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Dlog Café Brasil - 7/11/2007 12:12:00 - N° 12
         
    Dlog Café Brasil - ASA BRANCA    
   



DLOG? O QUE É DLOG?  

Blogs são páginas publicadas na rede, em sua maioria, por indivíduos que querem dividir com outros leitores suas reflexões. O nome vem de “web log”, “diário na web”. Blogs são reativos. São publicados e ficam lá, à espera dos visitantes.

 

Pensamos em criar um blog diferente, que fosse até os leitores de forma proativa. Um blog que chegasse por e-mail. Nasceu assim o “Delivery Blog”. Ou DLOG. O nome é ruim? Pode ser. Mas “Youtube” também é...

 

Periodicamente, você receberá o DLOG Café Brasil em sua caixa postal. Também poderá acompanhar todas as edições publicadas em www.lucianopires.com.br/dlog.  

 

O conteúdo do DLOG é o mesmo do Programa Café Brasil, que é produzido e apresentado semanalmente por Luciano Pires em algumas rádios do país e depois transformado em podcasts que você pode ouvir em www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast.

 

O que estiver escrito ou mencionado aqui, pode ser ouvido lá. O programa de rádio tem o ritmo, o som e a emoção que a voz pode trazer. E o boletim traz as imagens, letras, biografias e links que a Internet proporciona. Um complementa o outro.

 

Rádio-Podcast-DLOG... Leia o DLOG. Baixe o podcast. Ouça o programa. Visite o site. Participe de uma inédita integração entre mídias. Deixe o Café Brasil envolver você!

 

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Sou Doido pelo Baião

 

 

 

Bem-vindo ao DLOG Café Brasil. Hoje vou mexer com as suas raízes nordestinas, mesmo que você não as tenha. Vou falar de “Asa Branca”, a inesquecível canção composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira há exatos 60 anos.

 

Em meio às histórias sobre a vida do mestre “Lua” e seu parceiro de composições, a edição traz diversas versões do maior clássico do Baião, nas vozes de Chitãozinho & Xororó, Ney Matagrosso, Paulo Diniz, Gonzaguinha, Elba e Zé Ramalho.

 

Espero que goste da edição, compartilhe suas opiniões e siga acompanhando o Programa Café Brasil pelo rádio ou podcast.

 

Boa leitura!

 

Luciano Pires


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Asa Branca

 

 

 

Vamos começar a edição recordando os versos de Asa Branca, o maior clássico do Baião e um verdadeiro “hino” ao sertanejo nordestino:

 

 

Quando olhei a terra ardendo

Qua fogueira de São João

Eu preguntei a Deus do céu, uai

Por que tamanha judiação

 

Que braseiro, que fornaia

Nem um pé de prantação

Por farta dágua perdi meu gado

Morreu de sede meu alazão

 

Inté mesmo a asa branca

Bateu asas do sertão

Intonce eu disse a deus Rosinha

Guarda contigo meu coração

 

Hoje longe muitas léguas

Numa triste solidão

Espero a chuva cair de novo

Para eu voltar pro meu sertão

 

Quando o verde dos teus oio

Se espalhar na prantação

Eu te asseguro não chore não, viu

Que eu voltarei, viu

Meu coração


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De Luiz de Januário a Rei do Baião

 

 

  

Luiz Gonzaga nasceu em 13 de Dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, um município distante 603 km da capital pernambucana. Segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus (conhecida como Santana), veio ao mundo dividido entre a enxada e a sanfona.

 

Foi observando o pai animar bailes e consertar velhas sanfonas que lhe despertou a curiosidade pelo instrumento. Certa vez, quando Januário estava na roça e a mãe na beira do rio, Luiz pegou uma velha sanfona e começou a tocar. Santana, que não queria que o filho trilhasse o mesmo caminho de sanfoneiro, dava-lhe puxões de orelha, mas não adiantou. Luiz seguiu em frente, acompanhando o pai em diversos forrós, revezando-se com ele na sanfona e ganhando seus primeiros trocados.

 

 

 

Quer ouvir Asa Branca interpretada por

Ney Matogrosso e Chitãozinho & Xororó?

 

 

Clique Aqui e Acompanhe no Programa Café Brasil

 

 

 

Um belo dia Januário foi pego de surpresa quando “Seu” Miguelzinho, dono de um forró, pediu para que Gonzaga tocasse no lugar de um outro tocador que não apareceu. Fez muito sucesso. E por aquelas “bandas” ficou conhecido por Luiz de Januário. Passou a acompanhar o pai em festas de mais “responsabilidade”, onde se revezavam entre toques e cochilos. A mãe relutou, mas acabou se deixando levar pelos dois mil réis que o principiante ganhava em cada “empreitada”. Assim cresceu Gonzaga: ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando Santana às feiras do Exu e fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região.

 

 

 

Quer ouvir Asa Branca interpretada por Paulo Diniz?

 

 

Clique Aqui e Acompanhe no Programa Café Brasil

 

 

 

Dizendo que ia a uma festa, o jovem Luiz deixou a terra natal rumo ao Crato, no Ceará, cidade maior e mais próspera, onde vendeu a sanfona e pegou o trem para Fortaleza, alistando-se em seguida.

 

Com a Revolução de 1930, o batalhão de Gonzaga percorreu muitos estados até chegar à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ali, conheceu outro sanfoneiro, Domingos Ambrósio, o grande amigo que lhe ensinara os ritmos mais populares do Sul: valsas, fados, tangos e sambas. Gonzaga tirou de letra.

 

 

 

 

Em 1939, deu baixa no Exército, seguiu para São Paulo e, em seguida, para o Rio de Janeiro. Passou a apresentar-se em bares da zona do meretrício carioca, nos cabarés da Lapa e em programas de calouros, sempre tocando música estrangeira.

 

Numa dessas apresentações, um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que estava cometendo: por que não tocava as músicas de sua terra, as que Januário lhe ensinara? Luiz seguiu o conselho e passou a tocar e compor canções sobre o sertão nordestino.

 

Foi no programa de Ary Barroso que Gonzaga recebeu calorosos aplausos pela execução de “Vira e Mexe”, música de sua autoria. O sucesso proporcionou ao sanfoneiro seu primeiro contrato com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

 

 

 

Quer ouvir Asa Branca interpretada por Elba e Zé Ramalho?

 

 

Clique Aqui e Acompanhe no Programa Café Brasil

 

 

 

Na solidão da cidade grande, distante da família e do seu “pé-de-serra”, Gonzaga não dispunha de ninguém que dele cuidasse. Apesar de estar morando com seu irmão Zé, demonstrava vontade em construir seu próprio lugar, sua família. Teve diversos amores, o mais conhecido foi com a corista carioca Odaléia Guedes, em meados de 1945, tendo-a conhecida já grávida. Assumiu o filho e registrou como seu. Assim nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha.

 

O apogeu do Baião perpassou a segunda metade da década de 40 até a primeira metade da década de 50, época na qual Gonzaga consolidou-se como um dos artistas mais populares do Brasil.

 

 

 

 Gonzaguinha e Gonzagão: unidos pela música

 

 

Luiz Gonzaga por muito tempo manteve uma relação distante do filho Gonzaguinha. Dizem que por diferenças políticas. O reencontro de ambos rendeu muita emoção para a MPB e ainda será tema de um Café Brasil especial.

 

 

 

Quer ouvir Asa Branca interpretada por Gonzaguinha?

 

 

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Você Sabia?

 

Gonzagão dedicou os últimos anos de sua vida à criação do “Parque Aza Branca”. Localizado em sua cidade natal, Exu, o local reúne um museu, a casa do músico, seu mausoléu e outras atrações. Essas e outras histórias você encontra em:

 

www.gonzagao.com.br

www.reidobaiao.com.br

www.luizluagonzaga.com.br


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Humberto Teixeira e Gonzagão

 

 

Uma dupla de sucesso: o advogado e o sanfoneiro

 

 

Formado em Direito, depois de ter cursado a faculdade de Medicina, o cearense Humberto Teixeira ajudou a formatar o gênero vindo do nordeste, sobretudo a partir de suas colaborações com Luiz Gonzaga.

 

O co-autor de Asa Branca, Assum Preto, Juazeiro, Baião, Qui nem Jiló, criador de letra e melodia de Kalu, Dono dos seus Olhos, Sinfonia do Café, entre várias outras, pode ser considerado um dos responsáveis pela integração do Brasil através da música. Imagens poéticas como “Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação” dizem mais sobre o nordestino que centenas de tratados acadêmicos.

 

Numa rara entrevista, Humberto Teixeira falou sobre a sua parceria com Gonzagão. Acompanhe suas lembranças do “Rei do Baião”:

 

 

O Luiz Gonzaga, tal como eu, como Lauro, estava fazendo os primeiros sucessos com a “Mula Preta”, com “Xamego”, com as músicas que ele fazia com o Miguel Lima. Mas a vontade do Luiz era lançar a música “do Norte”, como ele chamava. Ele não dizia do Nordeste. Ele primeiro procurou o Lauro Maia, que lhe disse: “Olha rapaz, esse negócio de campanha, isso me apavora. Eu sou indisciplinado, não guardo coisas, nem compromisso de um dia pro outro. Acho mais interessante você procurar meu cunhado, Humberto Teixeira. Ele também é compositor e é mais organizado”.

 

Um belo dia, estou no meu escritório de advogado lá no Rio, quando me procurou o Luiz Gonzaga. Ficamos, naquela tarde, de quatro e meia até quase meia-noite, nesse primeiro encontro. Naquele dia, chegamos a duas conclusões muito interessantes. Uma delas é que a música ou o ritmo que iria servir de lastro para a nossa campanha de lançamento da “música do norte”, a música nordestina no Sul, seria o Baião. Nós achamos que era o que tinha características mais fáceis, mais uniformes. Naquele mesmo dia nós fizemos os primeiros versos, discutimos as primeiras idéias em torno da “Asa Branca”, que só dois anos depois foi gravada. No dia em que gravamos, com o conjunto de Canhoto, o próprio músico disse assim: “Mas, puxa, vocês depois de um negócio desses, de sucessos, vão cantar moda de igreja, de cego, aqui? Que troço horrível!”. Então, eles com um pires na mão, saíam pedindo, brincando, uma esmola pro Luiz e pra mim dentro do estúdio. Mal sabiam eles que nós estávamos gravando ali uma das páginas mais maravilhosas da música brasileira.

 

 

 

Quer ouvir Asa Branca em sua versão original,

com o próprio Gonzagão?

 

 

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Três dias depois do primeiro encontro com Luiz Gonzaga já fizemos, de pedra e cal, o primeiro Baião que se gravou em todo o mundo: “Eu vou mostrar pra vocês / Como se dança o Baião / E quem quiser aprender / É favor prestar atenção...” Eu me sentia como se estivesse com bitola, aquela coisa toda pinicadazinha, cortada, sujeita àquele ritmo quadrado. Logo depois descobrimos que podíamos deixar o ritmo solto e extravasar nosso lirismo.

 

Depois veio “Juazeiro” e “Xanduzinha”. Era o início de centenas de músicas que fizemos juntos. Muita gente hoje pergunta como é que eu me deixei ofuscar, me ocultar tão inteiramente assim à sombra do prestígio fabuloso que o Luiz granjeou, sobretudo no que diz respeito à autoria.

 

Principalmente depois do processo de mitificação de Luiz Gonzaga, da redescoberta que a onda baiana fez em torno dele, muita gente diz que eu sou o letrista das músicas de Gonzaga. Não existe isso. Muitas delas são minhas integralmente. Letra, música e tudo. Como outras são do Luiz.

 

O Baião, se tivesse sido feito só por mim, continuaria sendo apenas um negócio inédito, ao passo de que, com o Luiz, se tornou esse marco extraordinário dentro da música popular brasileira marcando uma década de sucessos fantásticos. De 1947 a 57, quer queiram, quer não, os documentos, a história dos suplementos, das fábricas, as gravadoras, o rendimento autoral das sociedades, tudo era feito em torno do Baião.

 

 

 

Quer ouvir Asa Branca na interpretação

do Quinteto Violado?

 

 

Clique Aqui e Acompanhe no Programa Café Brasil

 

 

 

O Luiz, por exemplo, tem uma mágoa que você não pode avaliar em torno disso. Os aprendizes de historiadores da música popular brasileira pulam de 1947 pra Bossa Nova. Eles falam da música brasileira, o choro, a parte do choro, a parte daquilo, a parte da Bossa Nova, a parte da Tropicália e não sei o que mais.

 

E o Baião não existe? Por que querer botar uma esponja em 10 anos de sucesso? O Luiz foi um pioneiro em vários aspectos. Veja você que quando os cantores, os compositores se apresentavam de smoking, de terninho e gravata, o Luiz já vinha de talabarte, chapéu de couro e tudo. Pra mim, o Luiz Gonzaga foi o primeiro hippie da música popular brasileira.

 

 

 

Você Sabia?

 

Conhecido como o “Doutor do Baião”, Humberto Teixeira foi advogado, deputado federal, instrumentista, poeta, compositor e fundador da Academia Brasileira de Música Popular. Essa e outras histórias você encontra em:

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Teixeira

http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/humberto-teixeira.asp


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Nordeste Drummondiano

 

 

 

Nessa linha da Asa Branca, da seca e do sertão, que tal a Prece do Brasileiro, de Carlos Drummond de Andrade, publicado pelo poeta em 1970. Vamos relembrar?

 

 

Meu Deus,

só me lembro de vós para pedir,

mas de qualquer modo sempre é uma lembrança.

Desculpai vosso filho, que se veste

de humildade e esperança

e vos suplica: Olhai para o Nordeste

onde há fome, Senhor, e desespero

rodando nas estradas

entre esqueletos de animais.

 

Em Iguatu, Parambu, Baturité,Tauá

(vogais tão fortes não chegam até vós?)

vede as espectrais

procissões de braços estendidos,

assaltos, sobressaltos, armazéns

arrombados e – o que é pior – não tinham nada.

Fazei, Senhor, chover a chuva boa,

aquela que, florindo e reflorindo, soa

qual cantata de Bach em vossa glória

e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca,

ao pobre sertanejo destruído

no que tem de mais doce e mais cruel:

a terra estorricada sempre amada.

 

Fazei chover, Senhor, e já! Numa certeira

ordem às nuvens. Ou desobedecem

a vosso mando, as revoltosas? Fosse eu Vieira

(o padre) e vos diria, malcriado,

muitas e boas... mas sou vosso fã

omisso, pecador, bem brasileiro.

Comigo é na macia, no veludo, lã

e matreiro, rogo, não

ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre)

mas ao Deus que Bandeira, com carinho

botou em verso “meu Jesus Cristinho”.

E mudo até o tratamento por que vós,

tão gravata-e-colarinho, tão

vossa excelência?

O você comunica muito mais

e se agora o trato de você,

ficamos perto, vamos papeando

como dois camaradas bem legais,

um, puro; o outro, aquela coisa,

quase que maldito

mas amizade é isso mesmo salta

o vale, o muro, o abismo do infinito.

Meu querido Jesus, que é que há?

Faz sentido deixar o Ceará

sofrer em ciclo a mesma eterna pena?

 

E você me responde suavemente:

Escute, meu cronista e meu cristã

essa cantiga é antiga

e de tão velha não entoa não.

Você tem a Sudene abrindo frentes

de trabalho de emergência, antes fechadas.

Tem a ONU, que manda toneladas

de pacotes à espera de haver fome.

Tudo está preparado para a cena

dolorosamente repetida

no mesmo palco. O mesmo drama, toda vida.

 

No entanto, você sabe,

você lê os jornais, vai ao cinema,

até um livro de vez em quando lê

se o Buzaid não criar problema:

Em Israel, minha primeira pátria

(a segunda é a Bahia)

desertos se transformam em jardins

em pomares, em fontes, em riquezas.

E não é por milagre:

obra do homem e da tecnologia.

Você, meu brasileiro,

não acha que já é tempo de aprender

e de atender àquela brava gente

fugindo à caridade de ocasião

e ao vício de esperar tudo da oração?

 

Jesus disse e sorriu. Fiquei calado.

Fiquei, confesso, muito encabulado,

mas pedir, pedir sempre ao bom amigo

é balda que carrego aqui comigo.

Disfarcei e sorri. Pois é, meu caro.

Vamos mudar de assunto. Eu ia lhe falar

noutro caso, mais sério, mais urgente.

 

Escute aqui, ó irmãozinho.

Meu coração, agora, tá no México

batendo pelos músculos de Gérson,

a unha de Tostão, a ronha de Pelé,

a cuca de Zagalo, a calma de Leão

e tudo mais que liga o meu país

e uma bola no campo e uma taça de ouro.

Dê um jeito, meu velho, e faça que essa taça

sem milagres ou com ele nos pertença

para sempre, assim seja... Do contrário

ficará a Nação tão malincônica,

tão roubada em seu sonho e seu ardor

que nem sei como feche a minha crônica.

 

 

 

Você Sabia?

 

Mineiro de Itabira, Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos principais poetas e escritores da Língua Portuguesa. Sua obra foi traduzida para os mais diversos idiomas, do espanhol ao chinês. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.carlosdrummond.com.br

http://www.releituras.com/drummond_bio.asp


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A Volta da Asa Branca

   

 

Alceu, Zé, Elba e Azevedo relembram Gonzagão

 

 

Para encerrar a nossa parte musical, trago A Volta da Asa Branca, composição de Luiz Gonzaga e José Dantas. No Café Brasil, a música é interpretada por ninguém menos que os nordestinos Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba e Zé Ramalho. É um dos clássicos do disco O Grande Encontro, lançado em 1996.  

 

 

Já faz três noites que pro norte relampeia

A asa branca ouvindo o ronco do trovão

Já bateu asas e voltou pro meu sertão

Ai, ai, ai, eu vou-me embora, vou cuidar da plantação

Já bateu asas e voltou pro meu sertão

Ai, ai, ai, eu vou-me embora, vou cuidar da plantação

 

A seca fez eu desertar a minha terra

Mas felizmente Deus agora se “alembrou”

De mandar chuva pra esse sertão sofredor

Sertão das “muié séria” dos “home trabaiadô”

De mandar chuva pra esse sertão sofredor

Sertão das “muié séria” dos “home trabaiadô”

 

Rios correndo as cachoeiras tão zoando

Terra molhada mato verde que riqueza

E a asa branca tarde canta que beleza

Ai, ai, ai, o povo alegre mais alegre a natureza

E a asa branca tarde canta que beleza

Ai, ai, ai, o povo alegre mais alegre a natureza

 

Revendo a chuva me “arrecordo” de Rosinha

A linda flor do meu sertão pernambucano

E se a safra não atrapalhar meus planos

Que é que há seu vigário

Vou casar no fim do ano

 

 

 

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Você Sabia?

 

Cantora consagrada, Elba Ramalho experimentou o sucesso primeiro nos palcos. Conseguiu um contrato com uma gravadora após ser premiada em “A Ópera do Malandro”, peça de Chico Buarque. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.elbaramalho.com.br

www.zeramalho.com.br

www2.uol.com.br/alceuvalenca

www.geraldoazevedo.com.br


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Saudades do “Lua”

 

 

 

Duvido que não te deu uma pontinha de saudade durante o DLOG Café Brasil de hoje, não é? Para terminar, deixo mais um pouco da poesia de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga:

 

 

Eu já cantei no Pará

Toquei sanfona em Belém

Cantei lá no Ceará

E sei o que me convém

Por isso quero afirmar

Com toda convicção

Que sou doido pelo baião

 

 

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Até o próximo DLOG!

 

Luciano Pires

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