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| Dlog Café Brasil - 29/10/2007 11:04:00 - N° 11 |
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Dlog Café Brasil - DON FACUNDO |
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DLOG? O QUE É DLOG?
Blogs são páginas publicadas na rede, em sua maioria, por indivíduos que querem dividir com outros leitores suas reflexões. O nome vem de “web log”, “diário na web”. Blogs são reativos. São publicados e ficam lá, à espera dos visitantes.
Pensamos em criar um blog diferente, que fosse até os leitores de forma proativa. Um blog que chegasse por e-mail. Nasceu assim o “Delivery Blog”. Ou DLOG. O nome é ruim? Pode ser. Mas “Youtube” também é...
Periodicamente, você receberá o DLOG Café Brasil em sua caixa postal. Também poderá acompanhar todas as edições publicadas em www.lucianopires.com.br/dlog.
O conteúdo do DLOG é o mesmo do Programa Café Brasil, que é produzido e apresentado semanalmente por Luciano Pires em algumas rádios do país e depois transformado em podcasts que você pode ouvir em www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast.
O que estiver escrito ou mencionado aqui, pode ser ouvido lá. O programa de rádio tem o ritmo, o som e a emoção que a voz pode trazer. E o boletim traz as imagens, letras, biografias e links que a Internet proporciona. Um complementa o outro.
Rádio-Podcast-DLOG... Leia o DLOG. Baixe o podcast. Ouça o programa. Visite o site. Participe de uma inédita integração entre mídias. Deixe o Café Brasil envolver você!
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“Este mundo está se tornando tão perigoso que o sujeito pode se dar por feliz se sair dele vivo” - W.C. Fields, humorista estadunidense

Bem-vindo ao DLOG Café Brasil. Hoje vou falar de um assunto muito chato. Mas não tem como não falar dele. Eu fui assaltado! Não sou o Huck, mas também sou Luciano e levaram o meu...
Na parte musical, as canções A Minha Dor, Pedaço de Mim, Tô P da Vida, Pega Ladrão e Acorda Amor retratam um pouco dessa sensação de perda e insegurança que, cada vez mais, faz parte da nossa vida.
Espero que goste da edição, compartilhe suas opiniões e siga acompanhando o Programa Café Brasil pelo rádio ou podcast.
Boa leitura!
Luciano Pires
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Meu Don Facundo

Don Facundo era o nome dele. Pelo menos eu acho que era, pois já lá se vão uns 40 anos... Don Facundo era um boneco de ventríloquo que nos anos sessenta e início dos setenta fazia a festa da criançada na televisão.
Me lembro bem que o boneco era espirituoso e falava com sotaque. Eu ficava fascinado cada vez que ele aparecia nos televisores em preto-e-branco. Mas um dia foi diferente. Apareceu o ventríloquo sozinho, numa entrevista, fazendo um apelo. O Don Facundo fora roubado e seu dono pedia, a quem o roubou, que devolvesse seu instrumento de trabalho.
Assisti a cena de dor do ventríloquo sem entender direito. O que é que alguém faria com um boneco de ventríloquo roubado? Será que o boneco falaria com outra pessoa além do seu dono? E se fosse outro ventríloquo? O boneco não teria a mesma voz, nem a mesma personalidade. O fato é que o ventríloquo reapareceu depois com outro boneco, que não era mais o Don Facundo, era o Don Pedrito, que não tinha a mesma cara, não tinha a mesma graça. E foi assim que o ventríloquo desapareceu...
O ladrão que levou o boneco levou também um pedaço da vida do ventríloquo.
Tudo isso me veio à lembrança no dia 2 de outubro de 2007 quando, em plena Marginal de Pinheiros, em São Paulo, no meio de um engarrafamento, um motoqueiro parou ao lado do meu carro, bateu em minha janela e, mostrando um revólver, agressivamente levou o meu relógio, meu celular e meu lap top.
Tudo aconteceu em menos de um minuto, no meio de muitos automóveis. Minha reação foi instintiva. Apenas deixei as mãos à mostra e fiquei muito calmo, porque o ladrão não estava nada calmo, e entreguei cada objeto que ele pedia. Vi aliviado o ladrão sair em meio aos carros.
O relógio era baratinho. Os celulares eu bloqueei. Mas o lap top era meu Don Facundo. Dentro dele, milhares de informações. Perdi alguns projetos nos quais eu trabalhava e que ainda não haviam sido duplicados para outra máquina. Mas alguma coisa mais também foi roubada.
Dois dias após o assalto fiz a palestra de abertura do Congresso Internacional para a “Qualidade do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade”, em Porto Alegre. Cerca de mil pessoas na platéia ouvindo-me falar sobre inovação. A palestra foi um sucesso, mas em nenhum momento me senti à vontade naquele palco. Tinha mais alguém lá comigo, o tempo todo.
Um motoqueiro e um cano de revólver...
Eu descobri que um pedaço meu tinha ido embora. Eu sempre termino a palestra com um apelo à platéia para que lute contra a percepção de que o Brasil é um país de risco. Eu digo que a exposição diária a doses maciças de violência, principalmente pela televisão, faz com que tenhamos uma imagem muito pior da realidade. Sempre defendi essa tese com paixão.
Mas naquela manhã, enquanto tentava dizer aquelas palavras, senti que estava sendo falso.
Aquelas palavras cabiam na boca de um outro Luciano. Um Luciano que, de certa forma, morreu na Marginal de Pinheiros, quando o que até então era uma percepção, passou a ser realidade.
Meu relógio se foi. Compro outro. Meu celular se foi. Compro outro. Meu lap top se foi. Compro outro.
Mas, como Don Facundo, o ladrão levou junto um pedaço de mim.
Que não dá pra comprar com dinheiro nenhum.
Você Sabia?
Para conhecer mais a fundo a questão da violência, uma dica é visitar a página do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo. Desde 1987, a entidade desenvolve pesquisas nas áreas de segurança pública e direitos humanos.
www.nevusp.org
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Pedaços de Mim
Edvaldo: a voz de São Miguel Paulista
Vou abrir a parte musical com A Minha Dor, de Edvaldo Santana. Cantor e compositor, nascido e criado na periferia da cidade de São Paulo, ele é um cronista urbano que não costuma tocar no rádio. Mas, no Café Brasil, você descobre a beleza dos seus versos:
A minha dor é mais que uma dor cigana
A minha dor também fica em São Miguel
É lá de baixo lá de baixo não se engana
Não é preciso que se passe pro papel
A minha dor tá encarnada no menino
Sorveteiro, duro e franzino
Que não passa de um figurino
Pra manter o que não tem
A minha dor tá na boca da menina
Tronxa, mole, nova e franzina
Que alimenta a margarina
E vegeta como um trem
A minha dor tá no olhar da minha velha
Enrugada por Amélia
Faladeira sem corbélia
Que sonhou e só sonhou
A minha dor tá no riso do meu pai
Que dispensou o satanás
Pra casar com outros ais
E se gravou dizendo amém
A minha dor me fez louco de bandeja
Gás da Nitro é quem me beija
Meu amor me proteja
Já mudei da Lajeado
Essa dor canto tem no vento a sutileza
De cantar a dor que é a mesma
Dor que anda em toda mesa
Onde sentam os inocentes
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Zizi Possi + Chico Buarque = clássico da MPB
Pedaço de Mim. Uma música que não poderia faltar. Ainda mais, interpretada pelo seu criador, Chico Buarque, em dupla com Zizi Possi, uma das mais belas vozes femininas do Brasil. Chamar de clássico é pouco:
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
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Dominó... olha o sucesso que fizeram!
Acredite ou não: Dominó no Café Brasil! Com Tô “P” da Vida, uma composição de Edgard Poças, direto dos anos 80, para me ajudar a exorcizar o ladrão que levou meu Don Facundo. Vamos lá, bola pra cima:
Tô pê da vida
Tô vendo a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho
E muito pouco amor à vida
Tô pê da vida
E o mundo em volta da ferida
Em transes loucos, transas nossas
De mãos atadas vistas grossas
É muito pouco amor à vida
Tô pê da vida
Tão pondo fogo no planeta
E quem não tá vira careta
A fina flor do preconceito
De cor, de raça, de sujeito
Isso tem jeito
We are the world lá nas paradas
E gerações desperdiçadas
Em tantas lutas sem sentido
Fecha as cortinas do passado
Mundo grilado, dolorido
Que se conforma
Tô pê da vida
Doces jogadas ensaiadas
Nas mesas das nações unidas
Azucrinando nossas vidas
Jogos de dados combinados
Dados marcados
Tô pê da vida
Mas não me sinto derrotado
Não tem gatilho, nem cruzado
Que vai me por nocauteado
A esperança é uma música
Canta essa música, nossa música, é nossa música...
Tô pê da vida
Olhando a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho
E muito pouco amor à vida
Tô pê da vida
Mas isso quase não é nada
Tem que enfrentar essa parada
E tem que por a mão na terra
Eu tô na guerra pela vida
Só pela vida
Viva a vida
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Você Sabia?
Criado em 1984, o Dominó foi uma “resposta brasileira” ao sucesso do Menudo. O grupo teve diversas formações e existe até hoje. O ator global Rodrigo Faro é o ex-integrante mais famoso. Essa e outras histórias você encontra em:
www.infancia80.com.br/musica/bandas_domino.htm
http://chicobuarque.uol.com.br
www.uol.com.br/zizipossi
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O Huck que está Errado?
Luciano Huck: ação social com o Instituto Criar
Poucos dias antes de mim, outro Luciano foi assaltado: o Luciano Huck. Levaram seu relógio Rolex. Indignado, ele escreveu um artigo no jornal reclamando do roubo. Acabou “detonado”. Disseram que ele é da elite, é um “boyzinho” e não tinha que desfilar de Rolex na cidade de São Paulo.
Então a razão está com o bandido? Isso é uma loucura! O Brasil está de ponta-cabeça. O que você pensa sobre isso? Eu acho que a gente tem mais é que gritar e reclamar bastante!
Quem ainda não leu o artigo Pensamentos Quase Póstumos, publicado por Luciano Huck na Folha de S.Paulo (em 01/10/2007), pode conferir a seguir:
Luciano Huck foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.
Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.
Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.
Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.
Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.
Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.
Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.
Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase "infantis" para uma sociedade moderna e justa.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber. Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de "extraterrestres" fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?
Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no "Roda Vida" da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, "Tropa de Elite" é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.
Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei". Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.
Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.
Você Sabia?
Longe de ser mais um “mauricinho paulistano”, Luciano Huck dedica parte do seu tempo e contatos ao Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias. Instalada no centro da cidade de São Paulo, a ONG oferece formação técnica e sociocultural para jovens de baixa renda, transformando-os em profissionais do segmento audiovisual. Para saber mais sobre o projeto, acesse:
http://lucianohuck.globo.com
http://institutocriar.terra.com.br
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Pega Ladrão!
Direto de Maceió para o Café Brasil
Agora vou botar meu amigo Eliezer Setton cantando Pega Ladrão. Ele vem lá de Maceió. Em 1976, Eliezer iniciou a carreira artística no Grupo Terra, que marcou época na cultura alagoana no final dos anos 1970. Depois, passou a se apresentar em São Paulo e no Rio de Janeiro. E dá-lhe forró:
Corre corre, pega ladrão
Seu Doutor a fome é grande
Pega ladrão
Seu Doutor já não agüento
É dia do aniversário
É data do nascimento
Do meu lado é o menor
E o pobre está sem alento
Seu Doutor a fome é grande
Seu Doutor já não agüento
Faz tempo que nós comemos
O que sobra do Senhor
Estomago nós já nem temos
Pois nas costas já colou
As coisas ficaram pretas
Pior não pode ficar
Inté já vendi a maleta
Pra mó de pode viajar
Viajar na estiagem
Pra ver a sorte mudar
Ver as coisas do outro lado
Pra ver cuma vai ficar
Se o problema fosse eu só
Eu preferia a prisão
Mas tem mulher e menino
Que depende do meu pão
Na prisão a bóia é certa
Tem do bom e do melhor
Pão com água é prato cheio
Pra quem vive na pior
Seu Doutor a minha casa
Ficou onde era um ribeirão
Bem debaixo de uma ponte
Onde passa os caminhão
Qualquer dia eu viro bicho
Largo a mão do meu torrão
Pico a mula, dou nos calos
Corro as léguas do sertão
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O famoso “Julinho da Adelaide”
Vou fechar a nossa parte musical com Acorda Amor, de Chico Buarque. Ele assinou essa música com o pseudônimo de “Julinho da Adelaide”. Escrita em 1974, faz parte de uma série de canções que, de certa forma, romantizaram a questão do bandido e da violência. Hoje em dia, a coisa ficou bem mais complicada...
Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
minha nossa santa criatura
chame, chame, chame, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão da escada
fazendo confusão, que aflição
São os homens, e eu aqui parado de pijama
eu não gosto de passar vexam e
chame, chame, chame, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses convém às vezes você sofrer
Mas depois de uma ano eu não vindo
ponha roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda amor
que o bicho é bravo e não sossega
se você corre o bicho pega
se fica não sei não
Atenção, não demora
dia desses chega sua hora
não discuta à toa, não reclame
chame, clame, clame, chame o ladrão
Não esqueça a escova, o sabonete e o violão...
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“O pior mal é aquele ao qual nos acostumamos.” - Jean-Paul Sartre, filósofo francês
Até quando?
Queria terminar nosso DLOG com um último desabafo. Posso?
Eu não vejo nada de bonito na violência, nem nos bandidos. Não vejo nenhuma beleza nessa questão de você poder tirar algo de uma pessoa, só porque ela tem mais do que você.
Sei que a nossa sociedade está enrolada, temos um milhão de problemas acontecendo no Brasil, muitas coisas pra resolver, o governo tem que fazer a sua parte e todo mundo tem que participar.
Mas nada disso justifica que alguém coloque um revólver na sua cabeça e te ameace para levar alguma coisa que é sua. Isso é um absurdo e o mundo não pode continuar assim.
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Mergulhe neste Cafezinho. Você ganhará uns minutos nutritivos...
Até o próximo DLOG!
Luciano Pires
www.lucianopires.com.br
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