Luciano Pires

 
 
  
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   EFÊMEROS HERÓIS
P:  22/8/2008 12:45:13
Luciano Pires

Administrator

Total de Publicações: 3.815
Última postagem: 26/5/2010
Membro desde: 9/2/2005



PERFIL

Érico Veríssimo:

Quando o Cirque du Soleil estava no Brasil assisti a uma curiosa matéria na televisão. Acho que foi no Fantástico. Os repórteres foram para o interior do Nordeste, até um pobre circo mambembe, daqueles em que o pai é o apresentador, o mágico e o trapezista, a mãe é ajudante do mágico, contorcionista e palhaço e os filhos fazem de tudo um pouco. Lá encontraram o garoto trapezista, que toda noite se apresentava para o distinto público. Magérrimo, feio, mal vestido e com movimentos desengonçados, o rapazola dependurava-se nas alturas e pintava e bordava.

A proposta do repórter era levar o garoto – junto com o pai – para São Paulo, para assistir ao Cirque du Soleil. Mais que isso: iriam apresentá-lo a um dos astros do circo, um dos trapezistas. E o garoto poderia praticar um pouco junto com os profissionais.

A cena da chegada do garoto e seu pai ao Cirque foi emocionante. Não sei se eles conseguiam entender o que estavam vendo. Durante o show, a expressão de deslumbre aumentava a cada número que o grupo de artistas fabulosos realizava.

E, depois do show, o presente. Lá vamos nós para a área de treinamento do Cirque, onde os dois são recebidos pelo astro dos trapézios. Um rapaz bonito, forte, com todos os músculos delineados, evidentemente bem alimentado e feliz. O nosso herói nordestino recebe uma roupa de trapezista de presente, que logo trata de vestir. A roupa não cai bem. É como aquele fenômeno que acontece com os capacetes de obra que – aqui no Brasil – nunca assentam nas cabeças dos peões...

Os dois começam a se exercitar. O rapaz do Cirque com movimentos suaves, levíssimos, de uma beleza que lembrava uma dança. Nosso garoto trapezista com movimentos brutos, fora de sintonia, desequilibrados. Era realmente feio de se ver, principalmente quando o outro mostrava como devia ser feito.

Mas de repente nosso herói brasileiro faz um ousado movimento no trapézio que desperta uma expressão de espanto no trapezista do Cirque. Um movimento difícil, que o garoto executa com segurança. O rapaz do Cirque tenta repetir o movimento e encontra dificuldades. Acha perigoso. E o menino brasileiro diz que fazia aquilo todo dia. Lá no alto...

O trapezista do Cirque tenta outra vez e desiste, com medo de se machucar. E nosso herói – junto com toda a nação brasileira que assistia a matéria – fica orgulhoso. Viu só? Somos capazes de – com nosso talento bruto – fazer coisas que nem os profissionais conseguem.

Continuamos feios. Desengonçados. Mal vestidos. Mal alimentados. Mas vamos lá e surpreendemos... Viva o Brasil!

De volta para casa com seu pai o garoto leva os troféus: a roupa do treino e as histórias pra contar. Um herói efêmero, cuja fama dura tanto quanto os minutos nos quais sua imagem permanece no ar, na televisão. Depois da festa da recepção, dos cumprimentos, de contar e recontar a história, nosso herói vai dormir um sono como talvez nunca tenha experimentado. Acorda no dia seguinte, pobre como sempre foi. Na mesma velha tenda, na mesma velha cama improvisada. E volta ao trabalho de buscar água, consertar a lona, vestir a sapatilha surrada, dar comida aos cabritos e galinhas e fazer as vezes do trapezista desengonçado e do palhaço melancólico que alegram as periferias do Brasil...

E tudo volta ao normal.

Essa história do brasileiro pobre que desenvolve a duras penas um talento natural e que um dia serve como atração da mídia para depois voltar à realidade como um efêmero herói, não é familiar?

Claro que sim. Repete-se a cada quatro anos.

Desta vez está sendo em Pequim.


Luciano Pires

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P: 22/8/2008 1:29:36
Luiz Machado

Isqueiro

Total de Publicações: 271
Última postagem: 19/5/2010
Membro desde: 16/2/2007

Brilhante Luciano!

Acabo de assistir a mais um exemplo dessa monótona rotina. Concluída com a frase ëu sinto orgulho de ser brasileiro e cearense".

E, apesar de tudo, também sinto orgulho e vibro como um louco nas raras vezes que o desfecho é diferente. Tomara que aconteça isso no vôlei de quadra. Afinal, nessa modalidade, o trabalho que vem sendo desenvolvido há anos está mais para Primeiro do que para Terceiro Mundo.

Parabéns e um grande abraço.

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P: 22/8/2008 9:05:23
eduardotopam

Member

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Última postagem: 26/3/2010
Membro desde: 3/3/2008

É Luciano, infelizmente nossos heróis são severamente treinados para serem pessoas comuns! Quando uma criança fala para seu pai "Quero ser trapezista", "Quero ser nadador", "Ator", "Jogador" ou simplesmente "Pai quero ser um atleta"... A primeira resposta será: "Então filho, estude bastante e curse uma universidade!"

Somos treinados a deixar nossos sonhos de lado e ir trabalhar para que a sociedade se mantenha exatamente como está! Quantos michael Phelps temos em escritórios e salas de aulas? Enquanto o cara de lá de cima, daquele país capitalista que todo mundo critica está lá treinando 6, 7 até 8 horas por dia, estamos aqui trabalhando 8 horas por dia para continuarmos seguros em nossos empregos e nossas vidas. Enquanto lá seu rendimento esportivo garante uma excelente piscina, quadra ou campo para treinar dentro da universidade aqui vai garantir no máximo uma vaga em uma faculdade com professores despreparados e desmotivados, em uma faculdade com materiais esportivos ultrapassados e a verba para a compra dos novos equipamentos foi desviada para o bolso do Heitor. Ao invés de ensinarem a importância do seu sonho, do seu esporte, do seu coração vão ensinar como conseguir um emprego medíocre dentro de uma empresa e num piscar de olhos mudam suas metas. O que antes iria se tornar um excelente nadador agora quer se tornar um gerente departamental.    



“Se você se contentar com menos do que pode ser, será infeliz para o resto da vida”.

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P: 22/8/2008 9:50:39
EDITORA DO FÓRUM

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Luciano



e assim vergonhosamente, vamos expondo o Brasil na vitrine internacional!



E o Lula quer fazer Olimpíada em 2016? depois de uma Copa? só para um insano!!



VAMOS CONSTRUIR ESCOLAS PELO AMOR DE DEUS!!



abraços



Vera

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P: 22/8/2008 9:51:33
EDITORA DO FÓRUM

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Última postagem: 21/5/2010
Membro desde: 11/2/2005


Vc só pode estar de brincadeira.



O Brasil só está dando vexame nas olimpiadas.



Fala sério.



 



Essa historia é linda, mas comparar com as Olimpiadas.



rsrsrsrsrsrsrsrsrsrrsrsrsrsrsrrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Fabricio

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P: 22/8/2008 9:53:33
EDITORA DO FÓRUM

Administrator

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Última postagem: 21/5/2010
Membro desde: 11/2/2005


Infelizmente vivemos em uma sociedade hipocrita, movida apenas pelo capitalismo. O que falta nos dias de hoje, nas pessoas é um pouco mais de humanismo, um pouco mais de aceitação das coisas como são, deixando de lado as luxúrias e os privilégios que o poder aquisitivo proporciona há tão poucos deixando em desvantagem milhares.



Se cada pessoa se preocupasse apenas em ter o suficiente, o mundo seria tão menos desigual, afinal precisamos de tão pouco para sermos felizes...



Vivemos em uma sociedade que nos impõe um padrão de comportamento definindo o que julga ser o certo ou errado, mas na verdade não existe uma verdade absoluta, não existe um certo ou um errado, pois aquilo que pra mim pode ser o certo pra ti pode ser errado.



Não podemos fazer escolhas pelos outros, só podemos fazer as nossas escolhas.



Eu escolhi já há alguns meses deixar de assistir alguns programas exibidos pela rede Globo e o Fantástico foi um deles...um dos grandes motivos foi não mostrar as matérias em sua integra, exibir na sua maioria matérias americanas e eu quero mais é que os americanos se danem, quero mesmo é saber do meu povo, o povo brasileiro da realidade brasileira e as mais hilárias era quando passavam aquelas entrevistas com alunos "pré-selecionados", todos certinhos, comportados...bem diferente do que acontece hoje nas nossas escolas.



Tenha um ótimo fim de semana.
Ana Maria

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P: 22/8/2008 10:51:21
eduardotopam

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Bom Ana sinceramente não sei em qual país/cidade/mundo você vive, particularmente acho muito mais justo o capitalismo que privilegia pessoas que buscam conhecimentos, buscam uma vocação, buscam sua natureza do que um sistema que nivele por baixo. Dizem que o capitalismo privilegia quem tem condições de estudar e fazer uma boa faculdade, mentira. 

Olha quantos jogadores de futebol mal sabem falar e ganham milhões apenas por que arriscaram suas vidas em um sonho enquanto todos diziam para ele estudar! Olha por exemplo David Camelot, recentemente ganhou um prêmio mundialmente conhecido na área de marketing e até há alguns anos vivia nas ruas do Rio de Janeiro, por que teve coragem de arriscar o nada que ele tinha.

Posso citar milhares de exemplos de pessoas que se superaram e que graças ao sistema, que dá abertura a este tipo de pessoas, conseguiram brilhar.

Injusto para mim é nivelar por baixo! É impedir que você tire o máximo de você por que não terá recompensa alguma!

“Se você se contentar com menos do que pode ser, será infeliz para o resto da vida”.

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P: 22/8/2008 11:42:30
Vir Obscurus

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Certas contribuições apenas corroboram o que é citado num outro tópico: a doutrinação que só pode estar vindo a partir do que se ensina nas escolas de todos os níveis e/ ou nas mensagens subliminares que existem em boa parte da mídia escrita e televisiva. O 'capitalismo'..isso e aquilo...

Ora, o que fizeram os comunistas com seus atletas? Especialmente nos jogos olímpicos entre os anos setenta e oitenta? Entupiram-nos de anabolizantes  e testosterona para servirem  de propaganda para o regime! Caso de triste memória foram as nadadoras da extinta DDR; de tão entupidas com testosterona tiveram que fazer cirurgias de mudança de sexo, tal a irreversibilidade das mudanças nos seus corpos!

Repararam que depois que os controles anti-doping tornaram-se muito mais rígidos Cuba sumiu do topo dos mapas de medalhas?

Aproveitando a deixa, um viva a Maurren Maggi, exemplo de abnegação e superação!


Hans

I'm a man without convictions
(Boy George)

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P: 22/8/2008 1:56:23
EDITORA DO FÓRUM

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Nada a ver uma coisa com a outra, creio que isso Freud explicaria como complexo de inferioridade.
Rogerio

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P: 23/8/2008 9:00:47
Tia Madá

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Luciano e amigos do forum:

Eu também me emociono com os pequenos heróis, incognitas que querem apenas realizar o seu desejo de superação de sucesso, mas do jeito deles.
O pequeno trapezista do Ceará, a história do Charlie flautista que tocava nas ruas de SP e foi parar na Osquertra de Berlim sob a batuta do Karajan (na época), do menino pobre que vai engraxar sapatos dos doutores e te muma voz maravilhosa para cantar, assim por diante quantos pequenos heróis temos, milhares? Ninguém vê, ninguém sabe ou não querem saber.
Os poucos que conseguiram se superar nas Olimpíadas meus parabéns. O nosso fracassado timinha de merda de futebol, acho que se pegassem os moleques das várzes espalhadas por aí tiham ouro a cada 4 anos. Torço que não peguem nem a de bronze, voltem com orabo no meio ds pernas e saiam pelos fundos do aeroporto.
Pior que tem idiota que idolatra esses canalhas milionários.
Desculpem a pergunta mas pelo que me lembro olimpíadas é para amadores, certo? Mudou a regra e eu não estou sabendo? O que fazem jogadores milionários por lá?
Mais um abraço especial a Maurren.

Tia Madá

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P: 23/8/2008 9:53:40
Klaus

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Tiazinha,

respeito seus pontos de vista, mas discordo de alguns.

Atletas amadores? Isto se aplica aos Jogos Olímpicos da Antiguidade!

Hoje todo atleta de ponta é profissional e nem poderia ser diferente... Imagine os custos envolvidos com treinamentos, com equipamentos, com treinadores, com fisicultores, com viagens, com hospedagens. Já pensou o governo brasileiro arcar com esses custos? Nem em sonho... Pô, coloque-se na posição p.ex. da Yelena Isinbayeva. Queria que a moça ficasse só com os aplausos? E o futuro? Eu gostaria de ganhar por ano o que a Isinbayeva paga só de impostos...

Quanto aos futeboleiros, concordo em parte. Aquele garoto talentoso e pobre 'descoberto' está coberto de razão em buscar contratos milionários. Pô, a carreira é curta, a concorrência é grande. Nada tenho contra ganhar os tubos e depois torrar a grana como faz Ronaldo Fenômeno. Discordo e combato a ignorância de empresários e dirigentes de clubes, que não estimulam os atletas a se instruírem e a desenvolver naqueles que vierem a defender as cores nacionais, o sentimento de amor à pátria e a doar-se em sua honra.

Klaus

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P: 23/8/2008 11:20:51
Tia Madá

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Oi amigo Klaus. desculpe minha falha, eu penso mais rapido que escrevo e sai besteira, o que quero dizer com amador, é que fazem por amor à camisa que vão usar, é o camaradinha que tem que trampar 10 horas por dia e ainda tira tempo para treinar e vai lá e faz bonito, mesmo que não tragam medalha, estão lá e a maioria por contra própria "pai trocínio".
Tudo bem falar mal do pais do futebol, eu só acho que muita, mas muita grana para não jogar nada. Tem muito moleque solto por aí que faz melhor por brincadeira, que vai para chutar a bola, por jogar futebol.
Eu sei que tem os times que tem ligas, federações e confederações, cartolas etc. digo basquete, volei, futebol, turma de pessoas que investem pesado para tirar campões, tudo bem, mas o que gosto mesmo é do heroi pequenino.
Para mim o futebol acabou com a Copa de 70, a Formula 1 acabou com a morte do Senna e ponto final. A partir daí o assunto primeiro é "quanto vou ganhar" "depois vou v'r se me esforço". Não tem mais graça.
O jeito é eu continuar a curtir meus herois particulares.

Tia Madá

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P: 23/8/2008 3:15:44


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P: 24/8/2008 7:42:57
Tia Madá

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Última postagem: 18/5/2010
Membro desde: 30/1/2008

Já que estamos falando de heróis vou contar um caso que aconteceu comigo exatamente há uma semana.
Na 6a. feira dia 15 me telefona uma  pessoa de Floripa dizendo ser amiga de uma amiga nossa, brasileira que vive em Munique casada com alemão e que olha pelos meus filhos por lá. Eu fiquei meio pé atrás mas escutei o que ela tinha a pedir. Bem, acontece que ele tinha um namorado em SP e ele a convenceu de vir morar em aqui em Alphaville com ele e conseguiu um trabalho de vendas de carros na conceccionária da Mitsubishi daquele bairro. Até aí, nada demais, ela pediu a demissão, entregou o apartamento, vendeu os poucos móveis que tinha e se preparava para vir a SP, quando de repente o cara da-lha um belo ponta pé na bunda. 
Ela, indicada pela minha filha na Alemanha nos procurou. ABri as portas da nossa casa, afinal duas suites vazias dos meus filhos, tinhamos espaço suficiente. Oferecemos ajuda sem sequer conhece-la pessoalmente, mas enfim não podia deixar de atender a um pedido da Alemanha.
Essa moça, veio com duas malas e uma garra enorme de conseguir um emprego e uma moradia para ela, apesar de eu ter oferecido para ela ficar conosco por pelo um mês.
O emprego de Alphaville ele dispensou devido a distancia, já que o dito cujo chutou ela. Tinha um emprego garantido na Biguaçu - Concessionaria VW na Vila Carrão, mas no domingo não encontramos nada de aparthotel, quarto, pensão só puteiro ou muquifo. Ela não desanimou, na 2a .feira, acordou bem cedo, quase no mesmo horario que nós - 5:00 horas, se vestiu bem linda maravilhosa e disse para nós, "ô vou procurar emprego só volto à noite" eu fiquei espatanda, não cohece sp, nem as linhas de onibus apenas alguns endereços de concessionarias na mão e lá se foi.
Ela me chega as 21:30 em casa, eu já preocupada, sem celular, sem contato. Feliz da vida tinha feito várias entrevistas (5 no total) e uma delas já era emprego garantido, na Citroen, estou falando de apenas 12 horas de busca de emprego. Na 4a. feira fez o exame médico, as ultimas entrevistas com o dono do grupo e foi imediatamente aceita. Isso que o Grupo Itavema está atrás dela para dar melhor oferta.
Conseguiu um apart. para dividir com uma pessoa em Moema e neste sabado a levei para lá, não que ela não quisesse ficar conosco, mas onde moramos o transporte coletivo para a Citroen seria muito complicado.
Agora só um detalhe, essa moça é órfã desde os 7 anos de idade, foi criada pela madrinha até os 10 quando a madrinha tambem morreu, foi de tombo em tombo e com 15 anos foi morar sozinha lá na terra dela. Hoje com 37 anos de idade, tem duas faculdades feitas, já morou no exterior, sozinha, não porque arrumou um cara para morar lá. Tem capacidade, fala ingles fluente e nunca teve ninguém para apoiar a cabeça e chorar. Apenas bons amigos, alguns maldosos também.
É uma heroina. E fico feliz por ter feito parte, nem que por uma semana do sucesso dessa guerreira. 

Tia Madá

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P: 25/8/2008 10:07:45
Ana.meg

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Olá Eduardo,

Dizer que o capitalismo não traz beneficios para a minoria seria no mínimo "irreal".
Concordo que as pessoas que trabalham, que lutam, merecem usufluir desse conforto, mas não é bem disso que estou falando...penso que nessa busca incansável por bens materiais deixamos de lado os valores humanos.
Que o nosso sistema mudou muito em relação ao passado tenho que admitir, exemplo disso "eu" que consegui cursar uma faculdade depois dos 30..rs. Porém tem um  pequeno detalhe fiz uma faculdade particular e não uma Federal e agora te pergunto o porque? Por que as faculdades federais estão cheias de estudantes que cursaram colégios particulares e pegam a vaga dos estudantes do Estado. Seria uma hipocrisia dizer que são mais inteligentes, apenas foram melhor preparados pelo sistema "capitalista", pois capacidade todos tem.
Outro ponto que me intriga nos programas do governo, se for me inscrever para ser bolsista tipo "escola da familia", "prouni", umas das exigências é não ter estudado em escola particular, então porque isso não serve de critério para o ingresso em escolas federais? Um peso...duas medidas...
Quanto aos jogadores de futebol, acho que eles ganham muito...então o mundo continua desigual e o capital mal distribuido, uns ganham muito e outros ganham pouco.
São coisas da vida...mas o sol sempre brilha pra todos.


Ana

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P: 25/8/2008 5:25:17
eduardotopam

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Não vejo relação entre o sistema capitalista e o materialismo que você citou, muito pelo contrario é justamente o sistema capitalista que dá a liberdade de termos os valores espirituais que julgamos melhor a nós mesmo, inclusive o que acontece muito é escolher não ter valor nenhum, olhe para China, Cuba e Coreia do Norte, lá as religiões são instruidas a não falar mal do governo sob penas severas. Quer mais materialismo que o Marxisismo? Acredito que culpar o sistema econômico em razão da falta de valores é uma visão simplista das coisas.


Em relação ao sistema educacional brasileiro eu concordo com você, o sistema é muito injusto e favorece quem tem capital, mas não considero a questão de educação primordial para o sucesso profissional da pessoa, com certeza ajuda muito uma faculdade, uma pós e um MBA, mas conheço muitos gestores que não chegaram a concluir a faculdade e estão lá principalmente por conhecimento obtido do mercado e pelas relações interpessoais, isto sem contar grandes empreendedores que mais uma vez são beneficiadas pelo sistema econômico por gerarem resultados. Concluindo o problema da Educação brasileira é nossa, somos um país pacífico demais e não brigamos por melhores condições. Olha a educação na Suiça, Suécia, EUA, França entre outros, são países capitalistas com um bom sistema educacional que são exemplos em IDH, mais uma prova que não é culpa do sistema econômico a situação do sistema educacional brasileiro e sim do próprio povo que ignora a política abrindo espaço para pessoas deshonestas.

Por fim não acredito que ganham tanto assim os jogadores, olhe os contratos de patrocinio, de direito de imagens, acredito justissimo o clube repassar isso aos jogadores. Se for ver bem a empresa que paga contratos absurdos para estapam sua marca na camisa de um time ganha com marketing, vendas etc... O clube ganha, o jogador recebe aumento, o esporte se profissonaliza, o torcedor gosta de ver seu time jogando bem, se o time joga bem disputa campeonatos internacionais, a marca estampada aparece mais e vende mais, vendendo mais contrata mais gente e consegue aplicar mais em programas sociais e todos saem ganhando.



“Se você se contentar com menos do que pode ser, será infeliz para o resto da vida”.

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P: 26/8/2008 8:44:19
Ana.meg

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Eduardo,

Como diz aquele ditado: "Viva feliz com o que pode ter,
                                         Feliz com o que dá pra ser,
                                         Isso é paz...


Tenha um bom dia.

Ana

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P: 9/9/2009 3:28:10
Luciano Pires

Administrator

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A outra face da mesma moeda:


















CESAR CIÉLO, NO ESTADÃO.


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Dessa vez não foi pelo fato de ter ganhado alguma prova de natação, mas pela entrevista corajosa que deu ao jornal O ESTADO DE SÃO PAULO.
Cesar bastante irritado, falou da falta de apoio da CBDA, (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). César disse com todas as letras que não teve ajuda da confederação e muito menos do governo. Sua vitória de deve a ajuda de seu pai e de patrocinadores.
Para tanto estava treinando nos Estados Unidos. E o presidente da confederação queria que ele voltasse para o Brasil, para treinar aqui. Queria também que ele fosse ao palácio do planalto para fazer o cartaz do presidente. Coisas que ele rejeitou. Daí para frente foi ameaçado de ficar sem o pouco de facilidades que a confederação lhe dava.
Minha vitória tem muito pouco a ver com eles, disse o nadador quando participou do troféu José Finkel, nas piscinas do Corinthians. Querendo eles ou não, sou campeão olímpico, e isso eles terão que engolir. Desde que me tornei profissional, em março, paguei tudo: alimentação, hospedagem, e até meu técnico (o australiano Brett Hawke). Ele ficou assustado, quando lhe perguntaram se a CBDA havia ajudado em alguma despesa.
Sua resposta foi essa: 'Serio que vocês estão me perguntando isso?' 'Pensei que vocês estivessem brincando'. César Cielo contou que além de não receber auxílio da CBDA, teve problemas com o presidente. Entre outras ameaças, ele ameaçou suspender os pagamentos, que eu vinha recebendo dos correios, quando disse a ele que não viria para uma cerimônia no palácio do Planalto. Ele vivia telefonando para meus pais, e não os deixava trabalhar sossegado. Fiquei nervosoe treinei mal por uns dias.
Esse é o governo que temos. Pelo que se vê o dedo do governo está em tudo. Atletas têm que ir a Brasília para pedir a benção do 'padrinho'. Ainda bem que não vimos medalhistas em Brasília puxando o saco do governo. Porque será?


 


Publicada em: 07/09/2009

Luciano Pires

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