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Dlog Café Brasil - 23/3/2008 6:50:00 - N° 28
         
    Dlog Café Brasil - O ELOGIO DA IGNORÂNCIA    
   

“Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância” - Galileu Galilei

 
 

 

 

Bem-vindo ao DLOG Café Brasil. O programa de hoje tratará da ignorância. Ignorância... Que por aqui anda brava... Tem gente que vai achar que pegamos forte, mas é necessário!

 

A trilha sonora, no entanto, compensa. Vamos com Heitor Villa-Lobos, o grupo português Cabeças no Ar, Paulo Ricardo, Novos Baianos, Elis Regina, a banda gaúcha De Falla e uma surpresa com a dupla Julinho Marassi & Gutemberg.

 

Espero que goste da edição, compartilhe suas opiniões e siga acompanhando o Programa Café Brasil pelo rádio ou podcast.

 

Boa leitura!

 

Luciano Pires 


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Vamos Começar em Ótima Companhia?

 

 

Villa-Lobos: grande maestro e grande personalidade

 

 

Hoje vou começar o DLOG em ótima companhia. Ao longo do Programa Café Brasil, você poderá conferir duas obras de Heitor Villa-Lobos. Wagner Tiso interpretará A Lenda do Caboclo e o pianista Raúl Di Blasio tocará O Trenzinho do Caipira. Quer ouvir? Clique Aqui.

 

 

 

Você Sabia?

 

O pianista argentino Raúl Di Blasio se tornou conhecido em todo o mundo por sua sensibilidade como intérprete e compositor. Executa vários estilos musicais, como ritmos folclóricos, pop, jazz, clássicos e música brasileira. O disco “Brasileirinho” é considerado um marco em sua carreira. Essa e outras histórias você encontra em:

 

http://en.wikipedia.org/wiki/Raul_di_Blasio

www.wagnertiso.com.br

www.museuvillalobos.org.br


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O Elogio da Ignorância

 

 

 

 

Para abrir a nossa reflexão, fui buscar um texto do historiador e escritor e Jaime Pinsky. Chama-se O Elogio da Ignorância:

 

 

Basta observar o olhar perdido de adultos sem ter o que fazer durante horas, em vôos internacionais, ou, pior ainda, vendo filminhos para adolescentes no vídeo do avião, para ter certeza de que ler um livro é a melhor escolha para esses momentos. O passageiro desocupado é um chato: ri alto, chama a comissária de bordo a cada momento, toma mais bebida do que seria desejável, ou ronca alto, enquanto o leitor de livros atravessa a desagradável viagem placidamente, correndo incólume o risco alheio, podendo imaginar, a partir do seu universo de referências, o rosto e o jeito de cada personagem, e não sendo obrigado a engolir os atores que o diretor do filme escolheu para representá-las.

 

O chato, na verdade, é o “sem-livro”. Mesmo assim, é freqüente tratar leitores como pessoas sem graça. Uma amiga conta que, durante sua adolescência, adorava ir ao sítio de um tio, no interior de São Paulo, e ler, calmamente, seu livrinho, enquanto a brisa movia silenciosamente a rede em que se refestelava e os pássaros faziam um coral único. Seus familiares, contudo, não se conformavam com a “chata” que preferia ler a jogar buraco e diziam que ela não gostava mesmo de “se divertir”, como se diversão fosse colocar o dez perto do valete e sonhar para que uma dama aparecesse, e não a leitura do seu livro, que a transportava para mundos maravilhosos.


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Cheiro de Boa Música

 

 

“Cabeças no Ar”: muito além de Fado...  

 

 

Ora pois... Por falar em livros, vou trazer uma novidade. Você acha que música portuguesa é só Fado? Então vai se surpreender com a canção O Cheiro dos Livros, uma criação de Carlos Tê e João Gil, interpretada pelo grupo “Cabeças no Ar”. Portugueses como você nunca ouviu, aqui no Café Brasil...

 

 

O professor de português

Empolgou-se na lição

Tropeçou caíu ao chão

Quase partiu o pescoço

Como aquele sábio grego

Que de tanto olhar o céu

Caíu dentro dum poço

 

O professor de português

Falava de natação

Dos poemas de Camões

Eu vi toda a epopeia

Senti o cheiro ao mostrengo

Cheirava a sal e a trovões

E a desgostos de sereia

 

Mas eu quero-lhe dizer

Um segredo verdadeiro

Até o Stor cair

Os livros não tinham cheiro

 

E eu que não tinha atenção

Era uma nota sofrível

Senti vivo o predicado

Dentro do meu coração

Saltei subi de nível

Fiz-me sujeito acordado

No centro da oração

 

Ó meu caro professor

Eu quero-lhe agradecer

Ter ganho o meu nariz

Nele vou a toda a parte

É uma força motriz

Vou a Roma e a Paris

Vou à Lua e vou a Marte

 

Ó meu caro professor...

 

 

Quer Ouvir a Música no Programa Café Brasil? Clique Aqui

 

Quer Ver os Portugueses Cantando a Música no YouTube? Clique Aqui

 

 

 

Você Sabia?

 

O projeto “Cabeças no Ar” reuniu alguns dos maiores nomes da música portuguesa contemporânea. O grupo era formado por cinco amigos, o letrista Carlos Tê e os cantores Rui Veloso, Jorge Palma, João Gil e Tim (vocalista da banda de rock “Xutos & Pontapés”). Gravaram um disco, deram origem a um espetáculo musical e fizeram uma série de shows entre 2002 e 2003. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.ruiveloso.net

www.jorgepalma.web.pt

www.tim-solo.net

www.joaogil.com


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É Preciso Resistir!

 

 

 

 

Vamos voltar ao texto de Jaime Pinsky? Lá vai:

 

 

Com a música, é o mesmo. Há até propagandas de televisão e rádio que “demonstram” a supremacia de sons bregas sobre a música clássica. Incapazes de se sentar para ouvir uma sinfonia inteira, ou mesmo o primeiro movimento de uma sonata, os ignorantes transformam o vício em virtude e atribuem ao volume produzido por super woofers a qualidade sonora que a melodia não tem. Sejamos claros: o aparelhamento de som é apenas o meio, a mídia, utilizada pela música para se manifestar. Imbecis sonorizados rodando com altos decibéis serão somente imbecis rodando com altos decibéis, nunca gente com bom gosto musical. E antes que eu me esqueça, música se discute, sim, pois gosto e ouvido podem ser educados. Quase sempre, pois sempre há uns casos perdidos. Por isso, o idiota que diz não gostar de música clássica, como um todo (sem nunca tê-la ouvido adequadamente), deve ser tratado como um idiota, e não como uma pessoa que manifesta um gosto.

 

Num momento em que se luta para que diferentes parcelas da população tenham acesso à universidade, em que as pessoas estão empenhadas em fazer pós-graduação, mestrado, cursos livres de cultura geral, em que todos reivindicam o direito de conhecer parcelas importantes do patrimônio cultural da humanidade, fazer o elogio da ignorância é um contra-senso. Contra-senso, por sinal, que só pode partir de dois tipos de pessoas: ou alguém da elite, que, por medo de concorrência, não quer que o contingente de pessoas cultas no país aumente; ou alguém que teve a possibilidade de adquirir um bom cabedal de cultura, mas, por preguiça ou desleixo, não o fez. Nenhum deles é bom conselheiro: não se pede para rato opinar sobre as qualidades da ratoeira.

 

Respeitar o saber do povo significa dar oportunidade para que ele tenha acesso ao patrimônio cultural já estabelecido. Respeitar o povo é permitir que ele conheça Machado de Assis e Joaquim Nabuco, Sérgio Buarque e Florestan Fernandes, Glauber Rocha e Nelson Rodrigues. Entender o mundo, ao contrário do que muitos pensam, não se resume a assistir folhetins óbvios repetidos há décadas, ou programas apresentando supostas situações reais com personagens supostamente interessantes, merecidamente enjauladas, tudo entremeado com mensagens comerciais (eu falo, evidentemente de novelas e reality shows apresentados pelas emissoras de TV e assistidos bovinamente por telespectadores acríticos).


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Nossa Vida Real?

 

 

RPM: um “fenômeno” nos anos 80

 

 

Ao falar em “personalidades enjauladas”, lembrei da música-tema do “Big Brother Brasil”, a canção Vida Real, de Paulo Ricardo e Raphael Pinheiro. Se eu pudesse escolher entre o bem e o mal, ser e não ser, querer e poder, eu desligaria a televisão e ia ler um livro...

 

 

Se você pudesse me dizer

Se você soubesse o que fazer

O que você faria?

Aonde iria chegar?...

(Chegar! Chegar!)

 

Se você soubesse quem você é

Até onde vai a sua fé

O que você faria?

Pagaria pra ver...

 

Se pudesse escolher

Entre o bem e o mal

Ser ou não ser

Se querer é poder

Tem que ir até o final

Se quiser vencer

 

Se pudesse eu te levaria

Até onde você quer chegar

O brilho das estrelas

O primeiro lugar...

 

Se pudesse escolher

Entre o bem e o mal

Ser ou não ser

Se querer é poder

Tem que ir até o final

Se quiser vencer...

 

O mundo é perigoso

E cheio de armadilhas

De mistério e gostos

Verdades e mentiras...

 

Viver é quase um jogo

Um mergulho no infinito

Se souber brincar com fogo

(Se souber brincar com fogo!)

Não há nada mais bonito

Não!

 

Oh!

Se pudesse escolher

Entre o bem e o mal

Ser ou não ser...

Se querer é poder

Tem que ir até o final

Se quiser vencer...

 

  

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Quer Ver Paulo Ricardo Cantando a Música no YouTube? Clique Aqui

 

 

 

 

Você Sabia?

 

Paulo Ricardo ficou conhecido em todo o país como líder do RPM, um dos maiores sucessos fonográficos dos anos 80. O grupo começou a ser formado em 1976, quando Paulo conheceu Luiz Schiavon. Nos anos seguintes, a formação ficou completa com Fernando Deluqui e Paulo Pagni. Após um começo tímido, em 1984, o RPM estourou dois anos depois, com o disco “Rádio Pirata - Ao Vivo”. O álbum vendeu mais de dois milhões de cópias. Essa e outras histórias você encontra em:

 

 

www.pauloricardo.com

http://pt.wikipedia.org/wiki/RPM_(banda) 


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“Jabaculê” e Ignorância

 

 

 

 

Vamos à última parte da reflexão de Jaime Pinsky em O Elogio da Ignorância:

 

 

De resto, tenho uma profunda desconfiança... Não do saber autêntico desenvolvido através dos séculos por brasileiros do Norte ao Sul, mas de certa “cultura”, orquestrada por programadores musicais cevados por “jabaculês” fornecidos pelas grandes gravadoras, por sinal, multinacionais. E confundir a cultura do “jabaculê” com cultura popular ou é burrice incurável, ou má fé evidente. Colocar a cultura, chamemos assim, erudita, à disposição do povo, não quer dizer impô-la, evidentemente, mas permitir o contato entre eles. Livre escolha. Elitista mesmo é não permitir esse acesso e, em nome de um populismo pseudo-respeitoso, abandonar a população à breguice rançosa que grassa nos meios de comunicação de massa.

 

O elogio da ignorância, que desqualifica a leitura, a música de qualidade, a cultura artística e humanista, tenta se apresentar como atitude democrática, mas não o é. Trata-se de uma face disfarçada do preconceito e da discriminação.

 

Não há porque engolir isso. Venha de quem vier.

 

 

 

Você Sabia?

 

Além de palestrante, articulista e diretor da Editora Contexto, Jaime Pinsky é um conceituado professor de História. Livre-docente pela Universidade de São Paulo, é atualmente titular da Unicamp, nas áreas de História Antiga e Medieval. Também já lecionou na Unesp e na própria USP. Essa e outras histórias você encontra em:

 

 

www.jaimepinsky.com.br


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Besta é Tu!

 

 

Novos Baianos: a melhor mistura de hippie com baiano

 

 

Uêba! Agora eu trago um grande sucesso dos anos 70. O grupo “Novos Baianos” canta a música Besta é Tu, uma composição de Luiz Galvão, Moraes Moreira e Pepeu Gomes. Como eles diziam, é “preci-necessário” combater a ignorância!

 

 

Besta é tu, besta é tu

Besta é tu, besta é tu

 

Não viver nesse mundo, se não há outro mundo.

 

(Por que não viver?)

Não viver nesse mundo

(Porque não viver?)

Se não há outro mundo

(Por que não viver?)

Não viver outro mundo

 

Besta é tu, besta é tu

Besta é tu, besta é tu

 

Não viver nesse mundo, se não há outro mundo

 

(Por que não viver?)

Não viver nesse mundo

(Porque não viver?)

Se não há outro mundo

(Por que não viver?)

Não viver outro mundo

 

E pra ter outro mundo, é preci-necessário

Viver, viver contanto em qualquer coisa

Olha só, olha o sol. O maraca domingo. O perigo na rua

 

O brinquedo menino

A morena do Rio, pela morena eu passo o ano olhando o Rio

Eu não posso com um simples requebro

Eu me passo, me quebro, entrego o ouro

 

Mas isso é só porque ela se derrete toda só porque eu sou baiano

Mas isso é só porque ela se derrete toda só porque eu sou baiano

  

 

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Você Sabia?

 

O grupo “Novos Baianos” foi criado em 1969. Influenciados pela contracultura e Tropicália, gravaram alguns dos discos mais conceituados da história da MPB. A formação original reunia Luiz Galvão, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo. Nos shows, eram acompanhados pela banda “A Cor do Som”, dos irmãos Pepeu e Jorginho Gomes. A parceria acabou em casamento e Pepeu entrou para o grupo, ao lado da esposa Baby. Essa e outras histórias você encontra em:

 

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Novos_Baianos


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Com Inveja da TV

 

 

 

 

A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redação e nessa redação o que eles gostariam que Deus fizesse por eles. À noite, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada. O marido, nesse momento, acaba de entrar, a vê chorando e diz: “O que aconteceu?” Ela responde: “Leia”. Era a redação de um menino.

 

“Senhor, esta noite te peço algo especial: me transforme em um televisor. Quero ocupar o seu lugar. Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor...

 

Ser levado a sério quando falo... Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem questionamentos.

 

Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.

 

E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me. E ainda que meus irmãos “briguem” para estar comigo.

 

Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.

 

E, por fim, que eu possa divertir a todos.

 

Senhor, não te peço muito...

 

Só quero viver o que vive qualquer televisor!”

 

Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: “Meu Deus, coitado desse menino. Nossa, que coisa esses pais”.

 

E ela olha e diz: “Essa redação é do nosso filho”.


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Como Nossos Pais?

 

 

Elis... que saudade desse sorriso!

 

 

Ao falar nessas questões de pais e filhos, não posso deixar de trazer um clássico, uma música para se “ouvir de joelhos”. Elis Regina, a nossa eterna musa da MPB, canta Como Nossos Pais, de Belchior:

 

 

Não quero lhe falar

Meu grande amor

Das coisas que aprendi

Nos discos...

 

Quero lhe contar como eu vivi

E tudo o que aconteceu comigo...

 

Viver é melhor que sonhar

Eu sei que o amor

É uma coisa boa

Mas também sei

Que qualquer canto

É menor do que a vida

De qualquer pessoa...

 

Por isso cuidado meu bem

Há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal

Está fechado pra nós

Que somos jovens...

 

Para abraçar seu irmão

E beijar sua menina, na rua

É que se fez, o seu braço

O seu lábio e a sua voz...

 

Você me pergunta

Pela minha paixão

Digo que estou encantada

Como uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade

Não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento

Cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva

Do meu coração...

 

Já faz tempo

Eu vi você na rua

Cabelo ao vento

Gente jovem reunida

Na parede da memória

Essa lembrança

É o quadro que dói mais...

 

Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Como os nossos pais...

 

Nossos ídolos

Ainda são os mesmos

E as aparências

Não enganam não

Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém...

 

Você pode até dizer

Que eu tô por fora

Ou então

Que eu tô inventando...

 

Mas é você

Que ama o passado

E que não vê

É você

Que ama o passado

E que não vê

Que o novo sempre vem...

 

Hoje eu sei

Que quem me deu a idéia

De uma nova consciência

E juventude

Tá em casa

Guardado por Deus

Contando vil metal...

 

Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo, tudo

Tudo o que fizemos

Nós ainda somos

Os mesmos e vivemos

Ainda somos

Os mesmos e vivemos

Ainda somos

Os mesmos e vivemos

Como os nossos pais...

 

  

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Você Sabia?

 

O cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em Sobral, em 26 de outubro de 1946. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste a alcançar o sucesso nacional. Começou como radialista, ainda no Ceará. Em 1971, se mudou para o Rio de Janeiro, disposto a lançar sua carreira de cantor. O reconhecimento chegou com “Alucinação”, o seu segundo disco. Entre outros sucessos, trazia “Velha Roupa Colorida”, “Como Nossos Pais” e “Apenas um Rapaz Latino-americano”. Essa e outras histórias você encontra em:

 

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Belchior

http://pt.wikipedia.org/wiki/Elis_Regina 


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Tanta Porcaria

 

 

 

 

Fui ligar a televisão na hora do jantar e meus filhos protestaram. “Chega, pai. Não agüentamos mais ouvir tanta porcaria”...

 

“Tanta porcaria”... É só abrir o jornal ou a revista. Ligar o rádio ou a televisão. Navegar pela Internet. Telefonar pro amigo. Bater um papo no bar da esquina. Conversar com o taxista. Tanta porcaria.

 

A isso foi reduzido o meu país: tanta porcaria...

 

Pois refleti sobre o que ouvi de meus filhos. Sobre a cabeça de uma juventude que está mergulhada completamente em “tanta porcaria”. E comecei a entender o espaço ocupado pelas baixarias na televisão. Pelos videogames. Pelas baladas sem fim. Pela aparente desconexão dos jovens com a realidade social do país. Afinal de contas, a opção é “tanta porcaria”...

 

Meu avô dizia que meu pai ouvia porcaria. Meu pai dizia que eu ouvia porcaria. Eu digo que meu filho ouve porcaria. E o meu filho vai dizer que o meu neto ouve porcaria. Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!

 

E o que é que um clima constante de “tanta porcaria” é capaz de criar? Uma população de gente cansada, inerte, decepcionada, desligada, despreocupada, descomprometida.

 

Pare um pouco e pense. Você acordou de manhã, cheio de energia para ir trabalhar, estudar, cuidar de sua vida. Abre os olhos para o mundo e o que vê é “tanta porcaria”. Abre os ouvidos para o mundo e o que ouve é “tanta porcaria”. O que acontece com sua energia? Com sua motivação? Com seu tesão? Estamos vivendo neste Brasil de começo de milênio um processo poderoso de desmotivação, de humilhação, de desilusão, causado pela exposição sistemática, diária e constante a “tanta porcaria”.

 

No entanto, conheço outro Brasil. Nele vivo eu, você, nossos amigos e parentes, uma porção de brasileiros honestos e trabalhadores. Esse outro Brasil é gigantesco, cheio de coisas positivas, com milhões de pessoas fazendo acontecer, com gente honesta e empresas de primeiro mundo, com arte, cultura e um futuro promissor. Nesse Brasil existe dignidade, amor, virtudes, moral... Mas ele só aparece na televisão em novelas. Como se fosse ficção. Não existe espaço para esse outro Brasil que eu conheço, em meio a “tanta porcaria”. O quê? Você também acha? Então me diga!

 

O que é que você vai fazer a respeito?


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Vai Popozuda!

 

 

De Falla: uma banda completamente irreverente!

 

 

Por falar em porcaria... Tá pensando o quê? Aqui no Café Brasil cabe de tudo quando eu estou atacado! Juro que tentei botar um funk, mas ainda não deu... Então venho com a banda gaúcha “De Falla”, com a música Popozuda Rock’n’Roll. Aqui eles detonam um “rockpunkheavyfunk”... Vai popozuda!!!

 

 

Vai popozuda vai descendo até o chão 
Quebrando na batida do Miami Pancadão
Eu tenho a força cavaleiro de Jedi
Então vem popozuda vai, vai 
Vai popozuda vai po po pozuda 
Vai popozuda requebra legal
Vai popozuda vai po po pozuda
Vai popozuda libera geral
É popozuda prá lá, é popozuda pra cá
É popozuda de Ipanema, é popozuda do Irajá
Eu tenho a força cavaleiro de Jedi
Então vem popozuda vai 
Vai popozuda vai po po pozuda 
Vai popozuda requebra legal
Vai popozuda vai po po pozuda
Vai popozuda libera geral

 

  

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Você Sabia?

 

Uma das bandas gaúchas mais alternativas da história, o “De Falla” surgiu em 1984. Seu nome é uma homenagem ao compositor espanhol Manuel De Falla. O som é uma mistura de “quase tudo”, como punk, hard rock, heavy metal e até funk. Um dos maiores sucessos da banda é a música da “popozuda”, que estourou nas paradas como tema da “Feiticeira” Joana Prado. Essa e outras histórias você encontra em:

 

 

http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/de-falla.asp 


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Saudades dos Meus Heróis

  

 

Gutemberg e Julinho: a MPB tem muito futuro

 

 

É claro que eu não poderia terminar o nosso DLOG com a popuzuda... Vou deixar mais uma prova de como é possível resistir e fazer a diferença. Para me despedir, trago a canção Aos Meus Heróis, uma homenagem aos grandes mestres da nossa música, feita pela dupla Julinho Marassi & Gutemberg. A letra é fantástica:

 

 

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

 

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema.

 

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

 

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

 

Eu quero “a benção” de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando “como nossos pais”,
E “se eu quiser falar com...” Gil sobre o Flamengo,
“O que será” que o nosso Chico tá escrevendo.

 

Aquelas “rosas” já “não falam” de Cartola
E do Cazuza “te pegando na escola”.
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus “20 e poucos anos”.

 

Se o Renato teve seu “tempo perdido”,
O Rei Roberto “outra vez” o mais querido.
A “agonia” do Oswaldo Montenegro,
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.

 

Ter tido a “sorte” de escutar o Taiguara
E “Madalena” de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a “morena tropicana” do Alceu,
Marisa Monte me dizendo ”beija eu”,

Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu.

 

O Zé Rodrix em sua “casa no campo”,
Levou Geraldo pra cantar no “dia branco”.
No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi,
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.

 

Pedir ao Beto um novo “sol de primavera”,
Ver o Toquinho retocando a “aquarela”,
Ouvir o Milton “lá no clube da esquina”,
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

 

Quero “sem lenço e documento” o Caetano.
O Djavan mostrando a cor do “oceano”.
Vou “caminhando e cantando” com o Vandré.
E a outra vida, Gonzaguinha, “o que é?”

 

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

 

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.

 

  

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Você Sabia?

 

Conhecida como “A Dupla Número 1 do Sul Fluminense”, Julio César Marassi e Gutemberg Monteiro da Silva estão na estrada desde 1990. Mantém viva a tradição do estado em gerar grandes nomes da MPB. Apesar de quase não aparecerem na mídia, fazem cerca de seis shows por semana. Já se apresentaram em diversos estados brasileiros e no exterior. Essa e outras histórias você encontra em:

 

 

www.julinhomarassiegutemberg.com.br  


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Vamos Resistir!

 

 

 

 

Encerro o nosso DLOG Café Brasil sobre O Elogio da Ignorância com essa pergunta provocadora de Jaime Pinsky. O que você acha?

 

Gostou? Não gostou? Quer ouvir e baixar este programa em podcast? Clique Aqui.

 

Mergulhe neste Cafezinho. Você ganhará uns minutos nutritivos... 

 

Até o próximo DLOG!

 

Luciano Pires

www.lucianopires.com.br

cafebrasil@lucianopires.com.br 

 

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Clique e leia as edições anteriores:

27 - BISSEXTO
26 - EU SEI MAS NÃO DEVIA
25 - TEMPO TEMPO TEMPO TEMPO
24 - INSPIRANDO OU CHOCANDO
23 -
AS RÃS E O POÇO
22 - SÃO PAULO DA GAROA
21 - O HOMEM ROMÂNTICO
20 - OS CAGONAUTAS
19 - O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ
18 - A IGNORÂNCIA POLÍTICA
17 - QUEM É VOCÊ?
16 - VERGONHA DE SER BRASILEIRO
15 - SIM OU NÃO?
14 - LETRAS DA MINHA EMOÇÃO
13 - SAUDADE DÓI
12 - ASA BRANCA
11 - DON FACUNDO
10 - COMPETÊNCIA ESPIRITUAL
09 - O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL
08 - DAS VANTAGENS DE SER BOBO
07 - DUAS ESPÉCIES DE EDUCAÇÃO
06 - DEIXA A VIDA ME LEVAR
05 - LIMITE DA TOLERÂNCIA
04 - BEM-HUMORADO
03 - A CERTEZA DA IGNORÂNCIA
02 - LOUCOS ESSENCIAIS
01 - CONECTIVIDADE 
 

 

 

 

SPAM É FALTA DE RESPEITO

 

Tomamos a liberdade de lhe enviar o DLOG Café Brasil, pois o seu e-mail faz parte de nosso cadastro. Ele foi colocado lá por você ou por algum amigo (ou inimigo) que achou que você iria gostar (ou odiar).


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