Luciano Pires

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  Assunto do Tópico  O GRITO

Luciano Pires

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Última postagem: 26/5/2010
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DE ONDE VIRÁ O GRITO?


Num texto anterior introduzi o conceito de “Ressentimentos Passivos”. Para relembrar, lá vai um trecho:
 
“Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e falam “que vergonha”. Vêem a  fila de aposentados ao sol e comentam “que absurdo”. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram ”que medo”. E pronto!  Pois acho que precisamos de uma transição “nestepaíz”. Do ressentimento passivo à participação ativa.”.


Pois recentemente estive em Recife e em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou.  Em Recife, naquele centro antigo, história por todos os lados. A cultura pernambucana explícita nos out-doors, nos eventos, vestimentas,  lojas de artesanato, livrarias. Mobilização cultural por todos os lados. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém.
No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra!


“Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade”

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é “comunidade”. Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo. Sabe onde é que os “ressentimentos passivos” se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de “basta” contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem “liga”. Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes.
Penso que o grito – quando vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa “liga”. A mesma que eu vi em Recife e em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Ou talvez os Pernambucanos. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.

Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.



Luciano Pires

Ver revisões : 3   |    Publicada em:  15/6/2007 12:16:25   |   IP:  Gravado:

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Sílvio Vasconcellos

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Luciano, gaúcho que sou, não pude deixar de me pronunciar.
O gaúcho sempre foi do contra, desde a Revolução Farroupilha. Prestes saiu daqui, Vargas e, infelizmente, os generais da ditadura. Mas em Porto Alegre que o PT, recém saído dos anos de chumbo, teve um dos mais notáveis períodos da administração pública, e na seqüência elegeu um governador prá lá de gaúcho, Olívio Dutra. Pois quando o Brasil seguiu o exemplo e elegeu Lula, o Rio Grande simplesmente disse: Não quero mais. Mudou o governo do estado e, incrível, até a prefeitura. O Rio Grande ainda não terminou a Revolução Farroupilha e isso não é separatismo. Ele quer espraiar ao Brasil a indignação contra velho, o arraigado, a inércia de um país que nasceu escravagista e fica sempre esperando que a mudança venha de cima.
Luciano, esse sentimento, que muitas vezes causa inveja e é mal interpretado, é a única coisa que une gremistas e colorados, que entre gritos e cantos de guerra nos estágios, ecoam o Hino Riograndense, tomam chimarrão e combinam a churrasqueada para tocar flauta no adversário (nunca inimigo!).
Ah, eu sou gaúcho! Ah, sou brasileiro! Com muito orgulho e muito amor!

Ser proativo é saber ler entrelinhas, ver atrás da foto e sentir atrás do óbvio

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Última postagem: 21/5/2010
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clap...clap...clap...
aplausos...aplausos...aplausos...
alguém precisa levantar essa bandeira....
que sejamos nós... os da velha guarda....
nós paulistas, como brasileiros, somos um zero antes da virgula....
sejamos, antes de paulistas, brasileiros....
vamos resgatar nossa dignidade e importancia politica  dentro desta 
confusão que chamamos Brasil...
sds

de um velho (e muito velho) amigo

José Ricardo

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Penelope Silva

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Tomara que mudanças possam ser vindas de outro lugar,mesmo que não seja da cidade de São Paulo.
Fui procurar a letra do hino de São Paulo e talvez por incompetência não consegui encontrar, aliás,sim encontrei mas não consigo copiar para colocar aqui,mas encontrei algumas curiosidades da cidade de São Paulo,para apenas acrescentar a minha contrariedade também  sobre a questão da passividade dos paulistas/paulistanos(me incluo nessa).
Acho que realmente nós paulistas/paulistanos deixamos que a luta desenfreada pela sobrevivência,nos tornassemos escandalosamente passivos e acomodados.

Curiosidades

São Paulo é a 19º cidade mais rica do mundo, de acordo com levantamento da consultoria PriceWaterhouseCoopers. [5]
São Paulo ocupa a 34º posição de cidades mais caras do mundo. [6]
São Paulo foi eleita pela revista norte-americana Reader's Digest a quarta cidade mais gentil do mundo em 2006. [7]
A cidade de São Paulo hoje tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo, atrás apenas de Nova York. [8]
São Paulo tem o quinto maior zoológico do mundo.[Carece de fontes?]
O PIB da cidade de São Paulo foi de 76 bilhões de dólares em 2005.[Carece de fontes?]
O orçamento da cidade está entre os maiores do Brasil, sendo superada obviamente pela União (governo federal) e pelo estado de São Paulo, e por alguns outros estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Durante o 10º Congresso Internacional de Gastronomia, Hospitalidade e Turismo (CIHAT) realizado em 1997 a cidade de São Paulo recebeu o título de "Capital Mundial da Gastronomia" de uma comissão formada por representantes de 43 nações.
A rua Oscar Freire é uma das oito mais luxuosas do Mundo de acordo com a Mistery Shopping International.
São Paulo é um dos maiores centros geradores de tendências em moda no mundo. [9]
Atualmente, o prato oficial da cidade é a pizza, com uma produção de cerca de 1 milhão de unidades por dia, só perdendo para Nova Iorque. [10]
São Paulo é terceira maior cidade italiana do mundo. [7]
São Paulo é maior cidade japonesa fora do Japão. [7]
São Paulo é maior cidade espanhola fora da Espanha. [7]
São Paulo é terceira maior cidade libanesa fora do Líbano. [7]
São Paulo é a cidade brasileira com maior número de favelas, contando com cerca de 615, onde moram aproximadamente 20% da população paulistana, de acordo com o censo de 2000 do IBGE.
São Paulo é a Terceira maior cidade do mundo em quantidade de prédios. De acordo com o Emporis Buildings


Penelope

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Vir Obscurus

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Prezado Luciano,

eu não seria tão severo com o pessoal daqui...

Históricamente, S.Paulo foi sempre uma pedra no sapato de demagogos, aventureiros e populistas, tipo: Vargas, brizolismo no passado e, agora, o petralhismo. Não é a toa, que nas últimas eleições, o lulismo pegou pesado com o nosso estado, remember?

Cantar hinos? Tomar chimarrão? (Aliás, quando vou pra Porto União/SC, não dispenso um mate, mas o único grande efeito prático, me parece, é que o primeiro da roda queima os beiços...)Enfim, hinos, chimarrão e rodinhas não vão mudar nada, o que pode mudar alguma coisa é, primordialmente, o saber que lhe faculta a capacidade de fazer conexões, de pensar, de estabelecer vínculos, etc., e isto só se consegue
adquirindo-se conhecimento de boa qualidade, isento de vícios, vícios estes muitas vezes trazidos justamente pelas tais "ligaduras" que costumam estar viciadas por messianismos de toda ordem...

S.Paulo, ao ter se tornado um estado (e cidade) bastante refratário ao petralhismo já vem fazendo sua parte. Não carece de hino e sim de simples voto consciente!

Abraço




Hans

I'm a man without convictions
(Boy George)

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Olá Luciano,
Muito bom o artigo. Sou Gaúcho e acredito que o Rio Grande como costumamos 
denominar tem sérios problemas. Em algum lugar já ouvi a seguinte frase 
que como Publicitário e Consultor de Comunicação ela vem contida de muita 
realidade:
"O empresário Paulista pergunta quanto ele ganhará no Projeto o empresário 
Gaúcho antes de tudo quer saber quanto custa".
Mas voltando ao seu artigo pontuo positivamente que esse realmente é o 
sentido do mate: uma roda (uma mesa redonda do rei Arthur) que já não 
existe comandantes e nem comandados, fracos ou fortes, peões ou donos de 
fazenda, onde pode se falar abertamente sem medo de ser traído porque na 
roda do mate sempre as diversidades se tornam uma celebração. Somos um 
povo (Rio Grande) muito duro, muito rígido, muito forte é através do 
chimarrão que se dá a nossa vivência de irmandade, de cooperação, de 
colaboração, de respeito e ética. Esse é o grito que falta.  Estamos mais 
uma vez esperando um herói. Quando todos unidos deveríamos ser heróis 
dessa nova história.
O Chimarrão sempre é oferecido com a mão do coração em louvor e gratidão a 
presença do amigo entre nós. Sempre fomos um povo guerreiro o que torna a 
morte uma companheira.

Abrs,
Sander


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Ler esse texto, como gaúcha que sou, me enche de orgulho.
RS é um lugar especial, por esse motivo, de modo algum que largo essa terra
para residir em qualquer outro lugar. O que difere esse povo do resto do
país, é que para nós, antes de sermos brasileiros nós somos gaúchos, e esse
é o principal componente da liga.


Um abraço.



Georgia



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Hummmm...vamos preparar o terreno para o que há de vir?
Então tá....preparando....remexendo, adubando.... colocando o esterco  que vai nutrir a terra.
 
Taí... vc sempre me envia seus emails reflexivos. E eu daqui, paro, leio e claro, retiro o máximo que consigo... vc sabe que sou fã assídua... mas finalmente tenho algo a dizer, que não apenas "puxar o seu saco"!
 
Li, como sempre atentamente... e como foi a finalização do artigo?????
 
 
Fiquei surpresa! Vc puxou a sua cadeira e sentou-se... mais um expectador, esperando... que  a salvação caia do nordeste ou que sabe suba lá do sul....
 
Ah! não resisti... tive que vir aqui questionar isso... me explica vai... o que foi esse the end assim tão submisso, após este texto cheio de sua melhor emoção que vibra, que berra, que pensa, que questiona e que sempre mexe com a "cuca" da gente?
 
Diz! Diz! diz!
 
Bjs
 
Grata por ler meu "desabafo" ...rs
 
Mara  


Revisões : 0   |    Publicada em:  15/6/2007 11:12:18    |    IP:  Gravado:

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Aí está uma matéria que começa a fazer sentido.
Nela, o Luciano ameaça fazer apelo à ação (mas... ainda não o faz. Pena!).
Pelo menos é um começo.
Quando os jornalistas começarem a emular o povo a se movimentar, algo vai 
acontecer.
Por exempo: ontem, na greve do metro de S Paulo, eu pessoalmente pude 
arrancar vários papéis das portas do metro e jogá-los embolados entre as 
pernas dos metroviários por detrás das grades.
conversei com vários policiais militares, explicando a eles que sou 
contribuinte e que nunca vi os militares estarem mais bananas.
Expliquei a eles como é que se fazia em 1964-68 nas circunstancias 
equivalentes (mutatis mutandis) e vários deles concordaram comigo.
Expliquei a eles sobre a gatunagem e a propina que rola nos altos 
escaloões da PM e dos orgãos públicos.
Eles me pareceram curiosos e ao mesmo tempo impressionados (não sabiam! 
parece)
É isso que precisamos fazer: agir pessoalmente e em conjunto.
Só conversa em email nada fará.
Se não sairmos para as ruas, nada acontecerá.
Aux armes citoyens!
Abraços
 Caio


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Fantástico seu artigo "De onde virá o Grito?".
Você conseguiu traduzir em palavras um sentimento que eu, 
paulista/paulistano, também sinto mas não sabia traduzí-lo.
Infelizmente, vivemos em nossa própria terra, mas que foi aculturada pelos 
inúmeros fluxos de imigração, tornando-a "sem cara".
Um grande abraço
Antonio Sergio


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 Me emocionei ao ler seu artigo de hoje, pois nós gaúchos nos
orgulhamos muito de nossa tradição, amamos nosso estado, isto se reflete 
em todos eventos sociais ao qual participamos, e nos emocionamos ao cantar o
hino riograndense em estádios de futebol, consertos de rock, CTG`s, enfim
em todos os eventos do estado, teu artigo tem um grande significado para
nós gaúchos, pois muitas vezes somos tachados de separatistas apenas por
amarmos nosso riogrande.
Parabéns, e obrigado por suas palavras.
De um leitor assíduo.
Rodrigo

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edson_rodrigo

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Caro Luciano,



Você escreve bons artigos.
Mas neste, O Grito, discordo quanto a comparação de São Paulo versus o restante do Brasil.
O problema é cultural. E São Paulo sofre defasagem nesse sentido, devido a migração enorme nesse estado. Assim podemos concluir como sendo DIVERSIDADE, uma marca pertencente a São Paulo. Terra produtiva que aceita todos de braços abertos. Agora, em momento algum, em nossa constituição ou qualquer lugar que seja, está escrito: "É responsabilidade de São Paulo tomar todas as iniciativas produtivas e/ou que conduzam ao crescimento / desenvolvimento, em relação ao restante do país". Já basta a proporção de impostos gerados aqui, que vão para a união, e que vão para outros estados.



Outras qualidades culturais de São Paulo: Modernidade... Sofisticação... Pioneirismo.



Que fique para os pernambucanos, gaúchos ou quem quer que seja outros movimentos e qualidades culturais. Afinal, “peso morto” é que eles não podem ser.



E Luciano, em seu texto você diz: “Penso que o grito – se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa “liga”.
Você tem total liberdade de fazer sua escolha de deixar São Paulo e retornar a sua Bauru, ir para Pernambuco ou Rio Grande do Sul.
Neste sentido, não é porque você faz o que faz, também não esteja sendo passivo.
Não é porque você “Pensa que...”, que tenha conotação de que “Seja”.



Um Abraço,
Edson



Edson Nascimento

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Luciano Pires

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Caro Edson, agradeço seu convite a que eu me retire de São Paulo, mas não pretendo fazê-lo. Amo esta terra e é aqui que eu vou fazer acontecer, com todo o orgulho que tenho de ser paulista. E brasileiro.

Os atributos que você dá a São Paulo são fantásticos, mas de nada servem se não os defendermos. É disso que trato em meu texto.

Essa idéia de que somos a "locomotiva" e que os outros estados são "peso morto" como você perigosamente deixa transparecer em seu texto, serve para quê? Qual é o sentido prático disso no momento que vivemos "nestepaíz"? 
Isto aqui é o Brasil, meu caro. Estamos juntos no barco. Temos brasileiros de primeira linha em todos os estados, gente capaz de colocar este país nos trilhos, gente de bem. Mas infelizmente essa gente está calada. E eu quero provocá-la. Alguns ficarão enraivecidos. Outros envergonhados. Uns, agradecidos. Outros indignados. Essa é a função da provocação.

Tenho 51 anos de idade. Conheci uma São Paulo que sabia gritar, capaz de mobilizar-se e ser a pedra no sapato de muita gente. Um dia, fomos à guerra contra o que julgamos errado. É essa indignação perdida (atenção: eu disse INDIGNAÇÃO não disse GUERRA) que quero ver outra vez, sem precisar de parada gay ou evangélicos para colocar 2 milhões na rua. É essa a diversidade a que você se refere? Ela serve para quê no contexto do combate à corrupção?


Por fim, quando eu digo que "penso que", quero dizer exatamente isso: que isso é o que EU penso. Penso o que quero, escrevo o que quero e você tem a liberdade de concordar ou não. Em nenhum momento eu disse que "é assim". Você é que tirou essa conclusão e quer me rotular. Dispenso a sua tentativa de lição de moral. Rótulos não colam mais em mim.





Luciano Pires

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A população está cansada sim, indignada também! Entretanto, mostramos 
inércia diante de tudo que acontece. Já vi nascer e morrer grupos 
idealistas que iniciam suas atividades em busca de decência e ordem, 
honestidade na política etc..., mas interesses maiores começam a nascer 
nesses " idealistas " e dinheiro parece que tem o poder de mudar os ideais 
das pessoas.

O grito vem de lá de casa, quando temos que suar muito a camisa pra educar 
nossos filhos com pouco dinheiro, o grito vem de uma dona de casa, que 
abençõa os filhos e o marido, quando estes saem de casa todas as manhãs e 
pede a Deus pra que eles voltem.

O grito vem de jornalistas que apresentam as piores notícias e indignados 
" gritam " por soluções.

O grito vem de pessoas que se reúnem no Rio de Janeiro e Vitória e pedem 
PAZ...

Poderíamos sim, levantar empresários, homens de negócios, trabalhadores 
humildes, donas de casa, estudantes - NÃO para invadir lugares, quebrar 
bancos ou aqueles revolucionários inconsequentes, com interesses quase 
SEMPRE individuais - mas sim uma organização em que o único interesse 
seria criar desde a infância cidadãos que lutam de forma inteligente e 
sensível, que amem o próximo e que tenham interesse REAL de mudar a 
história.

 Ih... acho que hoje acordei com vontade de mudar o mundo...rs

Um abraço
Sandra



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Bom dia Luciano,
Parabéns por mais esse texto "chacoalhão"  (apesar de não encontrar no
Aurélio, é o que senti) que vc nos traz. Recentemente também fui visitar
parentes em Santa Catarina e lá estava o nosso querido chimarrão e como
filha de gaúcho, apesar de ter nascido e criada em São Paulo, que tanto 
amo,concordo plenamente com vc e tenha certeza, com orgulho também me juntarei 
a eles caso o grito venha de lá ou de Pernambuco. Só este tipo de atitude é
que trará mudanças ao nosso país.
Obrigado pela sua contribuição tão valiosa e que sempre nos ajuda a 
refletir como podemos fazer diferença neste país e não simplesmente como disse a
nossa querida ministra ... "relaxa e goza" , é preciso por a boca no
trombone, ou melhor a boca na cuia.
Valeu, mesmo.
Um ótimo final de semana.
Abraço,
Evelyn


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Acompanho pela caixa de mensagens da  minha esposa os teus artigos . 
Alguns deles , se eu  precisasse escrever sobre os assuntos , só mudaria a 
assinatura embaixo ; outros mudaria pouca coisa . Enfim , você , Arnaldo 
Jabor , André Petry , Diogo Mainardi , são pessoas raras nesse país . Só 
não sei até quando , pois farão tudo para essas vozes se calarem .

De onde virá o grito ? Há mais de 10 anos um compadre meu foi vítima das 
mais sórdidas armações de promotores, oficiais da justiça e juíz , 
inclusive alguns políticos , ao se separar da esposa . Essa como não tinha 
a grana , se "dava" , e a partir daí tudo se arranjava . Ao saber disso , 
falei com os meus políticos , aqueles em quem eu votei e em quem confiava 
Falei que tínhamos que fazer algo, pois não podia concordar com tamanha 
injustiça . Sabe no que deu ? Em "absolutamente" nada : pois mexe com 
gente grande , aquele é meu amigo , o outro é amigo do meu amigo , e por 
aí vai . Todo mundo de rabo preso . Aí fica difícil , não achas ? Claro 
que não votei mais naquelas políticos . Mas ficou nisso .

Me lembro que num aniversário do meu cunhado , após bom tempo falando do 
Brasil e da situação toda , chegamos ao veredicto de que só uma bomba 
atômica em Brasília pra resolver alguma coisa . Claro que isso é papo de 
rodinha , mas pensando bem , podia ser um outro tipo de "bomba atômica" . 
Uma que despertasse o povo brasileiro desse marasmo . Algo inédito que 
ecoasse pelo país afora . Um primeiro grito . O que poderia ser ?

 Egon


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Eu sabia que o estado de São Paulo tinha um hino, mas nunca ouvi, aliás, não faço nem idéia. Você é uma pessoa observadora, viajada, conhece bem o país. A maioria da pessoas que conheço, mal conhecem a cidade em que moram. Acredito que na maioria das capitais. O governo (sempre ele), não se interessa por cultura; pra que? Como sempre é: deixa a ignorância imperar, é mais fácil comandar. Mas um dia que aparecer um governante preocupado com o bem estar do povo; quem sabe...Por enquanto ele só tá preocupado com a imprensa, que só fala mal do Brasil. Falar o que pra família do francês que foi assassinado covardemente, por um desconhecido qualquer? Que é assim mesmo? Que a homofobia aqui é normal!?



Elio



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Que bom que pensa assim, pois sabemos que a maioria dos paulistas não
enxergam desta forma. Nós gaúchos não somos "achados" quando falamos bem de
nossa terra, mas sim, porque valorizamos o que aqui aprendemos e acreditamos
nas nossas pessoas e nos nossos costumes.
Todas as pessoas aqui do setor que trabalho leram o seu texto, e todas
adoraram, pois realmente sentimos esta emoção ao cantar o hino do nosso
estado.
Grasielle



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Lí o seu rico texto e chorei de vergonha......!
Lembro-me quando Jaime Canet era Governador do estado paraná.....
Fazia  os primeiros anos na escola primária........Ninguem entrava na escola sem cantar o Hino Nacional...da Bandeira ou do Estado lindo que é meu Paraná.
O seu texto fará eu refletir muito, apesar do ter um dia extremamente ocupado.



Sucesso....!!!


Sds
Luiz



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Tenho apenas 29 anos, mas confesso que como os demais paulistanos, faço parte dos indignados calados. Suas mensagens, é um acalanto para minha alma, pois sonho com um Brasil melhor, para todos nós. Tenho uma filha, e fico pensando no futuro dela... Como fiquei feliz, com o patriotismo dos gaúchos e pernambucanos, graças a Deus alguém irá impedir que se instaure o caos generalizado. Me juntarei a eles também.
 
Cordialmente,

Joel

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Minás Kuyumjian Neto

Isqueiro

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Sou paulista por nascimento e paulistano por viver na Capital há 48 anos. Quando aqui cheguei, com 18 de idade, senti o que acho que muitos migrantes sentem diante da cidade de São Paulo: primeiramente, temor; depois, amor. O Centrão (talvez principalmente o Velho) era minha casa. Eu morava numa pensão na rua Major Sertório, na frente do La Licorne (na época o mais concorrido cabaré da cidade) e a trezentos metros da rua Maria Antonia (onde estudava na Faculdade de Filosofia da USP). E transitava tranquilamente, sempre a pé e sozinho, pelo miolo da área que então chamavam "Boca do Luxo". Não havia razões para temer as putas, os frequentadores, tudo o que rolava por lá. Outros tempos, claro - estou falando de 1965. Ao longo dos anos, já plenamente estabelecido, fui assistindo à degradação do Centro e da cidade - vitimada por um crescimento além da imaginação. Hoje, sitiado em minha casa como a maioria dos habitantes das cidades brasileiras, o que escuto repetidamente é uma condenação aos migrantes, principalmente nordestinos - como se fossem culpados por terem, em vão, procurado melhores condições de vida. Daí que a afirmação bairrista de que "recebemos a todos de braços abertos" não é procedente. Muitos paulistanos/paulistas recebem o "refugiado" porque precisam dele para consertar os encanamentos da casa. E não podem assumir, na prática, uma posição como a escrita aqui: você tem total liberdade pra ir embora daqui e jamais voltar. Na minha opinião, o "grito" que talvez um dia pudesse ocorrer deveria ser antes de tudo brasileiro. Claro que com mais veemência em estados como o Rio Grande do Sul, que historicamente atuam com disposição política e "senso comunitário" sensivelmente maiores que muitos outros.




  

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Après tout, c'est
um monde passable
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Minás Kuyumjian Neto
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Revisões : 0   |    Publicada em:  15/6/2007 4:10:00    |    IP:  Gravado: