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| Dlog Café Brasil - 24/1/2008 4:06:00 - N° 21 |
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Dlog Café Brasil - O HOMEM ROMÂNTICO |
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Taiguara Chalar da Silva
Bem-vindo ao DLOG Café Brasil. Hoje relembro um dos mais importantes compositores e cantores da história da musica brasileira. A partir da sua trajetória, também vou procurar definir um ser em extinção: o homem romântico.
Começo com uma frase dele:
“Vai, não espere venha a vida em suas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
E o mundo inteiro vai ser teu”
A trilha sonora traz os principais sucessos de Taiguara: Hoje, Teu Sonho Não Acabou, Modinha, Carne e Osso, Viagem, Mudou, Que as Crianças Cantem Livres e Universo no Teu Corpo.
Espero que goste da edição, compartilhe suas opiniões e siga acompanhando o Programa Café Brasil pelo rádio ou podcast.
Boa leitura!
Luciano Pires
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Entre Amores, Músicas e Fortes Opiniões
No inesquecível “Juão Sebastião Bar”
Taiguara Chalar da Silva nasceu em Montevidéu, capital do Uruguai, em 1945. Veio para o Rio de Janeiro aos quatro anos. Aos oito, ganhou um piano do avô. Começou a compor aos 10. Cinco anos depois, mudou-se para São Paulo. Ao completar a maioridade, começou a cantar na noite. Acabou contratado pela Philips-Polygram e, aos 20 anos, lançou o seu primeiro LP.
Em 1964, teve a oportunidade de mostrar o seu trabalho no Juão Sebastião Bar, onde toda quarta-feira a já veterana Claudette Soares abria espaço para músicos iniciantes, como César Camargo Mariano, Toquinho e Chico Buarque. O contato com Claudette transformou-se em amizade. Dois anos depois, juntaram-se ao Jongo Trio para criar o show Primeiro tempo: 5 x 0. Foi nesse espetáculo que Taiguara compôs Hoje, um dos seus maiores sucessos.

“Hoje”, lançado em 1969, um clássico!
A canção Hoje foi a faixa-título do disco lançado em 1969. É considerado um dos melhores trabalhos do músico. Além de composições próprias, traz canções de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Milton Nascimento, Aldir Blanc, entre outros. Vamos à letra:
Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo
Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Pois viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos
Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas
Na solidão das noites frias por você
Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte
Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte
Ah, sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim
Como eu te amei
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Versátil, capaz de navegar por mares de diversos gêneros musicais, Taiguara postou-se contra a repressão imposta pela ditadura militar à classe artística. Em 1971, a canção A Ilha chamou a atenção da censura. Nos dois anos seguintes, teve 11 músicas proibidas.
Anos de Chumbo: disco censurado em 1974
O disco Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara, de 1975, teve participações especiais de Hermeto Pascoal e Wagner Tiso, além de uma curiosidade: Ge Chalar da Silva, esposa de Taiguara, foi quem assinou as letras das músicas, de forma a contornar a censura. O disco seria lançado em 1976, num show no Rio Grande do Sul, com as presenças de Hermeto e Toninho Horta, mas o espetáculo foi cancelado.
Entre 1968 a 1975, seus sucessos eram freqüentes nas rádios, com destaque para Universo no Teu Corpo, Hoje, Viagem e Teu Sonho não Acabou.

Para Taiguara, piano rimava com viola
A música Teu Sonho Não Acabou faz parte do disco Taiguara, Piano e Viola, de 1972. Além da sonoridade, o trabalho marcou a competência do artista como compositor. Traz 12 faixas, todas com letras próprias. Vamos apreciar:
Hoje a minha pele já não tem cor
Vivo a minha vida seja onde for
Hoje entrei na dança e não vou sair
Vem que eu sou criança não sei fingir
Eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Lá onde eu estive o sonho acabou
Cá onde eu te encontro só começou
Lá colhi uma estrela pra te trazer
Bebe o brilho dela até entender
Que eu preciso...
Só feche o seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube a sombra, não sabe a luz
Vem não perde o amor de quem te conduz
Eu preciso...
Nós precisamos, precisamos sim
Você de mim, eu de você.
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Em Londres, primeiro “auto-exílio”
Ainda na década de 70, Taiguara viveu na Inglaterra, França, Tanzânia e Etiópia. Estudou regência em Londres, onde gravou Let the Children Hear the Music, em inglês. O disco foi proibido de ser lançado, pela EMI, por decisão da Polícia Federal brasileira.
Com a família e o amigo Luís Carlos Prestes
Taiguara retornou ao Brasil em 1978, aprofundando-se nas pesquisas das sonoridades africanas e paraguaias, que resultaram no disco Brasil Afri. Em 1990, seu último show, montado no Teatro João Caetano, com roteiro e direção de Ricardo Cravo Albin, e gravado pela TV Manchete, teve repercussão nacional.
O músico faleceu em São Paulo, de câncer na bexiga, no dia 14 de fevereiro de 1996, quando preparava o repertório do disco seguinte, onde tocaria sambas que falavam sobre pobreza e alegria de viver nos morros cariocas.
Ao piano, transformando notas musicais em sentimentos
É... Taiguara é de um tempo em que havia cantores românticos no Brasil. Pra fazer sucesso não precisava ter cabelo arrepiado, bunda de fora e perna grande. Não precisava dançar e sair gritando, não precisava fazer barulho. Bastava cantar com o coração.
Você Sabia?
Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar, Taiguara foi um dos compositores mais perseguidos da historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas. Em 1975, o disco Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara, considerado sua obra-prima, teve todas as cópias recolhidas por ordem dos militares em poucos dias. Essa e outras histórias você encontra em:
http://fotolog.terra.com.br/taiguarachalardasilva
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taiguara
www.flamas.blogger.com.br
www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com
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Taiguara em seu Melhor
O disco de 1968 o consagrou como cantor
Agora que você já conheceu (ou relembrou) a história de Taiguara, vou trazer mais uma série de sucessos. A canção Modinha, de Sérgio Bittencourt, foi um das faixas principais do disco Taiguara - O Vencedor de Festivais, lançado pela Odeon em 1968. O cantor interpreta 11 músicas de diversos compositores consagrados, como Chico Buarque, Wagner Tiso, Antonio Adolfo e Renato Teixeira. Confira:
Olho a rosa na janela
Sonho um sonho pequenino
Se eu pudesse ser menino eu roubava esta rosa
E ofertava todo prosa à primeira namorada
E nesse pouco ou quase nada
Eu dizia o meu amor, o meu amor
Olho o sol findando lento
Sonho um sonho de adulto
Minha voz na voz do vento indo em busca do teu vulto
E o meu verso em pedaços só querendo o teu perdão
Eu me perco nos teus passos
E me encontro na canção
Ai amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor...
Ai amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor...
Ai amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor...
Ai amor, eu vou morrer, eu vou morrer,
Buscando o teu amor...
Eu vou morrer de muito amor
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Carne e Osso: a censura ficou “de olho”
Carne e Osso foi a faixa-título de um álbum que deu o que falar. Lançado em 1971, no auge da repressão, trazia um conteúdo ideológico que não passou despercebido pelos militares. Marcou o início da censura a Taiguara.
Carne e Osso
Eu quero sim
Eu quero coisas novas
Mas o que eu procuro mesmo são mais vidas
Eu grito sim
Mas grito meu lirismo
E o meu grito vai sanar minhas feridas
E a música e a mística
Aplicam sangue novo no meu ser
Calo a minha dor
E o lúcido, e o válido e o sólido
Vão matar você que evita o seu amor
Por isso eu vou
Trazer você comigo
Programar o amor em seus computadores
Vou mais além
Eu morro mas consigo
Germinar a minha flor em seus rancores
Nem dúvidas, nem dívidas
Jamais vão destruir a minha flor dentro de você
Que cérebro, que máquina?
Conseguem fazer mais que um grande amor dentro de você
Saiba quem agride a minha lira
Quanto mais ferida, mais diz o que sente
Ainda vou ouvir você dizer pra mim, eu amo sim
Sou carne, sou osso, sou gente
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“Viagem” foi um dos principais discos de Taiguara
Quando lançou Viagem, em 1970, Taiguara era um artista consagrado. Neste disco, emplacou dois grandes sucessos: a faixa-título e a canção “Universo no Teu Corpo”. O álbum ainda trazia composições de Ivan Lins, Chico Buarque e Vinicius. Fique com a poesia da letra de Viagem:
Vai abandona a morte em vida em que hoje estás
Ao lugar onde essa angustia se desfaz
E o veneno e a solidão mudam de cor
Vai indo amor
Vai recupera a paz perdida e as ilusões,
não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
Vai faz de um corpo de mulher estrada e sol
Te faz aman...te Faz meu peito errante
Acreditar que amanheceu
Vai corpo inteiro mergulhar no teu amor
Nesse momen...to vai ser teu momento
O mundo inteiro vai ser teu, teu, teu
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Contracapa de “Taiguara, Piano e Viola”
Vou fechar o segundo bloco de sucessos de Taiguara com Mudou, outra música de destaque do disco Taiguara, Piano e Viola.
Mudou
Mudou o tempo e o que eu sonhei pra nós
Mudou a vida o vento a minha voz
Mudou a rua em que eu te conheci
Mudou
A ilusão da paz do nosso amor
Mudei as rimas do meu verso cru
E o sol mudou de cor meu corpo nu
Mudou
O impulso aflito de dizer que não
A lua é nova e é nova a informação
Mudou meu céu e vai mudar meu chão
A terra ardeu e o céu desmoronou
E há o que fazer e a flor não me ensinou
E há o que fazer meu sonho não mostrou
Mudou
E vai mudar enquanto eu não morrer
E vai mudar pro amor sobreviver
Vê se me entende eu mesmo não mudei
Eu sou o mesmo livro, podes ler
Eu sou o mesmo livre pra dizer:
Que eu amo ainda
Que eu quero ainda
Te espero ainda
Pro amor!
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O Homem Romântico
Taiguara: endurecer sem perder a ternura
Vou seguir com um texto escrito por Marcelino Rodriguez, escritor hispano-brasileiro, chamado O Homem Romântico - Réquiem por Taiguara, publicado em 1999 no livro O Espião de Jesus Cristo, da Editora Luz do Milênio.
O homem romântico, em geral, não é compreendido pelas demais pessoas do mundo. Parece ingênuo, mesmo tolo. Vou basear-me, para tentar caracterizar o homem romântico, em Taiguara, incompreendido já na sua época; houve mesmo quem o achasse melodramático pela canção “Hoje”, que me parece extremamente atual.
Só que o homem romântico é um tipo superior de homem. Por favor, entendam que não me refiro à um fenômeno literário apenas, que, no nosso caso específico, foi o que sofreram os chamados poetas do “mal do século”, que foi um caso datado, sem querer desmerecê-los. Falo do romântico atemporal, o próprio arquétipo do cavaleiro valente, do homem honrado e ético.
Além de uma visceral autenticidade, o que mais poderia caracterizar o homem romântico? Colin Wilson, em prefácio à um livro de H. P. Lovecraft, conta a seguinte história, para diferenciar o homem romântico do homem prático.
Um navio vai em alto mar, em viagem tediosa, carregando toda uma tripulação condenada, apenas, numa viagem sem fim, a descascar batatas. De repente, toda tripulação começa a ouvir um canto misterioso, vindo das profundezas do oceano. Os homens práticos, desconfiados de que aquilo poderia ser um delírio perigoso, voltam as costas aquele canto e seguem, na viagem interminável, descascando suas batatas. Os homens românticos, presumindo que aquele som mavioso poderia ser o canto das sereias, mergulham fundo no oceano, abandonando o navio, partindo em busca do maravilhoso, do desconhecido.
O homem romântico é um aventureiro, mas não um irresponsável. O amor é sua prioridade máxima na vida; não o amor apenas por uma mulher, mas pelas causas artísticas, sociais, políticas; na verdade, ele está empenhado em concretizar uma utopia qualquer. O homem romântico, ao contrário dos práticos, não é um comerciante, é um comunitário. Preocupa-se, responsabiliza-se, não compete; alegra-se em praticar a solidariedade, não para receber aplausos. Praticar o bem é uma guerra particular dele, tanto como sua alegria. O reconhecimento que espera são as amizades que conquista, o sorriso de uma criança ou a paz profunda, a sensação do dever cumprido. É claro que sofre decepções, tristezas profundas, mas ninguém se lhes iguala em entusiasmo.
Por apoiar-se em valores reais, a força do romântico é incomensurável. Por ser sincero, faz amigos com facilidade; por ser amoroso, conquista o amor do povo; por ser confiável, conquista a proteção dos poderosos. Como o amor e a generosidade são o seu lema, pois ignora preconceitos, o homem romântico vive em qualquer lugar como se fosse sua casa.
Fernando Pessoa dizia que é preciso ser prático para ser gerente de uma fábrica de tachinhas, mas é preciso ser romântico para criar um mundo. Entendam que quando falo "prático", não me refiro ao estereótipo fácil. Eu sei que pensar dá trabalho, mas é preciso. É possível realizar-se utopias. O romântico é um sonhador, não um deslumbrado. Não creio que Taiguara, o romântico da vez, haja tido maiores problemas com suas contas.
Romântico é aquele que aceita suas visões, seus sentimentos. É aquele que age por paixão, não a paixão que escraviza, mas a que liberta. Não teme a loucura, pois sabe que quem quiser fazer-se de sábio neste mundo, tem que fazer-se de louco. O homem romântico sofre de uma curiosidade insaciável; quer saber de tudo, lê de tudo, acumula sabedoria das mais variadas fontes. Uma vez perguntaram a Chopin, ao vê-lo com uma pilha de livros sobre vários assuntos, se ele não tinha medo de enlouquecer. A resposta?
- “Bem, se eu não ficar louco, serei um gênio”.
E a mulher, que papel desempenha para o homem romântico? O fim último desta vida terrena, sua conquista máxima. O refúgio da sua solidão, o seu consolo no desencanto. Alguém que ele ama e protege como a sua Igreja; o amor é a religião do romântico. Cavalheiro, homem algum pode tratar melhor uma mulher; fraterno, ninguém pode ser melhor companhia. O próprio mundo feminino justifica-se pelo homem romântico, que o honra e protege.
E agora, enfim, diante da realidade, que é a de que a humanidade não é exemplo de bondade para fera alguma, que o número de egoístas e insensíveis é infinitamente maior, como pode subsistir o homem romântico? Qual o segredo da sua sobrevivência? Simples: a grandeza de sua própria alma.
Entre a música, rosas e Pablo Neruda
O homem romântico vive no seu próprio mundo. Apenas passa por este, deixando algumas flores do seu ideal maior, que seria a realização plena de sua humanidade. Mas ele é muito roubado pelo caminho, em termos de criação. Sofre uma solidão insuspeitada, pois tem olhos de águia. Vê e presente coisas que passam despercebidas ao outros. De modo que ele morre, quando não completamente desiludido, satisfeito, por saber que a morte pode ser uma nova utopia, uma nova aventura, ainda que a do descanso eterno. Certa vez, no programa Sem Censura, a apresentadora perguntou a Taiguara porque ele havia deixado o país. Com um sorriso enigmático, grandeza de menino, ele respondeu:
- “Não posso viver num país que não compartilha das minhas idéias”.
E, ali, pude compreender o quanto um homem pode ser grande e, um país, pequeno.
Você Sabia?
Poeta e escritor, Marcelino Rodriguez é autor de oito livros. Nasceu no Rio de Janeiro, filho de um espanhol da Galícia e uma brasileira. É considerado um dos autores expoentes da sua geração. Essa e outras histórias você encontra em:
http://marcelinorodriguez.blogger.com.br
www.paralerepensar.com.br/marcelino.htm
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Na "Saideira"...
Fotografias: grande sucesso de 1973
Vou fechar a parte musical com mais dois sucessos de Taiguara. O primeiro é um clássico do disco Fotografias. Lançado em plena ditadura e AI-5, traz canções como “O Mundo é um Só” e Que as Crianças Cantem Livres, que você confere a seguir:
O tempo passa e atravessa as avenidas
E o fruto cresce, pesa e enverga o velho pé
E o vento forte quebra as telhas e vidraças
E o livro sábio deixa em branco o que não é
Pode não ser essa mulher o que te falta
Pode não ser esse calor o que faz mal
Pode não ser essa gravata o que sufoca
Ou essa falta de dinheiro que é fatal
Vê como um fogo brando funde um ferro duro
Vê como o asfalto é teu jardim se você crê
Que há sol nascente avermelhando o céu escuro
Chamando os homens pro seu tempo de viver
E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
E que o passado abra os presentes pro futuro
Que não dormiu e preparou o amanhecer...
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Quem esteve num show de Taiguara não esquece...
Escolhi a canção Universo no Teu Corpo para encerrar. Composta por Taiguara, foi outro grande sucesso do disco Viagem. A letra é pura poesia:
Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
Uma gente que não viva só pra si
Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi
Por uns velhos vão motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se une em versos a canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se une em versos a canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
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Exemplo de Sensibilidade
Ilustração de Taiguara para o
disco Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara
Depois de tamanho “banho” de poesia e sensibilidade, nada melhor do que encerrar o DLOG Café Brasil com mais um pouquinho mais de Taiguara:
Vem que eu digo
Que estou morto
Pra esse triste mundo antigo
Que meu corpo, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
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Luciano Pires
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20 - OS CAGONAUTAS
19 - O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ
18 - A IGNORÂNCIA POLÍTICA
17 - QUEM É VOCÊ?
16 - VERGONHA DE SER BRASILEIRO
15 - SIM OU NÃO?
14 - LETRAS DA MINHA EMOÇÃO
13 - SAUDADE DÓI
12 - ASA BRANCA
11 - DON FACUNDO
10 - COMPETÊNCIA ESPIRITUAL
09 - O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL
08 - DAS VANTAGENS DE SER BOBO
07 - DUAS ESPÉCIES DE EDUCAÇÃO
06 - DEIXA A VIDA ME LEVAR
05 - LIMITE DA TOLERÂNCIA
04 - BEM-HUMORADO
03 - A CERTEZA DA IGNORÂNCIA
02 - LOUCOS ESSENCIAIS
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