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Dlog Café Brasil - 17/1/2008 7:46:00 - N° 20
         
    Dlog Café Brasil - OS CAGONAUTAS    
   



DLOG? O QUE É DLOG?
 

Blogs são páginas publicadas na rede, em sua maioria, por indivíduos que querem dividir com outros leitores suas reflexões. O nome vem de “web log”, “diário na web”. Blogs são reativos. São publicados e ficam lá, à espera dos visitantes.

 

Pensamos em criar um blog diferente, que fosse até os leitores de forma proativa. Um blog que chegasse por e-mail. Nasceu assim o “Delivery Blog”. Ou DLOG. O nome é ruim? Pode ser. Mas “Youtube” também é...

 

Periodicamente, você receberá o DLOG Café Brasil em sua caixa postal. Também poderá acompanhar todas as edições publicadas em www.lucianopires.com.br/dlog.  

 

O conteúdo do DLOG é o mesmo do Programa Café Brasil, que é produzido e apresentado semanalmente por Luciano Pires em algumas rádios do país e depois transformado em podcasts que você pode ouvir em www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast.

 

O que estiver escrito ou mencionado aqui, pode ser ouvido lá. O programa de rádio tem o ritmo, o som e a emoção que a voz pode trazer. E o boletim traz as imagens, letras, biografias e links que a Internet proporciona. Um complementa o outro.

 

Rádio-Podcast-DLOG... Leia o DLOG. Baixe o podcast. Ouça o programa. Visite o site. Participe de uma inédita integração entre mídias. Deixe o Café Brasil envolver você! 


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“Quem tem medo de ti na tua presença, odeia-te na tua ausência” Thomas Fuller, escritor e historiador inglês

 

 

 

Bem-vindo ao DLOG Café Brasil. Hoje vou falar de medo. Ou melhor, de cagaço. Isso mesmo: Ca-ga-ço! Do cagaço que domina a maioria dos profissionais nas empresas de hoje. Por todos os lados, não faltam “Cagonautas”, os formadores de cagões. O pior é que o seu chefe pode ser um deles...

 

Na parte musical, misturamos novos e antigos sucessos da nossa música que falam sobre o medo. Tem de tudo um pouco: Orlando Silva, Teodoro e Sampaio, Caio Márcio, Vander Lee, Sérgio Sampaio e Simone.

 

Espero que goste da edição, compartilhe suas opiniões e siga acompanhando o Programa Café Brasil pelo rádio ou podcast.

 

Boa leitura!

 

Luciano Pires


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Você tem Medo?

 

 

Orlando: vida de glórias e tragédias

 

 

Vou abrir o nosso DLOG com um clássico. Lançada em 1955, Tenho Medo, canção composta por Dunga e Frazão, foi um dos grandes sucessos de Orlando Silva.

 

Praticamente esquecido, o cantor carioca foi um dos maiores astros brasileiros dos anos 40. Depois de enfrentar a infância pobre e um acidente de bonde quando trabalhava como entregador de encomendas (onde perdeu quase todos os dedos do pé esquerdo), Orlando Silva conheceu o sucesso no programa de rádio de Francisco Alves, outro grande interprete da época.

 

Em 1940, no auge da fama, iniciou uma história de amor com a atriz Zezé Fonseca. Acredita-se que o relacionamento turbulento o levou de volta ao vício da morfina, droga que conheceu no hospital, quando se recuperava do atropelamento. O uso freqüente acabou com a sua bela voz e carreira artística. Confira a letra:

 

 

Tenho medo

dessa luz singular

que a brilhar

vive em teus olhos

a tremular

 

Tenha medo

dessa luz me queimar

se algum dia eu ousar

timidamente os meus olhos

no teu olhar repousar

meu amor

 

Tenho medo

dessa boca formosa

de flor

cujo sabor

pode me envenenar

 

Tenho medo

que essa boca

algum dia me fale de amor

para depois

a sorrir me enganar

 

 

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Você Sabia?

 

O cantor Orlando Garcia da Silva nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 03 de Outubro de 1915. Desde muito cedo, teve que sair em busca do seu sustento. Foi entregador de marmitas, operário numa cerâmica, aprendiz de sapateiro, estafeta e cobrador de ônibus. Apesar do sucesso que alcançou, morreu quase no anonimato, em 1978, na Cidade Maravilhosa. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www2.uol.com.br/orlandosilva

www.youtube.com/watch?v=qfTkq9hnSr8 (documentário sobre Orlando Silva no YouTube)


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República de Cagões

 

 

Na hora da reunião, qual assento você prefere?

 

 

Outro dia, li uma matéria sobre a primeira missão tripulada que os chineses fizeram ao espaço. Dizia que eles implementaram mais de 100 mudanças no projeto para não repetir os problemas que os estadunidenses tiveram em suas missões do ônibus espacial, que terminaram em tragédias.

 

A primeira reação que tive foi de exclamar “que audácia!”. Mas, depois, pensei mais a respeito. Lembrei-me da enrascada em que os Estados Unidos se meteram no Iraque, que parece não ter fim. Depois me lembrei da confusão de New Orleans, que também parece não ter fim, depois do furacão Katrina. E aqueles escândalos corporativos da Enron e outras grandes corporações?

 

Concluí que os EUA são apenas mais um dos países que estão naufragados numa epidemia de cagaço. Não tenho dúvidas que se estivéssemos na década de sessenta do milênio passado, os problemas seriam resolvidos em questão de horas.

 

Se o Katrina estive passado em 1965, eles teriam realizado uma mobilização sem precedentes para resolver o problema de New Orleans. Em 1969, com uma tecnologia pré-histórica, eles colocaram o homem na Lua, sem o medo que os vôos do ônibus espacial trazem hoje. Sabe a razão?

 

Aquela era uma época de gente que fazia acontecer. De lideranças que assumiam riscos. De pessoas treinadas para tomar decisões. Um tempo em que os planos eram levados a sério e que cada um tinha consciência do impacto e influência das suas ações sobre o próximo. Quando existia gente compromissada com a ação.

 

Hoje, o que vemos são estruturas complexas, gente superficial e muitos planos. Planos, planos e mais planos. Todo mundo fazendo planos, apresentando planos, dando-lhes nomes pomposos e depois esperando que os planos se transformem em ação. Como mágica!

 

São raras as lideranças que assumem riscos. Todo mundo quer livrar o seu. Decisão? Só se for num comitê, onde minha assinatura perca-se em meio a outras dezenas. Assim eu diluo a responsabilidade. Fazer acontecer? Só depois que os outros fizerem.

 

Por isso que explode a Challenger e o Katrina faz o maior estrago. Por isso os chineses têm aquela audácia. Por isso os japoneses estão mais uma vez dizimando a indústria automobilística norte-americana. E sabe da maior? Nós, no Brasil, somos uma cópia piorada dos Estados Unidos. Importamos para cá os seus sistemas administrativos e os implementamos, numa sociedade que nada tem a ver com a estadunidense.

 

Estamos criando, aqui também, uma “República de Cagões”. De gente que tem medo de tomar decisões. De infindáveis comitês que permanecem à espera das decisões dos comitês estadunidenses. E surgem planos, planos e mais planos... Com um trato marqueteiro, são anunciados de forma retumbante e... nada acontece!

 

Enquanto isso, os chineses - disciplinados, focados no mesmo objetivo, cientes de suas responsabilidades e comprometidos - colocam dois deles em órbita. E prometem mais.

 

No mundo de hoje, competitivo e apressado, não vence mais quem tem a melhor tecnologia. Ou os melhores planos. Ou mais velocidade.

 

Vence quem não é cagão!

 

Mas tudo bem... Afinal, quem tem... tem medo...


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Quem Tem... Tem Medo!

 

 

Teodoro & Sampaio no Café Brasil... Quem diria!

 

 

Por falar em “Quem tem... tem medo”, essa foi a grande inspiração para mais um “clássico” de Teodoro & Sampaio. Pois é... Você que está acostumado a ler versos de Vinicius de Moraes ou Carlos Drummond de Andrade aqui no DLOG Café Brasil, pode até ficar chocado com a “poesia” da dupla. Mas tem hora que precisamos chutar o pau da barraca mesmo! Lá vai:

 

 

Ninguém no mundo é feito só de coragem

Conta vantagem, mas esconde o seu segredo

Tenho certeza, eu garanto e bato o pé

Aposto com quem quiser.

Quem tem... tem medo

Quem tem... tem medo

 

O homem rico tem medo de ficar pobre

O pobre luta com medo de passar fome

Eu já sai com uma mulher bonita e quase morri de medo

a safada era homem!

O jogador tem medo de errar o gol

E o cantor medo de errar a canção

E quando a gente tem na vida um grande amor

morre de medo de ficar na solidão

 

A bailarina tem medo de errar o passo

O lutador tem medo de ir a lona

Conquistador, medo de não dar no couro

se acaso vai pra cama com uma gostosona

Mergulhador tem medo de tubarão

O pescador tem medo jacaré

Se tem mulher que treme de medo de homem

Tem homem frouxo que tem medo de mulher

 

 

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Você Sabia?

 

Formada atualmente pelos paranaenses Aldair Teodoro da Silva (de Santo Antônio da Platina) e Alcino Alves de Freitas (de São Sebastião da Moreira), a dupla Teodoro & Sampaio é conhecida pelas músicas divertidas e “politicamente incorretas”. Entre alguns “clássicos”, estão Roela do Eno, Fogo no Rabo, Põe e Tira, Filho da Tuta e Pula Ne Mim Menina. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.teodoroesampaio.com.br

www.youtube.com/watch?v=no0XbTRuRDo (confira o clip de Roela do Eno no YouTube)


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Falar em Medo já deu o que Falar...

 

 

Regina em 2002: atitude certa ou errada?

 

 

Nas eleições presidenciais de 2002, a atriz Regina Duarte trouxe à tona o tema do medo. Ela dizia que tinha medo de uma eventual vitória nas urnas do candidato Luís Inácio Lula da Silva. Acabou perseguida, humilhada e ofendida pelas patrulhas de esquerda.

 

Regina tinha medo. Todos temos medo. Eu tenho medo. Você tem medo? Medo de que? Medo por quê?

 

Você não se lembra da participação da atriz na campanha eleitoral? Quer rever? Assista o depoimento no YouTube em www.youtube.com/watch?v=DEeNSkXn5mY


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Jovens Talentos Sem Medo de Ir Além

 

 

Caio Márcio: anote esse nome

 

 

De volta à nossa parte musical, vou apresentar dois jovens talentos da MPB que não tem medo de inovar e fazer acontecer.

 

Um deles é o Caio Márcio. Filho do clarinetista Paulo Sérgio Santos e da pianista Fernanda Chaves Canaud, Caio saiu um compositor e violonista de mão cheia. Em apenas 10 anos de carreira, lançou vários discos e conquistou importantes prêmios. Em 2001, fundou com alguns amigos o grupo Tira Poeira, que vem conquistando o público e a crítica com seu jeito especial de modernizar o Choro.

 

No Café Brasil, Caio Márcio interpreta Sábio Violão, uma homenagem que fez ao compositor e violonista Guinga. A música está no disco Caio Márcio, lançado pela gravadora Biscoito Fino. Clique aqui e confira a sua participação no programa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vander Lee: outro talento da nova MPB

 

 

Outro compositor e violonista da “nova safra” é Vander Lee. O mineiro Vanderli Catarina nasceu em Belo Horizonte, em 1966. Antes de mergulhar na MPB, foi até goleiro do Clube Atlético Mineiro. A exemplo de outros grandes da nossa música, começou cantando em bares na noite mineira. Acompanhe a letra de Não Tenha Pressa, música onde Vander Lee faz dupla com a sua irmã Ivania:

 

 

Não tenha medo

Não venha cedo

Não mude o enredo

Pode ser ruim

 

Não tenha pressa

Não tem promessa

Não dê, não peça

Não me meça assim

 

Só coma os frutos

Só siga um trilho

Não colha flores

Em outro jardim

Não me escravize,

Não faça brisa,

Que o vento vem...

E te leva de mim

 

Não conte os passos

Não cante gloria

Não corte o impulso

Da nossa história

Não venda a alma

Não perca a calma

Respeite os traumas

Dessa trajetória

Só coma os frutos

Só siga um trilho

Não colha flores

De outro jardim

Não me escravize

Não faça brisa

Que o vento vem...

E te leva de mim

 

 

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Você Sabia?

 

Filho de um minerador, Vander Lee teve duas companhias desde cedo: o trabalho e a música. Os empregos foram os mais diversos: gandula de tênis, faxineiro, office-boy, entregador, jardineiro, ambulante... A paixão pela música foi herdada do pai, que sempre gostou de tocar no violão os clássicos da música caipira, como Tonico & Tinoco e Trio Parada Dura. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.vanderlee.com.br

www.youtube.com/watch?v=raT392tj_5c (Vander Lee cantando “Galo e Cruzeiro” no YouTube)

 

www.biscoitofino.com.br/bf/art_cada.php?id=51 (página sobre Caio Márcio)

www.youtube.com/watch?v=JnXvhWUx4us (Caio faz uma homenagem ao maestro Radamés Gnattali)


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O Medo do Mesmo

 

 

 

Para seguir a nossa conversa sobre medos e cagaços, trago o “poema-texto” Medo do Mesmo, de Claudia Fernandes. Ela publica um blog chamado Prosaicos Poemas (http://prosaicospoemas.blogspot.com). Vale a pena fazer uma visita.

 

 

Sou uma pessoa essencialmente contemplativa.

Vivo pensando, refletindo, enxergando além...

Procurando desculpas para justificar rodeios

Às vezes isso me faz bem,

outras nem tanto.

E um tema que é sempre recorrente em meus devaneios

(espero eu que seja só por enquanto)

é a natural, mas temerosa velhice.

Essa entidade que insiste em me intrigar e me amedrontar,

mas que, sem cerimônia, ali na frente, parece despontar

subliminarmente, discretamente, sem a menor pieguice.

 

Depois de uma seqüência de elucubrações febris

conseqüência talvez, creio eu, de rara epifania

cheguei a uma conclusão que serviu de terapia

ou mesmo de consolo para meu medo infeliz

A velhice não me apavora pelas rugas que ela traz

nem pela inegável proximidade com a morte

o que me leva a um estado de melancolia voraz

é ter a consciência de que cada dia vivido com lucidez

paradoxalmente, faz diminuir, em quantidade

as chances de experimentar algo novo pela primeira vez.


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Esse Não Tinha Medo

 

 

Sampaio, nosso “poeta maldito”

 

 

Para relembrar o que é não ter cagaço, trago para o nosso DLOG o cantor Sérgio Sampaio com a música Não tenha medo não! Junto com Raul Seixas, Sampaio fez parte de um grupo de “malucos beleza” que fizeram a cabeça - e o coração - de muita gente nos “anos de chumbo”. Com certeza, Sérgio Sampaio não tinha medo!

 

 

Suje os pés na lama

E venha conversar comigo

Comigo

Chore, esqueça o drama

E venha aliviar

O amigo

Vem, não tenha medo

Não tenha medo

Não tenha medo, não

Vem, não tenha medo

Não tenha medo, não

Vem, não tenha medo

A barra está pesada

Vem, não tenha medo

A barra pode aliviar

As pessoas são uns lindos problemas

Eu posso até acreditar

Eu acho tudo isso uma grande piada

Ou então eu não posso achar

Não me espera pra beber seu veneno

E nem pra ver você chorar

Demoro o tempo que for necessário

Eu moro longe

Eu posso nem chegar

Demoro o tempo que for necessário

Eu moro longe

Eu posso não voltar

Demoro o tempo que for necessário

Eu moro longe

Eu pó...

 

 

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Você Sabia?

 

A exemplo de Roberto Carlos, Sérgio Moraes Sampaio também era capixaba de Cachoeiro de Itapemirim. Após ser radialista em sua cidade, foi tentar a sorte como músico no Rio de Janeiro. Contratado pela gravadora CBS, Sérgio lançou com Raul Seixas o polêmico álbum “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista - Apresenta - Sessão das 10”, de 1971. Nos anos seguintes, lançou discos solo, fez sucesso, mas o seu jeito “desencanado” despertava a ira das gravadoras. Morreu em 1994, em conseqüência de anos de alcoolismo. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.sampaiotributo.hpg.ig.com.br

www.youtube.com/watch?v=CaExt9NEiM8&feature=related (documentário fantástico sobre Sérgio Sampaio no YouTube)


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O Cagonauta

 

 

 

Numa de minhas palestras, almocei com o diretor da empresa, o Pereira. Ficou o tempo todo me contando das dificuldades em conseguir que seus funcionários fossem mais eficientes.

 

Reclamava que a turma não tinha senso de urgência nem de propriedade. Que tinha que ficar o tempo todo em cima para que as coisas acontecessem. Que o pessoal só trazia problemas. Que seus gerentes eram medrosos. Que estava a ponto de mandar a maioria embora e procurar gente mais competente.

 

Como eu conhecia a figura de longa data, não precisei pensar muito para encontrar o problema. O Pereira dirigia o negócio com mão de ferro. Quando entrava na sala as pessoas se encolhiam. Ninguém queria ser a vítima do dia, desmontada ao cometer um erro ou uma palavra mal colocada.

 

A única coisa que todos seus funcionários tinham em comum era... Medo! Medo do Pereira.

 

O Pereira era um cagonauta!

 

Cagonautas são os sujeitos que passam a vida rodeados de cagões. E os bons cagonautas nunca enxergam seu papel na produção de cagões. Eles cumprem pelo menos quatro regras básicas para a criação de cagões: humilham os subordinados, punem quem traz más notícias, castigam quem falha na primeira tentativa e não dão espaço para a comunicação franca.

 

Cada vez que o Pereira humilhava um funcionário, criava um cagão. E quando o fazia na frente dos outros 50 funcionários, criava 51 cagões. Ninguém queria ser o próximo a ser esculhambado, portanto o melhor é não se expor, ficar quieto no seu canto, escondido.

 

Quando alguém cometia um engano, era trucidado pelo cagonauta. E deixava de ter iniciativa própria. Ninguém queria correr riscos...

 

- “Mas como é que ninguém me falou disso antes?”, urrava o cagonauta...

 

E quem é que seria besta de levar a má notícia ao Pereira? Melhor deixar o tempo passar... E o problema ia crescendo, crescendo... Quando chegava ao conhecimento do cagonauta, era tarde demais. Já estava fora de controle, não dava pra corrigir.

 

O processo de comunicação, então, era totalmente truncado. Ninguém se dirigia ao Pereira de forma aberta, transparente. Tinham medo das conseqüências...

 

- “Bando de incompetentes!”, berrava o Pereira...

 

Mas o Pereira não é único, não. Canso de encontrar cagonautas por aí. E nenhum deles percebe que aquele monte de cagões incompetentes que o circundam são crias suas!

 

Se o seu chefe é um cagonauta, tome cuidado.

 

Ele está te treinando para ser um... Cagão!


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Para Encerrar em Grande Estilo

 

 

Simone... Onde está “aquela” Simone?

 

 

Para fechar a parte musical do nosso DLOG, trago um grande sucesso de Simone. Daquela Simone... Lembra? É o Medo de Amar No 2, canção de Sueli Costa e Tite de Lemos. Nem vou dizer mais nada...

 

 

Você me deixa um pouco tonta

assim meio maluca

quando me conta essas tolices e segredos

e me beija na testa, e me morde na boca

e me lambe na nuca

você me deixa surda e cega

você me desgoverna

quando me pega assim

nos flancos e nas pernas

como fosse o meu dono

ou então meu amigo

ou senão meu escravo

 

Eu sinto o corpo mole

e eu quase que faleço

quando você me bole e bole

e mexe e mexe

e me bate na cara

e me dobra os joelhos

e me vira a cabeça

 

Mas eu não sei se quero ou se não quero

esse insensato amor

que eu desconheço

e que nem sei se é falso ou se é sincero

que me despe e me vira pelo avesso

 

Não eu não sei se gosto ou se não gosto

de sentir o que eu sinto

e que me atormenta

e eu confesso que tremo desse sentimento

que de repente chega

e que me ataca

e assim me faz perder-me

e nem saber se esses carinhos

são suaves ou velozes

se o que escuto é o silêncio

ou se ouço vozes

 

 

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Você Sabia?

 

Baiana de Salvador, Simone Bittencourt de Oliveira passou a juventude na cidade de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, onde atuou como jogadora de basquete. Atleta profissional, se formou em Educação Física e chegou a ser convocada duas vezes para a Seleção Brasileira. Mas uma série de problemas nos ligamentos dos pés a fez trocar as quadras pelos palcos. Essa e outras histórias você encontra em:

 

www.simone.art.br

www.youtube.com/watch?v=LjEoiN1cu4g (confira a cantora interpretando Medo de Amar no YouTube)


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“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro. A real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz” - Platão, filósofo grego

  

 

 

 

Com essa inspirada frase de Platão, encerro mais um DLOG Café Brasil. Muito bem... e você? Descobriu se é um cagonauta? Ou é um cagão? Cuidado...

 

Gostou? Não gostou? Quer ouvir e baixar este programa em podcast? Clique Aqui.

  

Para continuar recebendo o DLOG Café Brasil na sua caixa postal, cadastre o seu e-mail gratuitamente em www.lucianopires.com.br.

 

Mergulhe neste Cafezinho. Você ganhará uns minutos nutritivos... 

 

Até o próximo DLOG!

 

Luciano Pires

www.lucianopires.com.br

cafebrasil@lucianopires.com.br

 

 

 

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Clique e leia as edições anteriores:

 

19 - O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ

18 - A IGNORÂNCIA POLÍTICA

17 - QUEM É VOCÊ?

16 - VERGONHA DE SER BRASILEIRO

15 - SIM OU NÃO?

14 - LETRAS DA MINHA EMOÇÃO

13 - SAUDADE DÓI

12 - ASA BRANCA

11 - DON FACUNDO

10 - COMPETÊNCIA ESPIRITUAL

09 - O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL

08 - DAS VANTAGENS DE SER BOBO

07 - DUAS ESPÉCIES DE EDUCAÇÃO

06 - DEIXA A VIDA ME LEVAR

05 - LIMITE DA TOLERÂNCIA

04 - BEM-HUMORADO

03 - A CERTEZA DA IGNORÂNCIA

02 - LOUCOS ESSENCIAIS

01 - CONECTIVIDADE 

 

 

 

 

 

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