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Dlog Café Brasil - 28/11/2007 5:48:00 - N° 15
         
    Dlog Café Brasil - SIM OU NÃO?    
   



DLOG? O QUE É DLOG?  

Blogs são páginas publicadas na rede, em sua maioria, por indivíduos que querem dividir com outros leitores suas reflexões. O nome vem de “web log”, “diário na web”. Blogs são reativos. São publicados e ficam lá, à espera dos visitantes.

 

Pensamos em criar um blog diferente, que fosse até os leitores de forma proativa. Um blog que chegasse por e-mail. Nasceu assim o “Delivery Blog”. Ou DLOG. O nome é ruim? Pode ser. Mas “Youtube” também é...

 

Periodicamente, você receberá o DLOG Café Brasil em sua caixa postal. Também poderá acompanhar todas as edições publicadas em www.lucianopires.com.br/dlog.  

 

O conteúdo do DLOG é o mesmo do Programa Café Brasil, que é produzido e apresentado semanalmente por Luciano Pires em algumas rádios do país e depois transformado em podcasts que você pode ouvir em www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast.

 

O que estiver escrito ou mencionado aqui, pode ser ouvido lá. O programa de rádio tem o ritmo, o som e a emoção que a voz pode trazer. E o boletim traz as imagens, letras, biografias e links que a Internet proporciona. Um complementa o outro.

 

Rádio-Podcast-DLOG... Leia o DLOG. Baixe o podcast. Ouça o programa. Visite o site. Participe de uma inédita integração entre mídias. Deixe o Café Brasil envolver você!

 


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“Quando você tem que fazer uma escolha e não a faz, isso por si só já é uma escolha” - William James, filósofo estadunidense

 
 

 

Bem-vindo ao DLOG Café Brasil. Na edição de hoje, parto do exemplo de um amigo e ex-funcionário para falar sobre a importância de tomarmos decisões na vida. Sair “de cima do muro” e aprender a dizer “Sim” e “Não”.

 

Na parte musical, trago apenas gente decidida a buscar o melhor, como Luiz Tatit, Angra, Marisa Monte e Marina Lima. Raul Seixas também não poderia faltar, com o clássico “Metamorfose Ambulante”.   

 

Espero que goste da edição, compartilhe suas opiniões e siga acompanhando o Programa Café Brasil pelo rádio ou podcast.

 

Boa leitura!

 

Luciano Pires


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De Metalúrgico a Metaleiro

 

 

 Aquiles Priester: saiu o terno, entrou o heavy metal

 

 

O Aquiles trabalhava dentro de uma de nossas fábricas no Rio Grande do Sul. Um dia, recebi a indicação de que ele poderia ser útil para o departamento de marketing, pois tinha um perfil de “fazer acontecer” que nós precisávamos. Convidei-o.

 

Eu não sabia, mas ele era um grande baterista. E vivia treinando, para se aperfeiçoar.

 

Um dia, já transferido para São Paulo, durante um churrasco, veio falar comigo. Estava agoniado, pois havia recebido um convite para ser o baterista da banda da turnê de Paul D´Iano, ex-vocalista do Iron Maiden, pela Europa.

 

O Aquiles era bom!

 

Mas sua agonia tinha razão de ser. Ele estaria arriscando seu emprego estável pela loucura de uma turnê de 30 dias com gente estranha, por lugares estranhos.

 

Minha resposta foi direta:

 

- Se você resolver não ir, vai passar o resto da vida perguntando o que teria acontecido se tivesse ido. E eu acho que não vale a pena viver com essa dúvida. Portanto, vá!

 

O Aquiles ficou um tanto atônito, mas acertamos para que ele fosse.

 

No fim, a tal da turnê não deu certo, mas o Aquiles decidiu entrar de cabeça na aventura de ser baterista de alguma banda.

 

Tempos depois, pediu demissão e partiu para seguir a sua vida.

 

 

 

 

 

 

 

A história do Aquiles é interessante, na medida em que coloca em evidência a questão de nossas decisões. Quantas vezes dizemos SIM, quantas dizemos NÃO?

 

Experimente fazer esse exercício diário e talvez você se assuste. Vai perceber que a grande maioria de suas decisões é baseada no NÃO.

 

Até inconscientemente, você decide pelo caminho mais seguro, de menor risco, mais confortável.

 

E assim, vai levando... Pode não estar no melhor dos mundos, completamente satisfeito, mas está familiarizado com a situação, que lhe é confortável. O NÃO ajuda a manter as coisas do jeito que estão.

 

Já o SIM...

 

Pode significar o mergulho numa aventura arriscada.

Pode significar a quebra de uma situação de conforto.

Pode significar um novo amor. Um novo chefe. Um novo desafio.

E normalmente, diante de um Sim, está um futuro incerto.

 

Eu fiz esse exercício, tentando encontrar um NÃO do qual me orgulho. Penei para achar, se é que achei. Mas de alguns SIM, lembrei rapidamente:

 

SIM, resolvi sair de casa aos 19 anos, para enfrentar a cidade grande, sozinho.

SIM, decidi estudar Comunicação em São Paulo, mesmo com o conforto, a garantia do pai e o curso de Engenharia Elétrica lá em Bauru.

SIM, decidi, ao me formar, abrir meu negócio próprio.

SIM, decidi arranjar um emprego formal quando resolvi me casar, mesmo que fora da minha área de atuação.

SIM, decidi vender tudo o que eu tinha e morar de favor na casa de um amigo, para conseguir comprar uma casa.

SIM, decidi falar, escrever e publicar, correndo os riscos da exposição.

SIM, decidi ir pro Everest.

 

Tenho milhares de SIM dos quais me orgulho. Todos implicaram em ações de risco. Todos me colocaram em situações desconfortáveis. Todos fizeram uma grande diferença em minha vida.

 

E descobri que sou movido à inspiração. A desafios. Sou movido pelo ímpeto de dizer SIM, vamos arriscar!

 

Mas conheço centenas de pessoas movidas pelo NÃO. Pobres coitados...

Chamam de segurança o que é insegurança.

Chamam de prudência o que é medo.

Chamam de conforto o que é submissão.

 

 

 

 

 

 

 

E o Aquiles?

 

Se tornou baterista do Angra, uma das mais importantes bandas de Metal do Brasil. Realizado, faz turnês pelo mundo afora, tem legiões de fãs e foi eleito o melhor baterista do Brasil. Está entre os melhores do mundo.

 

Seu segredo?

Ele escolheu o SIM.

E você?

Por que NÃO?

 

 

Você Sabia?

 

Quando era garoto, Aquiles Priester chegou a jogar futebol em Foz do Iguaçu (PR) e quase seguiu carreira nos campos. Mas o primeiro Rock in Rio mudou os seus planos para sempre. Depois de participar de diversas “bandas de garagem”, lançou seu primeiro disco em 1999, como integrante da banda Hangar. Desde então, foram 14 CDs, inclusive em trabalhos solo. Essas e outras histórias você encontra em:

 

www.aquilespriester.com

www.youtube.com/watch?v=fH6WXq8gJKk (Aquiles no YouTube)


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SIM para o Angra!

 

 

O sucesso do Angra contagiou o Japão este ano

 

 

Para abrir a parte musical, eu trago Caça e Caçador, com o Angra. A canção foi um dos sucessos do disco Hunters and Prey, lançado em 2002. Detonando na bateria e até assinando a co-autoria da música, está o meu amigo, Aquiles Priester!

 

 

Vai como um rei

Voa na presa

Espanta de vez

E a fome vem

 

Cruzando rios,

Montes e céus

Vaga no ar

Só outra vez

 

Morrendo o dia

Respira exausto

Estória sem fim

Matar ou morrer

 

Atrás da trilha

Olhos de águia

Fitam coelhos

Fogo de palha

 

Não sei bem quem sou

Caça ou caçador

Hoje e amanhã

O rio vai e eu vou atrás

 

A esperar resposta

Pro que vou dizer

Se o dia foi da caça

Quem irá saber?

 

Espero que o tempo

Faça-me entender

Que o corpo cai na terra

E ela há de comer, tudo outra vez!

 

Não sei bem quem sou

Nem pra onde vou

Sabes quem tu és

O rio vai e eu vou atrás

 

A esperar que o vento

Cobra ou condor

O dia foi da caça

Ou do caçador?

 

Espero que o tempo

Faça-me entender

Que o corpo cai na terra

E ela há de comer,

Tudo outra vez

Tudo outra vez

Tudo outra vez!!!

 

 

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Você Sabia?

 

O Angra foi formado na cidade de São Paulo, em 1991. Dois anos depois, gravou seu primeiro disco e alcançou um sucesso inesperado. Só no Japão, foram mais de 100.000 cópias vendidas. Da formação original, seguem apenas os guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.angra.net

www.youtube.com/watch?v=CsicdFN4r5o (Angra no YouTube)


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Pior é um Quase...

 

 

 

 

Vamos seguir com um texto de Sarah Westphal Batista da Silva. Chama-se Quase. A autora o escreveu sem qualquer pretensão, quase como um “desabafo”, e enviou para umas amigas. Virou um grande sucesso na Internet, chegando a ser atribuído ao escritor Luis Fernando Veríssimo.

 

 

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.

 

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

 

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

 

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

 

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto.

 

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia”, quase que sussurrados.

 

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

 

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

 

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

 

O nada não ilumina, não inspira, não aflige e nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

 

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

 

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

 

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


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Quer uma Coisa? Deixe o Quase de Lado!

 

 Tatit: apaixonado pela música e docência

 

 

Você já ouviu falar em Luiz Tatit?

 

Luiz Augusto de Moraes Tatit nasceu na cidade de São Paulo, aos 23 de outubro de 1951. Além de compositor, cantor e violonista é professor-doutor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

 

Sua música é uma verdadeira crônica. Hoje vou trazer duas composições. A primeira chama-se Quer uma coisa? Foi um dos destaques do seu primeiro disco, Felicidade, lançado em 1997.

 

 

quer uma coisa?
vai lá e pega
já pegou?
então sossega

dá o dedo, quer a mão
dá a mão, quer o braço
dá o braço quer o resto
e vai pegando por costume ou por engano
quando vê, tem um montão de bagatelas
escapando pelas portas e janelas
quando vê, tem pedaços de ele-pê
papéis soltos de dossiê
tem até uma borrachinha
de um antigo decavê

quer dar um beijo?
taí sua nêga
já beijou?
agora chega

dá a boca, quer o corpo
dá o corpo quer a alma
dá a alma quer o diabo
e vão nascendo jogos puros e obscenos
quando vê, tem um montão de bocas belas
distribuindo beijos como nas novelas
quando vê, tem boquinhas de morder
tem boquinhas de prazer
tem enfim tantas boquinhas
e nem tem o que dizer

hora de pegar
hora de abandonar
hora de ter seu lugar
hora de continuar

quer uma força?
vai lá e chora
ficou forte?
adeus, cai fora

quer uma cor chama os outros
chama os outros tem o dobro
vem o dobro vira festa
e se alastra com dee-jay e sonoplasta
quando vê, tem um montão de tagarelas
incitando as conversas paralelas
quando vê, tem uma rede de tevê
tem convites pra turnê
tem até uma tiete que não vive sem você

hora de pegar
hora de abandonar
hora de ter seu lugar
hora de continuar

quer uma coisa?
vai lá e pega
já pegou?
então sossega

quer dar um beijo?
taí sua nêga
já beijou?
agora chega

quer uma força?
vai lá e chora
ficou forte?
adeus, cai fora
adeus, cai fora
adeus, cai fora

 

 

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Depois do texto da Sarah, agora eu trago a música Quase, também composta por Luiz Tatit para o disco Felicidade.

 

Tatit iniciou sua carreira musical em 1974, com a criação do “Grupo Rumo”. Tinham o propósito de ampliar as perspectivas da composição, interpretação e arranjo da MPB. Anos depois, Luiz saiu do grupo, mas não parou mais. Pena que toca muito pouco nas rádios...

 

 

Desde que

Que cheguei aqui

Tive que

Que me decidir

Vou ficando

Vou vivendo

Ou devo partir

Fui ficando

Fui vivendo

Fui partir

Era muito tarde

Quase que parto

Mas estava inseguro

Quase que embarco

Num sonho maduro

Quase me curo

Quase, eu juro

Quase dou um grande salto

Para o futuro

Fiquei no caminho

Faltou só um pouquinho

 

Nunca estive tão perto de ser feliz

Olha! Só não deu certo porque eu não quis

Vi a sorte a um palmo do meu nariz

 

Só depois

Com você aqui

Só nós dois

Foi aí que eu vi

Como muda

Como fica

Bem melhor assim

Fui sentindo

Fui gostando

Quando vi

Quase estava amando

Quase que sinto

Um desejo violento

Quase que vivo

O maior sentimento

Quase me atinge

Me pega por dentro

Quase que eu me apaixono

Nesse momento

Pra desencantar

Resolvi contar

 

Mas você

Você não ouviu

Eu cheguei

Já cheguei febril

Murmurando

Qualquer coisa

Só que não saiu

Foi por pouco

Muito pouco

Mais um pouco

E eu diria tudo

Tudo que estava

Na minha garganta

Tudo que eu tento dizer

E não adianta

Quase que eu digo

Com toda a emoção

Quase ponho pra fora

Meu coração

Quase que me expresso

Já pensou o sucesso!

 

Quase fiz tudo certo pra ser feliz

Quase que eu fiz de tudo mas eu não fiz

Quase alcancei a glória foi por um triz

Quase!

 

 

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Você Sabia?

 

Luiz Tatit foi um dos estudantes mais conhecidos da Universidade de São Paulo nos anos 80. Cursou, ao mesmo tempo, Música e Letras. Depois, partiu para o mestrado e doutorado. Hoje, é uma autoridade em “Semiótica da Canção” e autor de cinco livros sobre o tema. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.entrecantos.com/tatit.htm

www.youtube.com/watch?v=8sAj0xc6hXQ (Tatit no YouTube)


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Decida-se!

 

 

 

E aí? Vou pra lá ou pra cá? Visto preto ou azul? Digo SIM ou NÃO? Está difícil? Que tal um poema de Sigmar Montemor, chamado Decida-se?

 

 

DE SORTE

DESEJO

DE SOSLAIO

DEVANEIO

DE CRAVO

DELÍRIO

DE META

DEJETO

DE GRITO

DETRITO

DE BUNDA

DESBUNDE

DE PUTA

DISPUTA

DE FRUTA

DESFRUTA

DE GRAÇA

DESGRAÇA

DE VOLTA

DEVOLVA

DE LINHO

DESALINHO

DE GOLA

DEGOLA

DE GRANA

DEPENA

DE MENTE

DEMENTE

DE TUDO

DEPENDE

DE PORTO

DEPORTE

DE VENTO

DETENTO

DE SALTO

DECATLO

DE JEITO

DEFEITO

DE CIMA

DESCIDA

DE VIDA:

DECIDA!

 

 

 

 

Você Sabia?

 

Sigmar Montemor se define como um “escritor amador”. Vive em São Bernardo do Campo, na região da Grande São Paulo. Possui uma produção literária variada, de contos infantis às letras de música. Essa e outras histórias você encontra em:

 

http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=3602

www.paralerepensar.com.br/sigmar.htm


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Mulheres de Opinião

 

 

Marisa Monte: sem medo de ir além

 

 

Abro a terceira parte musical do nosso DLOG com duas mulheres de opinião. A primeira é Marisa Monte, com a canção Três Letrinhas, composta por Galvão e Moraes Moreira. A música faz parte do disco Universo ao Meu Redor, lançado ano passado junto com o álbum Infinito Particular.

 

 

Sim, são três letrinhas

Todas bonitinhas

Fáceis de dizer

Ditas por você

Nesse seu sim, assim

 

Outras três também

Representam não

Que não fica bem no seu coração

 

Sim, são três letrinhas

Todas bonitinhas

Fáceis de dizer

Ditas por você

Nesse seu sim, assim

 

Outras três também

Representam não

Que não fica bem no seu coração

 

É minha canção resto de oração

Que fugiu da igreja

Não quis mais do vinho

Foi tomar cerveja

Voltou ao jardim

 

E tá esperando gente

Que só disse sim

 

E tá esperando gente

Que só disse sim

 

E tá esperando gente

Que só disse sim

 

 

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Marina não teme tomar posições

 

 

Agora você ouve O Meu Sim, música composta e interpretada por Marina Lima para o seu disco de 1991. E você heim? Qual é o seu SIM?

 

 

E eu quisera ser só eu

Quando o mundo era menor

E hoje eu sei

Que sou mais eu

Pra melhor ou pra pior

 

E eu vou seguindo

Alguns sinais

Que primeiro eu inverti

Mas quando eu puder olhar pra trás

Você vai brilhar alí

 

Perigo na esquina

Proibido parar

Antes de chegar a mim

Minha vida absurda

E a terra a girar

Quem escuta o meu sim?

Quem escuta o meu sim...

 

Quem sabe um dia

Eu lhe descrevo

Estes círculos que penso

Ao navegar por certos trevos

Em que os sonhos são mais densos

 

E às vezes alta madrugada

Ficam dúvidas com tudo

Quem sabe o fim não seja nada

E a estrada seja tudo

 

Perigo na curva

Proibido parar

Antes de chegar a mim

Minha vida absurda

E a terra a girar

Quem escuta o meu sim?

Quem escuta o meu sim...

 

 

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Você Sabia?

 

A carioca Marina Lima lançou seu primeiro disco em 1979, interpretando músicas “dor de cotovelo” de Dolores Duran. Mas o grande reconhecimento veio com o disco Virgem, de 1987. Ganhou diversos prêmios e marcou, para sempre, o “jeito Marina” de fazer música. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www2.uol.com.br/marinalima

www.youtube.com/watch?v=GTAXM32_ZFc  (Marina no Hollywood Rock 88 - YouTube)

 

www2.uol.com.br/marisamonte

www.youtube.com/watch?v=1349abSk-YA&feature=related (Marisa no Programa do Jô - YouTube)


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Você quer ser Normal?

 

 

Cuidado: o “Minotauro” está muito vivo!

 

 

Agora trago um texto de Maristela Moura, que escreve nas Iscas Intelectuais do meu site - www.lucianopires.com.br. O texto chama-se Você quer ser Normal? Eu Não.

 

 

Conta a lenda, que havia em Creta um labirinto onde morava um Minotauro. O rei Minos, para vingar a morte de seu filho pelos atenienses, enviava a cada nove anos, sete rapazes e sete moças de Atenas para serem devorados pelo Minotauro, até que Teseu conseguiu matar esse monstro comedor de jovenzinhos e suas carnes tenras. Fico me perguntando se Teseu conseguiu mesmo realizar essa façanha com a ajuda do fio de Ariadne...

 

Às vezes penso que o Minotauro está mais vivo do que nunca!

 

Olho em volta e vejo jovens sendo consumidos pelo Minotauro do “Mercado” e do “Sistema”, que se alimenta de suas entranhas. Acho até que seria melhor se ele devorasse mesmo, de vez, ao invés de roubar devagarinho seus sonhos, suas esperanças e a espontaneidade de serem eles mesmos.

 

Eles passam uma vida tentando desesperadamente ser normais e fazer parte de um sistema que apenas vai usá-los e cuspi-los mais tarde, numa versão sadomasoquista de dar inveja ao roteiro mais diabólico de um filme B.

 

A mídia não comenta, em função de seu código de ética, o índice assustador de suicídio juvenil no mundo todo, inclusive aqui, mas comenta as estatísticas que mostram que a taxa maior de hominício é de jovens entre 15 e 25 anos. O que causa esses comportamentos destrutivos, é o que eu chamo de Minotauro.

 

Tenho muito contado com jovens, em função do meu trabalho de orientação de carreira, e o que mais constato, com tristeza no coração, é essa moçada linda e cheia de vida, querendo ser normal. É quase uma hipnose coletiva. É quase um filme do Zé do Caixão, aquele cineasta bizarro brasileiro... Um monte de zumbis repetindo: “Normal. Normal. Eu quero ser Normal, eu sou Normal”. Dói! Em nome dessa normalidade, eles se sujeitam até a fazer um curso que não gostam, mas como acreditam que todo normal tem diploma universitário, eles querem por que querem ter um diploma.

 

Outros se sujeitam a ser estagiários em empresas que vão sugar seu sangue, sua alma e sua energia vital de canudinho e esfregar seu diploma na bancada do cafezinho, mas em troca, vão lhe oferece um salariozinho de m....., vale-refeição e um crachá!! Oh, glória! “Você já tem um crachá, nossa empresa tirou você das estatísticas e das filas dos pobres procuradores de vagas, você pode ostentar o nome da nossa empresa logo após o seu, como se fosse um sobrenome, que mais você quer? Dignidade? Acorda, meu jovem!” Hoje o Minotauro não come mais de uma vez, ele vai degustando, mastigando, ruminando, bem de-va-ga-ri-nho.

 

Afinal, o que é ser normal? Como será que é ser assim?

 

Essa semana, tive que almoçar fora, coisa que eu detesto. Não acho que vale a pena trocar meu arroz integral com gersal por qualquer outra coisa. E olha que eu nem sou xiita, vou até à churrasco de vez em quando. Então, era hora do almoço e fui procurar nutrição, mas acabei tendo que entrar em um Shopping, argh... Esse, em especial, não tem exatamente uma “praça de alimentação” mas um “retângulo de alimentação”. Ao entrar naquele salão e ver aquela imensa fila de mesas, colocadas juntas sem nenhum lugar vago, as pessoas muito ocupadas em comer; um barulho muito desagradável e aquela luz branca artificial, não sei porque, me veio imediatamente à mente a cena de um enorme galpão de frangos de granja comendo compulsivamente suas rações aos milhares. Um processo mecânico e tão... tão... como direi... tão normal! Todos vestindo seus uniformes (terno e gravata / tailleur e meia de seda), tudo tão previsível e tão... normal. Sei que essa idéia pode chocar (ops, foi mal, mas eu não resisti ao trocadilho barato, foi mais forte que eu...), mas essa foi a imagem que me ocorreu.

 

Tem hora que minha percepção é meio crua e cínica, será que é por isso que eu gosto de Almodóvar? Provavelmente, os que estavam almoçando ali, eram os mesmos que o Minotauro está ruminando.

Perdi a fome.

 

Outra cena.

 

Costumo caminhar muito. São os meus momentos “Forest Gump”. Andando é inevitável observar as pessoas, suas atitudes e comportamentos. Quando o corpo fala, pra que palavras? Tudo fica desnudado. Observo de um tudo, e vejo muitas pessoas de idade, velhos, que têm algo em comum entre si, todos, sem excessão procuraram ser normais a vida toda e fizeram de sua vida um monumento à normalidade! Hoje o passeio mais empolgante que eles fazem é ir buscar seus remédios na farmácia. Remédios que prometem ser o paliativo que vai amenizar a dor de toda uma vida de normalidade. Eles sabem que se tiverem sorte terão uma morte breve, caso contrário, irão para o inferno do sistema de saúde, que seja público ou dos planos privados, ambos são infernais.

 

Ouvi dizer que isso é uma doença, essa obsessiva compulsão por ser normal tem até um nome e um livro: “Normose - a patologia da normalidade”. Conheço gente que começou a ler esse livro e foi pirando. Não deu conta de lidar com a vastidão da sua alma, de ficar cara a cara com o fato devastador de ser ele mesmo. Sem modelos, nem fórmulas. Apenas ele mesmo. Afinal, ser normal é não ser você mesmo, é se encaixar em algo devorante cujo preço é muito alto!

 

Tenho para mim, que essa jovem que jogou sua filha na lagoa da Pampulha, lá em Minas, é uma pessoa que está sendo devorada pelo Minotauro e a história dela, é em grande parte, a nossa história. Esse fato pode ser um alerta para todos nós. Mas infelizmente, mais uma vez, a sociedade vai preferir fechar os olhos, culpar a moça, jogá-la na cadeia e esquecê-la! É muito doloroso admitirmos que ela agiu traduzindo um sentimento que está no ar, que está presente em toda a sociedade.

 

Estamos abandonando nossos jovens na boca do labirinto do Minotauro, para serem normotizados, devorados e depois descartados. Esse é o preço de quem abre mão do dever sagrado de ser ele mesmo.

 

Corta.


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Eu Prefiro Ser...

 

 

Raul fez a sua própria metamorfose

 

 

Para encerrar a parte musical do nosso DLOG sobre complexas decisões e grandes mudanças, nada mais indicado que Metamorfose Ambulante! Marco da virada pessoal de Raul Seixas, a música foi lançada, em 1973, no disco Krig-ha, Bandolo!

 

 

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

 

Eu quero dizer

Agora o oposto do que eu disse antes

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Sobre o que é o amor

Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela

Amanhã já se apagou

Se hoje eu te odeio

Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor

Lhe tenho horror

Lhe faço amor

Eu sou um ator

 

É chato chegar

A um objetivo num instante

Eu quero viver

Nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Sobre o que é o amor

Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela

Amanhã já se apagou

Se hoje eu te odeio

Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor

Lhe tenho horror

Lhe faço amor

Eu sou um ator

 

Eu vou desdizer

Aquilo tudo que eu lhe disse antes

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha velha velha velha velha

Opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião sobre tudo

 

 

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Você Sabia?

 

Em 1971, Raul Seixas foi demitido da gravadora CBS, onde era produtor musical, por lançar um disco com novos talentos “às escondidas”. Na época, também tinha acabado de conhecer o “hippie” Paulo Coelho. No desemprego, Raul decidiu dar a grande virada. Abandonou o terno, deixou um cavanhaque e caiu no rock. O sucesso veio logo no primeiro disco: Krig-ha, Bandolo! Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.raulseixas.com.br

www.mpbnet.com.br/musicos/raul.seixas/index.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Seixas

www.youtube.com/baudoraul (assista a vários vídeos de Raulzito no YouTube)


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“A vida é a soma de todas as suas escolhas.” - Albert Camus, filósofo argelino

 

 

 

 

Com esse pensamento - que não deixa de ser um grande alerta -  encerro mais uma edição do DLOG Café Brasil.

 

E então? SIM ou NÃO? Tomou a decisão que pode mudar a sua vida?

 

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Até o próximo DLOG!

 

Luciano Pires

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