Tenho Orgulho da Música Brasileira
O maestro Barenboim é apaixonado pela música brasileira
Por mais que, atualmente, falem mal do Brasil, um ponto ainda está livre de críticas: a qualidade, criatividade e reconhecimento internacional da nossa música.
Quer um exemplo? Clique Aqui e ouça, no Programa Café Brasil, Daniel Barenboim ao piano interpretando as Bachianas Brasileiras No 5, de Heitor Villa-Lobos. Esta é apenas uma das 14 homenagens que o maestro argentino fez ao nosso país em seu disco Brazilian Rhapsody, lançado em 2000.
Você Sabia?
Há exatos 120 anos, nascia no bairro de Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro, Heitor Villa-Lobos. O pai, funcionário da Biblioteca Nacional, tinha na música sua grande paixão. Acabou contagiando o filho. Até a sua morte, em 1959, Villa-Lobos compôs cerca de 1.000 obras e tornou-se um dos músicos brasileiros mais respeitados em todo o mundo. Essa e outras histórias você encontra em:
www.museuvillalobos.org.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Heitor_Villa-Lobos
www.danielbarenboim.com
www.youtube.com/watch?v=voOBtUAK2sg (Barenboim interpretando Tico-Tico no Fubá)

Nóbrega: brasileiro e nordestino com muito orgulho
Agora trago um grande exemplo da criatividade da nossa música: o pernambucano Antonio Nóbrega cantando Meu Foguete Brasileiro, canção que fez em parceria com Bráulio Tavares. O Brasil de Antonio Nóbrega é o país que eu quero pra nós!
Eu fiz um foguete de andar pelo espaço,
Igual um que eu vi pela televisão:
Não sei se era coisa da França ou Japão,
Mas basta ver gringo fazer, eu já faço!
Mandei buscar logo cem chapas de aço,
Latão, alumínio, ferro de soldar;
Dez mil arrebites para reforçar
A parte de fora da infra-estrutura:
Cem metros de longo, trinta de largura,
E dez de galope voando no ar.
Botei no foguete diversas antenas
Para captar raios infravermelhos.
Na parte de cima, um sistema de espelhos
Que amplia as imagens de estrelas pequenas.
Motores na popa que servem apenas
Pra tudo aquecer, e pra refrigerar.
Movidos a pura energia solar
Tem computadores, TVs virtuais:
Mil inteligências artificiais
Que cantam galope, voando no ar!
Maior do que tudo é a parte cargueira
Que leva produtos de exportação:
Tem saca de açúcar, tonel de carvão,
Baú de café, tora de madeira.
Tem pano de lenço, tem palha de esteira,
Xampu, querosene, bebida de bar,
Rede de dormir, colchão de deitar,
Cueca de seda, calcinha de renda...
Achando quem compre, não tem quem não venda,
Cantando galope e voando no ar!
Merece destaque o setor de varejo,
Com mercadorias de boa saída:
Barraca de praia, caixa de bebida,
Ganzá, cavaquinho, tantã, realejo...
Lagosta, siri, corda de caranguejo,
Tem carne de sol e tem frutos do mar;
Cordão de ceroula, produtos do lar,
Catálogo novo, preço de primeira:
Daqui do país, só não vendo a bandeira
Que vai hasteada, voando no ar...
Criei, no foguete, diversos setores:
Indústria, comércio, serviços, lazer.
Fazendas de soja pra dar de comer
Aos meus tripulantes e navegadores.
Conjuntos de vilas pros trabalhadores
E até “piscinão” com água do mar;
Meu grande foguete é obra sem-par,
Maior do que a china, melhor que o japão,
Tão belo de ver que parece o sertão
Cantando galope, e voando no ar...
Depois de sentado no meu tamborete,
Puxei a lavanca, pisei no pedal,
Subi pro espaço com força total,
Fazendo tremer o motor do foguete.
Passei bem por cima do Empire State,
Da Torre Eiffel, e do Palomar;
E vi pela tela se distanciar
A mancha azulada do nosso planeta...
Pensei: “minha nossa! aqui vai tonheta,
Cantando galope, e voando no ar!”
Fiz logo uma escala no chão marciano,
Vendi rapadura, comprei tungstênio,
Enchi os meus tanques de oxigênio,
Parti outra vez no começo do ano.
Passei por Saturno, passei por Urano,
Cheguei lá no fim do sistema solar;
Desci em Plutão, tomei banho de mar,
Botei gasolina comum e azul,
Segui com destino ao Cruzeiro do Sul,
Cantando galope e voando no ar!
Foi tanta viagem, foi tanta aventura,
Foi tanta demanda, foi tanta odisséia...
Eu posso jurar à distinta platéia
Que tudo isso foi a verdade mais pura.
Também teve um pouco de literatura,
História inventada para relaxar;
Mas eu que não minto não quero falar,
E o resto eu só conto aqui pra você
No próximo show, ou em outro CD,
Cantando galope e voando no ar...
Quer Ouvir a Música no Programa Café Brasil? Clique Aqui
Você Sabia?
Nascido no Recife, Antonio Nóbrega é violinista desde criança. Nos anos 60, integrou a Orquestra de Câmara da Paraíba e a Orquestra Sinfônica do Recife. A partir de 1976, começou a desenvolver uma arte própria, unindo dramaturgia, dança e música. Com Rosane Almeida, idealizou e dirige o Teatro e Escola Brincante, em São Paulo. Essa e outras histórias você encontra em:
www.antonionobrega.com.br
www.youtube.com/watch?v=b2ahZtenH-E&feature=related (Nóbrega no YouTube)
|