo
Foi uma morena
Que passou perto de mim
E que me deixou assim
Morena boa que passa
Com sua graça infernal
Mexendo com toda a raça
Deixando a gente até mal
Mande chamar o bombeiro
Pra esse fogo apagar
Se ele não vem ligeiro
Nem cinzas vai encontrar
QUEM SABE SABE 1956
(Carvalhinho e Joel de Almeida)
Quem sabe, sabe, conhece bem
Como é gostoso gostar de alguém
Ai morena, deixa eu gostar de você
Boêmio, sabe beber
Boêmio também tem querer
SACA ROLHA 1954
(Zé da Zilda, Zilda e Waldir Machado)
As águas vão rolar
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo a mão no saca
Saca, saca rolha
E bebo até me afogar
Deixa as águas rolar...
Se a polícia por isso me prender
Mas na última hora me soltar
Eu pego o saca, saca, saca-rolha
Ninguém me agarra
Ninguém me agarra
TRANSPLANTE CORINTIANO 1969
(Manoel Ferreira e Gentil Junior)
Doutor eu não me engano
Meu coração é corintiano
Eu não sabia, mais o que fazer
Troquei meu coração cansado de sofrer
Ai, doutor eu não me engano
Botaram outro coração corintiano
TOMARA QUE CHOVA 1951
(Paquito e Romeu Gentil)
Tomara que chova três dias sem parar
Tomara que chova três dias sem parar
A minha grande mágoa
É lá em casa não ter água
E eu preciso me lavar
De promessa eu ando cheio
Quando eu conto a minha vida
Ninguém quer acreditar
Trabalho não me cansa
O que me cansa é pensar
Que lá em casa não tem água
Nem pra cozinhar...
TOURADAS EM MADRI 1939
(João de Barro e Alberto Ribeiro)
Eu fui às touradas em Madri
Parará tibum, bum, bum
Parará tibum, bum, bum
E quase não volto mais aqui
Pra ver Peri, beijar Ceci
Parará tibum, bum, bum
Parará tibum. bum, bum
Eu conheci uma espanhola
Natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanholas
E pegasse o touro à unha
Caramba, carambola
Sou do samba, não me amola
Pro Brasil eu vou fugir
Isto é conversa mole
Para boi dormir
Parará tibum, bum, bum
Parará tibum, bum, bum
TURMA DO FUNIL
(Mirabeau e Milton de Oliveira)
Chegou a Turma do Funil
Todo mundo bebe
Mas ninguém dorme no ponto
Ah, ah, ah, ah
Mas ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos
E eles que ficam tontos
Eu bebo, sem compromisso
Com meu dinheiro
Ninguém tem nada com isso
Aonde houver cachaça
Aonde houver barril
Presente está a Turma do Funil
VAI COM JEITO 1957
(João de Barro)
Vai, com jeito vai
Se não um dia, a casa cai, menina
Se alguém lhe convidar
Pra tomar banho em Paquetá
Pra pic-nic na Barra da Tijuca
Ou pra fazer um programa no Joá,
Menina...
VILA ESPERANÇA
(Adoniran Barbosa e Ary Madureira)
Vila Esperança, foi lá que eu passei
O meu primeiro carnaval
Vila Esperança, foi lá que conheci
Maria Rosa, meu primeiro amor
Como fui feliz, naquele fevereiro
Pois tudo para mim era primeiro
Primeira rosa, primeira esperança
Primeiro carnaval, primeiro amor criança
Numa volta do salão ela me olhou
Eu envolvi seu corpo em serpentina
E tive a alegria que tem todo pierrô
Ao ver que descobriu sua colombina
O carnaval passou, levou a minha Rosa
Levou minha esperança
Levou amor criança
Levou minha Maria, levou minha alegria
Levou a fantasia
Só deixou uma lembrança
(Fonte: http://www.contracapa.hpg.ig.com.br)

Carnaval.
Samba-Enredo
No começo não havia samba enredo, o mais cantado na quadra era o que valia para o desfile", informa um mestre da matéria, o portelense Jair de Araujo Costa, o Jair do Cavaquinho. Em 1962, por sinal, ele projetou-se através de um samba de quadra em sua escola, Meu Barracão de Zinco, gravado com sucesso por Jamelão. A pré-história do gênero, no Rio de Janeiro, foi marcada por sambas de Cartola e Carlos Cachaça na Estação Primeira de Mangueira como Pudesse meu Ideal, de 1932 ou Homenagem (só de Cachaça) do ano seguinte, um dos primeiros a incluir personagens da história do Brasil.
É que nesses primórdios, o samba que as escolas levavam para a avenida tinha apenas a primeira parte, a outra ficava livre para ser versada, improvisada na hora. Uma gravação de Aracy de Almeida antecede a que é oficialmente considerada a primeira gravação comercial de um samba enredo, a de Natureza Bela!... (de autoria de dois compositores profissionais (Henrique Mesquita e Felisberto Martins) por Gilberto Alves em 1942, seis anos depois da composição ter sido utilizada como enredo pela escola Unidos da Tijuca.
Em 1934, com Meu Grande Amor, estreava na escola Prazer da Serrinha outra dupla que seria responsável pelo formato básico do samba-enredo (antes da aceleração dos desfiles).Era o filho de um pastor protestante, Silas de Oliveira (1916-1972) e o ex-jornaleiro Décio Antonio Carlos, que se tornaria conhecido por Mano Décio da Viola (1909-1984). Juntos, inicialmente na Serrinha e depois no Império Serrano, eles compuseram alguns dos maiores clássicos do ramo como Conferência de São Francisco (1945), Exaltação a Duque de Caxias (1955), Medalhas e Brasões (1960) e Heróis da Liberdade, com Manoel Ferreira (1969). Este enredo incomodou os censores da ditadura recrudescida, e Apoteose ao Samba (1974). Com outros parceiros, Mano Décio ainda assinaria mais clássicos como Tiradentes(com Penteado e Estanislau Silva), de 1949, Batalha Naval do Riachuelo (com Penteado e Molequinho), de 1951 e Silas de Oliveira outros tantos, como Os Cinco Bailes da Corte ou Os Cinco Bailes Tradicionais da História do Rio (com Bacalhau e a estreante D. Ivone Lara), em 1966, São Paulo Chapadão de glória(com Joaci Santana), de 1967, além dos solos Aquarela Brasileira (1964) e Pernambuco, Leão do Norte (1968).
No final dos 60, novas dissidências apareceriam com o desembarque do partideiro Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila Isabel através de um samba enredo compactado, Carnaval de Ilusões (com Gemeu), de 1967 que não foi bem aceito pelo júri, incluindo o compositor Chico Buarque. Martinho protestaria em Caramba ("Malha malha, malhador/ que não aceita a evolução/ (...) caramba, nem o Chico entendeu o enredo do meu samba"). E seguiria mexendo no formato em Quatro Séculos de Modas e Costumes (1968) e Iaiá do Cais Dourado (1969). Em 1971, novo sobressalto, o capixaba Zuzuca (Adil de Paula) estiliza o ritmo fluminense caxambú no desfile do Salgueiro em Festa para um Rei Negro (que ficaria conhecida pelo refrão "pega no ganzê") e ganha as paradas de sucesso, ultrapassando o âmbito carnavalesco.
Artistas de fora das escolas como João Bosco e Aldir Blanc (Mestre-Sala dos Mares), Chico Buarque e Francis Hime (Vai Passar) ampliaram as possibilidades do gênero, que ganha letras mais politizadas e da exaltação parte para a crítica de costumes. Filho de uma familia "metida a nobre, que achava samba coisa de crioulo", o Procurador Federal e advogado Gustavo Adolfo de Carvalho Baêta Neves, morto em 1987 aos 52 anos, encarnou outro caso à parte de fascínio pelo samba enredo. Com o pseudônimo de Didi (e em muitos casos cedendo a autoria para outros compositores) ele escreveu nada menos de 22 sambas-enredo, entre eles as obras primas O Amanhã e É Hoje, ambos para a União da Ilha. Foi homenageado pela escola em 1991 através de De Bar em Bar, Didi um Poeta (Franco).
Da década de 80 em diante, com a invasão das escolas pelas classes média e alta e a transformação do desfile em show bizz cada vez mais opulento, também o samba enredo mudou. Sua velocidade foi sendo aumentada para permitir que o gigantismo das escolas não atrapalhasse a rígida cronometragem da comissão julgadora. As enormes vendagens dos discos com os sambas-enredos vencedores de cada escola motivaram disputas acirradas entre compositores, com torcidas subsidiadas e rateio do bolo por um número cada vez maior de parceiros. Depois de dominar o período carnavalesco tirando espaço das marchinhas e dos próprios sambas de carnaval, o samba enredo sofre, a partir de meados dos 90, um processo de exaustão da fórmula com discos em queda de vendagem e o alcance de suas músicas cada vez mais restrito aos dias de folia.
(Fonte: Tárik de Souza)

PIERRÔ APAIXONADO 1936
(Noel Rosa e Heitor dos Prazeres)
Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando
A colombina entrou no botequim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o Arlequim
Um grande amor
Tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando este grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

Carnaval.
"Lalá", o rei dos salões.

Lamartine Babo, figura ímpar do nosso Carnaval.
Compositor, revistógrafo, humorista, radialista e produtor, seu nome verdadeiro era Lamartine de Azeredo Babo. Carioca, nasceu em 10 de janeiro de 1904, em uma família extremamente musical. Sua mãe e irmãs tocavam piano e sua casa era freqüentada por músicos como Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense.
Em 1915, com apenas 11 anos, compôs um foxtrote, denominado Pindorama, um desafio de fazer música usando apenas as notas sol, dó, mi. Em 1919 Compôs uma Ave-Maria, feita exclusivamente para seu casamento, que nunca se realizou, pois Lamartine casou-se, posteriormente, apenas em cerimônia civil, portanto não solene, com Maria José Babo, com quem não teve filhos. Fez ainda outras músicas religiosas, inclusive um Hino do Jubileu episcopal.
Trabalhou como office-boy da Light, o que lhe permitia vez por outra freqüentar as torrinhas do Teatro Municipal, do Teatro Lírico e do São Pedro de Alcântara (atual Teatro João Caetano). Neste mesmo ano, ainda sem formação técnica musical, compôs "Cibele", sua primeira opereta. A esta seguiram-se "Viva o amor" iniciada em 1926 e concluída em 1940, onde estava incluída a valsa Eu sonhei que tu estavas tão linda (parceria com Francisco Mattoso) e Lola, que no entanto não foram encenadas.
Sua amizade com Eduardo Souto, compositor e proprietário da Casa Carlos Gomes que financiava a saída de blocos para exibições na Festa da Penha e nas batalhas de confete que antecediam o carnaval, o levou a sair pela primeira vez num desses blocos o "Tatu subiu no pau".Começou a compor para os ranchos da época dentre os quais Recreio das Flores, Africanos, Jardim dos Amores e Ameno Resedá, conquistando algum sucesso com a marchinha "Foi você".
Por essa mesma época, tornou-se assíduo colaborador do teatro de revista. Compôs músicas para "Prestes a chegar", "É da pontinha", "Paulista de Macaé" e "Vai haver o diabo". Paralelamente, escrevia suas próprias peças como "Pequeno polegar" e "Este mundo vai mal". No ano seguinte, estreou em São Paulo com a peça "Na penumbra", feita em parceria com De Chocolat e montada pela Companhia Negra de Revista, espetáculo que contava com a participação de Pixinguinha. 1926 O jornal Estado de São Paulo, em 12 de novembro de 1926, publicava que "o notável flautista Pixinguinha é simplesmente extraordinário". Durante a curta temporada, Lamartine intermediou o encontro de Pixinguinha com o musicólogo Mário de Andrade que estava na época coletando material para a feitura de um livro que teria fundamental importância na carreira do compositor: "Macunaíma o herói sem nenhum caráter". O resultado deste encontro pode ser apreciado no Capítulo VII da obra que trata da macumba.
Em 1929 Iniciou sua carreira no rádio, na Educadora, onde cantava com sua voz de falsete acompanhado pelo piano de Ary Barroso, contava piadas e fazia sketches. Em pouco tempo teve seu próprio programa, "Horas Lamartinescas", onde se apresentavam entre outros Noel Rosa e Marília Batista. Neste mesmo ano, venceu o concurso de músicas carnavalescas promovido pela revista O Cruzeiro com a marchinha "Bota o feijão no fogo". Ganhou o concurso de carnaval da Casa Edison com "Bonde errado" e fez sucesso com "Lua cor de prata" e "Minha cabrocha" e "O barbudo foi-se".
É deste mesmo ano a letra que fez para a composição de Ary Barroso "Na grota funda". Na verdade, Ary Barroso havia musicado versos de J. Carlos. Lamartine gostou da melodia mas achou que esta merecia versos seus. E assim, com a aprovação do parceiro melodista, nasceu o samba-canção "No rancho fundo", que foi lançado ainda em 1931 por Elisinha Coelho. Os dois parceiros voltariam a compor juntos em "Na virada da montanha" e "Grau dez".
LINDA MORENA 1933
(Lamartine Babo)
Linda morena, morena
Morena que me faz penar
A lua cheia, que tanto brilha
Não brilha tanto como o teu olhar
Tu és morena, uma ótima pequena
Não há branco que não perca até o juízo
Quando tu passas, sai às vezes bofetão
Toda gente faz questão do teu sorriso
Por tua causa vai haver revolução
Vai haver transformação na cor da lua
Antigamente a mulata era a rainha
Desta vez, óh moreninha, a taça é tua
No ano seguinte, Lamartine reinou no carnaval. Um dos sambas mais divulgados foi o seu "Só dando com uma pedra nela", gravado por Mário Reis. Entre as mais cantadas, estava a marchinha "A.E.I.O.U", feita em parceria com Noel Rosa. 1932 foi finalmente o ano de "O teu cabelo não nega", verdadeiro hino do carnaval carioca. Além de um grande êxito, a composição foi também um grande problema de direito autoral, por ter sido uma adaptação da marcha "Morena", composta pelos Irmãos Valença, pernambucanos que reclamaram a autoria e que passaram então a assinar a composição ao lado de Lamartine. A marcha foi gravada pelo cantor Castro Barbosa. Curiosamente, segundo relato de Jonjoca (com quem Castro formava uma dupla), "O teu cabelo não nega" lhes foi mostrada por Lamartine em um encontro casual na Cinelândia. A dupla adorou a música e Lamartine lhes disse "é de vocês, podem gravá-la". Dias depois, como iam também gravar "Bandonô", de autoria de Jonjoca, este teve a seguinte (e infeliz) idéia : " Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Voce fica com uma e eu com a outra. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara, e eu fiquei com 'Bandonô. Em 1933 Lamartine fez sucesso com "Chegou a hora da fogueira", gravada inicialmente por Carmen Miranda e Mário Reis com arranjo de Pixinguinha, "Linda Morena", "Moleque indigesto", "A tua vida é um segredo", "Aí, hein?" e "Boa bola", as duas últimas parcerias com Paulo Valença. Compôs "Uma andorinha não faz verão", parceria com João de Barro, que se tornou sucesso na voz de Mário Reis e a marchinha "Ride palhaço" inspirada em motivo da ópera I Pagliacci de Ruggiero Leoncavallo. Mais uma vez venceu o carnaval com "Grau dez", parceria com Ary Barroso e fez sucesso com "Rasguei minha fantasia".
O TEU CABELO NÃO NEGA 1932
(Lamartine Babo e Irmãos Valença)
O teu cabelo não nega, Mulata
Porque és mulata na cor
mas como a cor não pega, Mulata
Mulata eu quero o teu amor
Tens um sabor, bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata, mulatinha meu amor
Fui nomeado seu Tenente Interventor
Quem te inventou, meu pancadão
Teve uma consagração
A lua te invejando, fez careta
Porque Mulata tu não és deste planeta
Quando meu bem, vieste à terra
Portugal declarou guerra
A concorrência então foi colossal
Vasco da Gama contra o Batalhão Naval
A partir de 1937 suas composições carnavalescas tornaram-se eventuais passando então a fazer sucesso com sambas-canções. O destaque deste ano vai para "Serra da boa esperança", composição na qual Lamartine mostra a excelência de sua arte, onde letrista e compositor se igualam em bom gosto e artesanato. Ainda em 1937 transferiu-se para a Rádio Nacional onde produziu o "Clube dos fantasmas" e a série "Vida pitoresca e musical dos compositores da nossa música popular". Surgiram dois sambas: "Cessa tudo" (com Celso Machado) interpretado por Sílvio Caldas e "Voltei a cantar", canção do musical "Joujoux e balangandãs", que marcou o retorno ao disco do cantor Mário Reis. A composição mostra um diálogo musical, vividos no palco e no disco por Mário Reis e Mariah (pseudônimo da senhora da alta sociedade da época, Maria Clara Correia de Araújo). Dois anos mais tarde, Lamartine compôs a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda", que pretendia incluir numa opereta inacabada intitulada "Viva o amor". A melodia da valsa é de Francisco Mattoso.
HINO DO CARNAVAL BRASILEIRO
(Lamartine Babo) 1935
Salve a Morena!
A cor morena do Brasil fagueiro
Salve o pandeiro!
Que desce o morro pra fazer a marcação
São, são, são, são
Quinhentas mil morenas
Loiras, cor de laranja, cem mil
Salve, Salve!
Meu carnaval, Brasil!
Salve a Loirinha!
Dos olhos verdes cor da nossa mata
Salve a Mulata!
Cor do café, a nossa grande produção
São, são, são, são
Quinhentas mil morenas
Loiras, cor de laranja, cem mil
Salve, Salve!
Meu carnaval, Brasil
Criou o programa "Trem da alegria", que se tornaria um dos mais famosos do Brasil tendo sido apresentado em diversas emissoras de rádio. O programa contava com a participação do "Trio de osso", integrado por Héber de Bôscoli, Iara Sales e Lamartine, e seguiu no ar até 1956, ano de falecimento de Héber de Bôscoli . Lamartine, a partir daí, abandonou o rádio, passando a se dedicar à direção da UBC (União Brasileira de Compositores). Voltaria poucos anos depois ao rádio, na Roquette Pinto, emissora oficial do então Estado da Guanabara.
Além de produzir programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou livros humorísticos e alguns versos. Gravou dois LPs na Sinter. 1958 Compôs a marcha-rancho "Os rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", a pedido do Rancho Rouxinóis da Ilha de Paquetá. A música obteve sucesso e seria uma das mais executadas naquele carnaval.
Encerrou sua carreira de compositor com "Ressureição dos velhos carnavais" (1961) e "Seja lá o que Deus quiser" (1963). 1963 Carlos Machado produziu na boate Golden Room do Copacabana Palace o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine. Lalá, como era conhecido, assistiu aos ensaios mas não chegou a ver a montagem do espetáculo. Faleceu em 16 de junho deste ano, vitimado por um ataque cardíaco, na sua cidade do Rio de Janeiro. (Fonte: Collector´s Studios Ltda.).

SE A LUA CONTASSE 1934
(Custódio Mesquita)
Se a luz contasse, tudo que vê
De mim e de você muito teria que contar
Contaria que nos viu brigando
Viu você chorando me pedindo pra voltar
Somente a lua foi testemunha
Daquele beijo sensacional
Neste momento foi tal enlevo
Que a própria lua sentiu-se mal
Só as estrelas que cintilavam
Hoje dão conta do que se viu
Contam que a lua foi desmaiando
Caiu nas ondas, boiou, sumiu...

Carnaval
Sociedade Armorial e Patafísica Bloco "O pacotão".
Por Paulo Pelicano
Terminemos cantando ainda mais. Com uma curiosidade, o bloco "O pacotão" de Brasília. Foi lá pela década de 80 (do século passado). Com primos jornalistas na Capital Federal, viajei para lá para passar o Carnaval com Clara Favilla e Zé Romildo de Oliveira Lima.
Cheguei em pleno domingo de Carnaval. Nem deixamos nossas malas em casa. Fomos direto para a Asa Norte, num daqueles centros comerciais absolutamente iguais uns aos outros. Havia uma movimentação grande. De lá sairia o bloco dos jornalistas de Brasília, "O pacotão". Seus sambas-enredos eram sempre ligados a acontecimentos da política e muito, muito engraçados.
Voltei outras duas vezes no Carnaval e vi o pequeno bloco de jornalistas transformar-se em uma multidão, pulando entre as superquadras. Centenas de pessoas dançando naquele excesso de cor verde que é a cidade.
Na minha memória estão guardadas duas dessas marchinhas. Desculpem se sair algo errado. É tudo lembrança pura!
AYATOLÁ (Quando da entrada de Figueiredo como presidente biônico).
Geisel você nos atolou
e o Figueiredo também vai atolar
ah! Ayatolá, venha nos salvar
que este governo já ficou gagá
gagá Geisel...
Geisel você nos atolou
(repete)
JE VOUS SALUE MARIE
(Quando Sarney biônico quiz censurar
o filme Je vous salue Marie,
de Jean Luc Godard).
O pacotão já liberou
je vous salue marijuana
prá passar em Salvador
e até num cine do Gama
mas se o Sarney for censurar
vai com o Jãnio no Columbia passear
taí, taí, taí
je vous salue Marie
(repete)

Para pensar durante o café
É Hoje - 1982
(Didi e Mestrinho)
A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será?
Que eu serei o dono desta festa?
Um rei no meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe-de-santo rezar
Contra o mau-olhado eu carrego o meu patuá
Eu levei
Levei o meu samba pra mãe-de-santo rezar
Contra o mau-olhado eu carrego o meu patuá
Acredito...
Acredito ser o mais valente
Nessa luta do rochedo com o mar
E com o mar....
É hoje o dia
Da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu

Café Brasil é um boletim mais ou menos quinzenal, elaborado por Luciano Pires, editado por Paulo Pelicano (MTB13057/SP), diagramado por Daniel Pires e enriquecido por amigos colaboradores, um dos quais pode muito bem ser você. Escreva para cafebrasil@lucianopires.com.br .
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